Verticalização desenfreada e o fim da tradição do Tatuapé
abr27

Verticalização desenfreada e o fim da tradição do Tatuapé

Gerson Soares Que não se iludam os futuros moradores que sonham em morar no Tatuapé ou no Jardim Anália Franco. Devido ao excesso de construções de prédios e de carros que se acumulam o bairro não é mais esse que as construtoras e empresas imobiliárias estão vendendo. O fim do Tatuapé bucólico foi determinado pelo próprio crescimento imobiliário e de demanda. Um sufocou o outro. Num determinado espaço demarcado por meia dúzia de casas, onde os terrenos são enormes, mas os moradores somariam 10 ou 12 carros, os empreendimentos multiplicam esses números até 30 vezes, no mesmo espaço. Uma verticalização desenfreada e irracional, já que nesse ritmo os próprios moradores não conseguiram mais sair de casa com seus automóveis e isso já está acontecendo. É notório que nos condomínios do bairro existe trânsito na garagem. As vagas em prédios onde o padrão não permite mais do que uma vaga por apartamento, precisam ter um serviço de manobrista e isso é pago pelos condôminos, além do desconforto de pedir o carro cada vez que desejar sair de casa. Para algumas pessoas isso não é problema, mas denota que a quantidade de carros está desproporcional à capacidade para comportá-los. O bairro não possui mais o ar interiorano de outrora, muito menos o bucolismo, declarados pelos corretores. Os sites das empresas anunciam tranquilidade e vendem problemas que só são descobertos quando o comprador passa a sair e voltar para casa. Não estamos falando da qualidade dos empreendimentos, não é esse o foco. A questão é até quando o bairro será vendido como um lugar com qualidade de vida e tranquilidade, que não existe mais devido aos próprios empreendimentos que se instalam a cada mês, a cada ano, ininterruptamente. Num frenesi construtivo de fazer inveja ao resto da cidade e talvez ao país. A porção mais central do Tatuapé, além dos valorizados prédios de apartamentos, foi tomada em grande parte pelo comércio, bares e restaurantes que geram uma população flutuante totalmente alheia às tradições dos antigos que gradativamente vai se perdendo, inclusive a de cidade do interior que já acabou. Para dar uma ideia, num final de tarde qualquer, leva-se até 40 minutos para percorrer os oito quarteirões da Rua Emílio Mallet. Esse tempo pode ser estendido às Ruas Cantagalo até a Antonio de Barros, Azevedo Soares e Serra de Bragança, todas as adjacentes também estão congestionadas, quase o dia inteiro, pois os moradores que já conhecem o bairro tentam escapar do trânsito caótico através delas. Não há mais lugares para estacionar o volume de automóveis que circulam diariamente pelo bairro. Pode-se andar por toda a extensão da Rua Emílio Mallet sem encontrar...

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Tatuapé: Crescimento desordenado terá alto custo para a população
abr27

Tatuapé: Crescimento desordenado terá alto custo para a população

A cidade de São Paulo paga caro pelo mesmo erro, cometido há tempos, em nome do progresso. Gerson Soares São Paulo, Tatuapé – Nesta sexta-feira (25), conversamos com o vereador Antonio de Paiva Monteiro Filho, o Toninho Paiva (PR/SP). Na pauta, três assuntos principais: Subprefeitura do Tatuapé, Manutenção de Parques, Praças e Ruas do bairro e o crescente número de veículos da superpopulação trazida pelos inúmeros empreendimentos imobiliários. A cidade de São Paulo paga um alto preço pela falta de planejamento do passado e o bairro caminha para se tornar caótico.   Com 72 anos, vida agitada, atendendo ligações e dando ordens incessantemente, demonstrando sua boa saúde e disposição, Toninho Paiva nasceu no Tatuapé, mais exatamente na Rua Tuiuti, e conhece o bairro tão bem como os remanescentes de sua época. Jogou bola nos campos de terra e foi dirigente do XI Garotos – um time de futebol varzeano extinto, como tantos outros. A conversa com ele se deu justamente pelo seu conhecimento do bairro, além do que sua trajetória o levou à Câmara Municipal de São Paulo (CMSP), onde ocupa o cargo de vereador em seu quinto mandato. Nossa conversa girou em torno do início das primeiras ações por um Tatuapé que aspirava melhorias e para tanto foi fundada a Sociedade Amigos do Tatuapé, em 1963. “A primeira sede ficava em frente ao número 930 da Rua Tuiuti”, lembrou-se. Hoje a entidade não tem tantas atribuições, mas continua fazendo um papel importante na prevenção da hipertensão e é da autoria do vereador a lei que trata do Dia do Hipertenso. Ao comentarmos sobre os antigos moradores, Paiva lembrou-se de um vereador do bairro, tão antigo quanto Alfredo Martins, que foi Corinto Balduíno. Seu nome está ligado ao Hospital do Tatuapé e a outras obras que beneficiam o bairro até hoje, assim como o próprio Alfredo, que permaneceu durante seis mandatos à frente da CMSP e deixou obras permanentes. Outro tatuapeense de primeira grandeza citado foi Carlos Pinto de Oliveira Sá. “A gente brigava muito, mas eu gostava dele”, falou o vereador. Não é para menos, Carlos era um expoente nas reivindicações pelo bem do bairro. “O Tatuapé é a minha vida”, disse um dia. Carlos está entre os que primeiro reivindicaram uma Administração Regional (nome antigo das atuais subprefeituras) para o Tatuapé. A conversa prosseguiu e as lembranças também, recordamos Paiva sobre a Bocha e seria impossível falar desse esporte sem citar José Ramos Pereira. Assim como, Ricardo Izar, quando se fala em política e benfeitorias para o bairro. Uma delas o Parque do Piqueri. E quando se pensa em plantas e árvores, atualmente se fala na Dengue....

