7 x 1

Quinta-feira, 10 de julho de 2014 às 12h14

 

Gerson Soares

Sete a um, foi o resultado do jogo de terça-feira (8), onde a Seleção Brasileira sofreu uma derrota histórica. Esse time, da camisa amarelinha, a equipe canarinho é a única força existente no país capaz de unir todas as mentes. Nada mais no Brasil mescla um só pensamento como a Seleção.

 

corneta

 

Talvez, você não vá gostar do que lerá daqui em diante, por isso não peço que continue lendo. Mas se seguir e não acreditar em coisas inexplicáveis, acredite se quiser que o vexame de terça-feira, dia 8 de julho, também ficará marcado na história e na consciência nacional como algo sem explicação plausível. Não existe ciência no futebol, mas a catástrofe ficou estampada nos rostos e no choro incontido das crianças.

Há vários tipos de especulações. Pode-se aventar a Máfia das Apostas, que teria ameaçado os jogadores. Pode-se buscar culpados entre a Comissão Técnica e em toda a equipe. A Fifa seria culpada, talvez a presidente Dilma. Quem sabe o maldito som das buzinas de mão – que estão muito acima do permitido e suportável –, aos menos ofensivos sons das cornetas ou vuvuzelas – como são chamadas na África – ou dos fogos de artifício que atormentam a vida de quem precisa descansar, trabalhar, estudar.

Muita gente torceu a favor, porém um outro contingente queria que a bagunça terminasse logo. Pessoas doentes não estão comemorando nada com as bombas a espocar ao lado de suas janelas, bebês não entendem a barulheira que atormenta seus ouvidos sensíveis, ainda em formação e choram. Dependendo da distância, as bombas podem causar danos permanentes às crianças. Fato pior acontece à audição dos animais domésticos.

A mídia, que deixará de faturar alguns milhões devido ao fim antecipado da Copa do Mundo faz comentários desde as 19h do dia 8 sobre o fato e ainda não conseguiu encontrar um culpado ou responder como aconteceu o 7 x 1. A fim de preencher os horários, tenta explicar a situação aos telespectadores, envolvendo-os entre a euforia e o conformismo. “O futebol é assim mesmo”, diria um dos apresentadores das grandes redes. Não acredito nisso. Diria que algo muito maior aconteceu ontem. Vindo dos céus ou da terra mesmo, uma gigantesca mão invisível colocou os gols da Alemanha nas redes do Brasil.

Reflito: isto não é possível. Muito mais provável os jogadores terem deixado o time alemão vencer para mostrar ao mundo que tipo de país foi construído desde a última derrota em 1950, quando diante de um Maracanã transbordante, o Brasil chorou. Esta derrota foi muito pior, não houve nada para lembrar, não teve esperança. Foi um recado, dado e confirmado, de que nem só de euforia se vive e a fábula da “Cigarra e a Formiga” ainda serve de ensinamento nos dias de hoje. Colhemos aquilo que plantamos. E não estou escrevendo sobre o trabalho dos jogadores nem da Comissão Técnica que certamente, comandados por um homem de brio como Luiz Felipe Scolari, teve seriedade em sua lida.

Estou falando de um povo enganado por décadas, onde alguns saem-se muito bem e outros são deixados, literalmente à morte, no meio do caminho dos hospitais, da insegurança das ruas, da superlotação dos transportes, das drogas, da falta de um sistema educacional capaz de realmente educar as crianças desde o início, ensinando-lhes valores fundamentais, como por exemplo, não esquecer que ontem, 9 de julho de 2014, não foi o dia seguinte da farra, dos churrascos programados, dia de ressaca, de tristeza pela Seleção, de lembrar que a festa do barulho e o segundo carnaval do ano parece ter chegado ao fim.

Ontem, 9 de Julho de 2014, fez 82 anos que um punhado de pessoas, se levantou contra forças muito mais poderosas do que 7 contra 1. Pegaram em armas por muito menos do que os descalabros políticos que ocorrem hoje, não só em São Paulo, mas no Brasil. O que existe hoje, é um oba-oba do tudo pode, lei e ordem estão em segundo plano, o progresso chegou só para alguns e isso não é bom, já que uma Nação não se faz com 10 ou 15% de cidadãos felizes, que podem pagar ingressos fora da realidade local para ver um jogo de futebol, comprar fantasias, bebidas e sanduíches caros. Uma verdadeira Nação, um país justo se faz com equilíbrio e justiça social para todos. E também não estou falando dos bolsas isso ou aquilo, já que me parecem favores e não soluções.

Imagino que a Guerra Paulista não tenha sido em vão como levante armado que ceifou a vida de tantos em nome da Liberdade, da Ordem e da Justiça. Todo dia é dia de recomeçar, a cada manhã o sol nasce. Na manhã de ontem,o desastre da Seleção Brasileira diante das notícias do cotidiano – muito mais constrangedoras do que sua derrota –, ela pode ser lembrada com carinho, ser valorizada pelo que tentou, até onde chegou e o resultado que alcançou usado para uma reflexão sobre aquilo que o Brasil deseja para ter como um símbolo maior de sua unidade, algo que o una em torno de um objetivo comum: as jogadas de um time ou o futuro de uma Nação.

alotatuape

Autor: alotatuape

Share This Post On

Enviar um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*