A Copa do Mundo é nossa? Pelo jeito não

Alguém está sentindo aquela sensação de que a Copa do Mundo no Brasil será só alegria como se diz no jargão? Que a Copa 2014 é sua, é de todos?

Gerson Soares

Hoje, em Brasília, a presidente Dilma Roussef recebeu várias lideranças políticas e sociais do Movimento de Juventude. Cerca de 30 jovens ouviram dela que não enviará lei ao Congresso para reprimir protestos durante a Copa do Mundo.

A conversa girou em torno da Reforma Política – um assunto que há décadas é usado para desconversar –, o enfrentamento do estupro intrafamiliar – aquele que é cometido por um parente da vítima – e a bronca do rapper Mc Chaveirinho, representante da Associação dos Rolezinhos, que cobrou do governo uma linguagem mais informal e próxima dos jovens, principalmente nas periferias. E, logicamente, o convite serviu para sentir o clima das possíveis manifestações – que podem atrapalhar o outro tipo de clima que se tenta criar no país, mas está difícil, o da Copa. Talvez, chegue em cima da hora, assim como o estádio da abertura do mundial, cujas obras no momento estão sob os olhares do Ministério Público de São Paulo.

Segundo a Agência Brasil, para o representante do Movimento Passe Livre, Clédson Pereira, a reunião com Dilma teve poucos resultados práticos. Pereira reclamou que, desde a última reunião do movimento com o governo, em 2013, a pauta de reivindicações ligadas ao transporte público não foi adiante. “Neste momento, a gente enfrenta forte aumento de passagem em quatro capitais do país e uma intensificação de políticas e projetos de lei para repressão das manifestações”, listou. “Se não existir intervenção prática na vida das pessoas, as manifestações vão continuar. A gente só vai ser convencido com ações práticas”, advertiu.

Se bem lembramos, esse movimento teve papel fundamental para levar milhões de brasileiros a um protesto histórico em junho do ano passado, que se arrastou por mais de dois meses com força em várias capitais brasileiras. As reivindicações foram as mais variadas, mas levaram ao conhecimento mundial a vontade de acabar com a corrupção no país, por políticas mais abrangentes e gestão a altura da grandeza do Brasil, levando ao governo federal e congressistas à realidade nua e crua do pensamento das ruas que já não aguentam mais tanta baderna administrativa.

Da parte do governo, o que pode ser percebido é uma preocupação com as manifestações que ocorrerão durante a realização da Copa do Mundo e a reeleição da presidente Dilma Roussef que vem sendo abalada. O pulsante escândalo da Petrobrás, aumento da inflação e a insatisfação da sociedade com os resultados do julgamento do Mensalão estão pesando na balança.

Aquela vontade de ver o Brasil campeão do mundo está em cada brasileiro, mas é muito diferente do que já foi visto por aqui em outras copas mundiais de futebol, quando a Seleção Brasileira viajava ao exterior. As ruas foram pintadas, todos se preparavam para uma grande festa, bandeiras brasileiras tremulavam por toda parte. Há dois meses da abertura do mundial no país a bola não cresce, o clima não pega. Apesar de sediar a Copa parece que será realizada em outro lugar.

Com textos e informações da Agência Brasil
Ivan Richard - Repórter da Agência Brasil 
Edição: Valéria Aguiar

Dilma recebe líderes de movimentos sociais da juventude. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

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Autor: alotatuape

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