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Torres de apartamentos no Tatuapé X Lei de contrapartida
abr27

Torres de apartamentos no Tatuapé X Lei de contrapartida

Gerson Soares Quando há um impacto urbanístico, os empreendedores precisam investir em melhoramentos locais, mas cada um dos empreendimentos que pesquisamos está se beneficiando de leis que limitam em 500 ou 600 vagas de estacionamentos os condomínios residenciais, por exemplo, antes de lhes cobrar as devidas contrapartidas. A Tecnisa, uma das empresas que investem no Tatuapé, constrói na Barra Funda um mega empreendimento e para obter a aprovação deverá fazer melhorias no sistema viário e quanto ao urbanismo devido ao impacto que causará na vizinhança. Assim como esta, outras empresas da construção estão investindo no Tatuapé, um bairro fabril até 50, 60 anos. Portanto, com enormes galpões e terrenos que antes só abrigavam máquinas e operários. Esses galpões, os que ainda restam, estão com os dias contados, como acaba de acontecer com a Morbin na esquina das ruas Azevedo Soares e Francisco Marengo. As instalações da empresa, agora irão abrigar famílias e um número crescente de automóveis. A Adolpho Lindenberg, com 59 anos de mercado, acaba de lançar o empreendimento Aristo no Tatuapé, na esquina da Rua Cantagalo com a Praça Nicola Antonio Camardo. A área era ocupada por um posto de gasolina e um desses galpões fabris. São 130 apartamentos e 210 vagas daqui há 34 meses. A própria Tecnisa constrói duas torres próximas à Av. Celso Garcia, com 200 vagas. Numa rápida pesquisa fizemos um cálculo para descobrir quantos automóveis deverão estar circulando pelo Tatuapé diariamente nos próximos anos apenas com alguns dos lançamentos em vigor ou de prédios em obras. Os números devem ser considerados como amostragem, pois a conta exata é muito maior, já que não levamos em consideração todos os empreendimentos em construção ou lançamentos. A Eztec constrói duas torres, 108 apartamentos, com 3 a 4 vagas, num total de 400 carros. Na Rua Ulisses Cruz, outra construtora, tem 270 unidades em construção com 2 vagas cada, 540 carros. Três edifícios em construção, um deles comercial com 255 unidades, a Gafisa trará para o Tatuapé e Jardim Anália Franco, aproximadamente 750 carros. Só os lançamentos da Construtora Hernandez em construção irão gerar 1.732 vagas de veículos entre prédios residenciais e comerciais. É a líder no número de automóveis desta amostragem, seguida pela Porte que com os lançamentos a serem construídos ou em obras trará 952 carros para seus empreendimentos residenciais e comerciais, sem contar os anunciados residenciais na Rua Itapeti e comerciais na Rua Vilela. A Balbás anuncia cinco construções em pré-lançamentos, às duas obras em andamento da empresa irão somar mais 312 carros para as vagas anunciadas. A Pontual, outra construtora lança um prédio com 6 vagas de garagem por apartamento, o que...

