“A missão de ensinar educando é um privilégio maravilhoso”

A simplicidade e eficiência de seu método teve início na década dos 40 do século XX, atravessando o início do século XXI, assim como a própria longevidade das técnicas mostradas em 1882 pelo mestre Kano que se perpetuam pelo mundo, através de seus seguidores. “A prática orientada e sistemática leva o aluno a compreender que a ação deve ser guiada pelo bom senso e não apenas pela emoção. Ele aprende que ansiedade não leva a nada a não ser a um desnecessário desperdício de energia”, ensina.

Sobre educação e esporte suas palavras, forjadas na experiência, talvez contenham a fórmula mais próxima da definição exata do que deveria a nação seguir para orientar os jovens. “A missão de ensinar educando é um privilégio maravilhoso. Sempre busquei me dar por inteiro aos meus alunos, como mestre, como amigo e, muitas vezes, até mesmo como pai. Não podemos nos afastar da difícil tarefa que é orientar os jovens. Por mais difícil que isso possa ser, temos de permanecer atentos às suas dúvidas. Eles precisam muito de nós quando se sentem frágeis, inseguros e angustiados diante de tantos caminhos. A nossa experiência e compreensão podem guiá-los, deixá-los aprender sozinhos, sem uma orientação efetiva é pura omissão. Temo de orientá-los, mostrando-lhes caminhos para que possam escolher, sem fazermos a escolha por eles. Temos de ajudá-los a identificar sua vocação. Precisamos ter em mente que ninguém pode enxergar a floresta, estando dentro dela. Cabe a nós, ensiná-los a ter o necessário distanciamento para vê-la. Quando eles estiverem encaminhados, poderão reconhecer e avaliar seus novos horizontes. Somente quando eles estiverem prontos, já fortalecidos, poderão nos agradecer. E se não o fizerem, não importa. Para nós, a maior recompensa está na certeza de cumprirmos nosso dever, dando-lhes o que temos de melhor. Nestes 79 anos nos tatames, tenho tido provas concretas de que a prática do judô é muito benéfica para a formação dos jovens.”

Quem tem o privilégio de participar das aulas do sensei Tambucci, atesta que é notória sua vontade e garra para ensinar. A aplicação prática de sua técnica, aos 89 anos de idade, as marcas profundas das mãos calejadas, traduzem a força dessa arte, ficando evidente o quanto o judô é capaz de fazer pela saúde e longevidade humana.

 

Professor Luiz Tambucci, sendo homenageado no CEPEUSP em 2003.

Tambucci, ao lado da placa comemorativa com seu nome para o dojô do CEPEUSP.

Professor Tambucci durante aula no CEPEUSP.

Placa fixada no dojô do CEPEUSP.

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Autor: alotatuape

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