A organização das comunidades que vivem em área de preservação

Quarta-feira, 18 de junho de 2014 às 13h58

IEA  – Cada vez mais presente em nosso dia a dia, com adventos como a longa estiagem experimentada nos primeiros meses de 2014, que comprometeu o abastecimento de água as cidades da região metropolitana do Estado de São Paulo e o desenvolvimento de diversos produtos agrícolas, as questões ambientais ocupam posição de destaque nas agendas política e econômica governamental.

Conservar as áreas de proteção ambiental é essencial para garantir um ambiente saudável para as próximas gerações, alertam os especialistas. Mas, não menos importante é criar condições para que as comunidades que há décadas ocupam esses espaços possam se desenvolver preservando suas tradições e identidade.

“Dentre as questões ambientais, uma das mais importantes em relação à produção agrícola é a contradição que se estabelece entre a necessidade de conservação de importante patrimônio biofísico, com restrições às práticas agropecuárias e agroflorestais, e a sobrevivência de comunidades que vivem em estreita relação de dependência com a natureza”, afirmam Nilce Panzutti, Ana Victória Monteiro, Denyse Chabaribery e Regina Petti, pesquisadoras do Instituto de Economia Agrícola, as duas últimas já aposentadas.

Com o objetivo de oferecer subsídios para discussão do percurso social e político dos núcleos de população formados por agricultores familiares, residentes na Estação Ecológica Juréia-Itatins (EEJI), localizada na região Sul do Estado de São Paulo, as pesquisadoras apresentam o artigo “Organização sociopolítica em Área de Preservação Ambiental”, disponível no último número da revista Informações Econômicas.

As pesquisadoras concluíram que “referente a criação do Mosaico das Unidades de Conservação da Juréia-Itatins em seus processos de instituição (12/12/2006), desinstituição (10/06/2009) e reinstituição (08/04/2013), denota que, apesar da mobilização e organização sociopolítica local e da resistência de longos anos contra a exclusão social, econômica e política, essa população não logrou êxito em suas empreitadas. Não parece haver na proposta do Mosaico um plano que leve em conta essa população excluída. (...) Após observações, acompanhamentos e análise, chega-se à conclusão de que a organização social da população desta área de proteção ambiental e a luta travada nesses longos anos não foram suficientes, ainda, para transformar essa realidade de exclusão social e pobreza. Nem mesmo a ação social de resistência na ocupação de seu espaço pôde mudar essa situação histórica”.

Praia (Barra do Una) na Estação Ecológica de Juréia-Itatins, Peruíbe - São Paulo, Brasil. Foto: Danilo Prudêncio Silva

Praia (Barra do Una) na Estação Ecológica de Juréia-Itatins, Peruíbe - São Paulo, Brasil. Foto: Danilo Prudêncio Silva

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Autor: alotatuape

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