Copa é uma festa, controlada pelo Exército

Quarta-feira, 11 de junho de 2014 às 11h41

Gerson Soares

A Copa do Mundo da Fifa começa amanhã. O governo, neste momento, deve estar se preparando para receber de braços abertos as torcidas dos países que participarão da festa de abertura. Mas se é uma festa, porque o Exército deveria tomar conta?

A resposta vem coalhada de outras perguntas. Armas modernas de contenção de distúrbios, fora as leis e decretos criados de última hora, pretendem garantir a festa. A Copa será uma festa, segundo os organizadores; estranha conforme agem os convidados e não convidados. Apesar disso, vários do primeiro grupo se dizem envergonhados pela festa. Irado o ex-atacante Ronaldo mandou baixar o porrete nos manifestantes. Por sua vez, os não convidados, que também são esperados, se vierem não estarão usando smoking ou longos. A festança vai começar, mas o embaixador oficial nomeado pela presidente Dilma, se afastou por desentendimentos financeiros, como revelou a revista Veja. Antes, Pelé já havia manifestado certa contrariedade e vergonha. Não faz mal, parece que ainda tem crédito. Mas cuidado, não são todos os credores que estão de portas abertas.

Nessa festa bizarra, há ainda os anfitriões que não chegarão perto do microfone, ou se esconderão e não deverão “nem dar boa tarde” às torcidas, como disse na manhã de hoje (10), Reinaldo Azevedo na rádio Jovem Pan. Talvez um aceno, rezando para não ouvir uma vaia histórica. Pior ainda, é aquele que proclamou e iniciou a “A maior Copa de todos os tempos”. Esses dizem que ficarão em casa, “tomando uma cervejinha, é mais confortável”, escreveu sobre as declarações do ex-presidente Lula, J. R. Guzzo na sua coluna, também na revista Veja desta semana.

O povão vai estar lá, provavelmente dentro e fora do magnífico estádio erguido em circunstâncias, digamos especiais, para receber a abertura da Copa do Mundo. Mas pelo que se sabe, não contem com a presença dos 15 mil manifestantes ou mais, agregados pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto) na última manifestação em São Paulo. O Palácio do Planalto, através de Gilberto Carvalho, atendeu reivindicações do movimento. Louve-se a conquista do MTST, que também está numa reportagem da revista Carta Capital, por construir um conjunto de prédios com as próprias mãos e sob sua supervisão, na BR-116. O primeiro bloco será entregue no mês que vem. Segundo a reportagem de Piero Locatelli, serão duas torres com 160 unidades.

Num país onde cada um tem que ver o seu lado, a festa existe, mas não é para todos. A partir de amanhã, dia dos Namorados, a Fifa também construirá mais um andar do seu edifício de glórias, onde muito além da bola e das seleções, rolam bilhões de dólares. No Brasil, tem sorte quem estiver num leito de campanha enferrujado numa enfermaria lotada de hospital para sofrer as próprias dores, porque outros doentes fazem a Festa do Colchão no chão sortudos também, pois existem ainda os brasileiros que nem colchão têm para serem atendidos, são atendidos no piso frio das casas que deveriam ser de saúde.

Aos convidados bilionários, que não precisam nem pagar impostos, os banquetes também estão isentos de taxas, o povo brasileiro paga. Talvez, sobre uma coxinha da festa.

 

 

Ilustração: aloart

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alotatuape

Autor: alotatuape

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