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Construções de prédios e a falta de planejamento
abr27

Construções de prédios e a falta de planejamento

Gerson Soares “Há um crescimento desordenado na cidade. Por isso a Câmara está terminando a elaboração do Plano Diretor que vai organizar muita coisa”, concorda o Vereador, ao citarmos a falta de infraestrutura existente no bairro para a construção de tantos prédios. “Alargar as ruas é complicado, caro e precisa fazer desapropriações”, respondeu ele quando o assunto é o trânsito no Tatuapé. Uma das alternativas viáveis para melhorar o trânsito, concordou Paiva, seria o nivelamento dos sarjetões que existem em abundância nos cruzamentos do bairro. Esta seria uma boa contribuição das construtoras que enchem os cofres com a grande demanda por moradias e a decantada qualidade de vida no Tatuapé. Quanto a contrapartida de retribuírem pela infraestrutura existente no bairro que lhes serve como garota propaganda, o setor de construção civil fica no limite do enquadramento nas leis, por exemplo, que englobam pontos cruciais aos grandes empreendimentos e obrigações com a cidade. A quantidade de vagas de estacionamento e o impacto como polos geradores de tráfego está entre elas. Há ainda os estudos de Impacto de Vizinhança (EIV) e Relatório de Impacto de Vizinhança (RIV) que devem ser avaliados. No Tatuapé as construções avançam num ritmo frenético, degradando ruas com a passagem de caminhões e máquinas pesadas. Há algum tempo mostramos a Rua Professor João de Oliveira Torres e a situação que se encontrava durante a construção de um empreendimento imobiliário. Imagina-se que o asfalto de ruas onde se constroem apartamentos de altíssimo padrão como esta devam melhorar, mas depois das obras concluídas continuam onduladas e esburacadas, como a Rua Maria Otília ou a Rua Marechal Barbacena, ambas conhecidas pelos moradores como tobogãs. O que se constata depois das obras terminadas ou durante elas são remendos muito mal acabados, como na Professor João de Oliveira Torres ou nunca realizados, Maria Otília. Numa rápida busca, as ofertas de apartamentos na primeira atingem valores que variam entre 1,5 a 8 milhões de reais. Esclarecemos que esta reportagem é de total responsabilidade do Alô Tatuapé e o vereador Toninho Paiva foi entrevistado para ouvirmos a opinião de uma autoridade municipal ligada diretamente ao bairro, já que o Subprefeito da Mooca ainda não marcou a audiência solicitada à sua assessoria. Ao contrário dele, Paiva prontamente nos atendeu e esclareceu algumas dúvidas. Para encerrar a entrevista sobre o crescimento desordenado, perguntamos ao vereador sobre a lei de contrapartida, se a construção civil está dando esse retorno ao Tatuapé e Jardim Anália Franco. “Para saber isso precisaria uma CPI sobre os empreendimentos”.   Saiba mais  Tatuapé: Crescimento desordenado terá alto custo para a população Subprefeitura do Tatuapé pode sair do papel Construções de prédios e...

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Subprefeitura do Tatuapé pode sair do papel
abr27

Subprefeitura do Tatuapé pode sair do papel

Gerson Soares “O Tatuapé mais do que nunca teria de ter sua subprefeitura. Meu projeto passou em todas as comissões e só precisa entrar em vigor”, relatou Toninho Paiva quando a entrevista tomou essa direção. O Projeto de Lei nº 01-0389 de sua autoria, tramita na CMSP desde 2004, tendo recebido pareceres favoráveis em todas as comissões. Porém, a morosidade, burocracia e as implicações legais, impediram até agora que o Tatuapé já tivesse a quem recorrer quanto a assuntos como manutenção de ruas, praças, avenidas, parques, documentações, dentre tantas outras necessidades. A Subprefeitura do bairro é uma reivindicação tão antiga que as subprefeituras ainda não haviam sido criadas quando a população pedia uma Administração Regional independente para o Tatuapé, devido aos cuidados que o bairro precisa ter conquanto seu crescimento se impunha e impõe-se dentre os maiores da cidade de São Paulo.   Saiba mais  Tatuapé: Crescimento desordenado terá alto custo para a população Subprefeitura do Tatuapé pode sair do papel Construções de prédios e a falta de planejamento Verticalização desenfreada e o fim da tradição do Tatuapé Torres de apartamentos no Tatuapé X Lei de contrapartida...

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