A saúde tem de ser saudável

Sexta-feira, 22 de agosto de 2014 às 08h48 – Atualizado às 11h11

Gerson Soares

A pauta Saúde no Brasil tem que mudar divulgada por Alô Tatuapé na quarta-feira (20), referente à pesquisa encomendada ao Datafolha pelos Conselho Federal de Medicina (CFM) e Escola Paulista de Medicina (APM), publicada originalmente no Portal Médico do CFM no dia 19 último, repercutiu de forma negativa junto aos setores do governo Federal, relacionados à pasta da Saúde, que lamentaram em nota à imprensa no final da tarde da mesma terça-feira (19), a divulgação da pesquisa ou a forma como ela foi feita através do CFM. Este, por sua vez, emitiu um comunicado no início da tarde do dia 20, quarta-feira, esclarecendo que coube ao órgão que representa a classe médica, apenas a divulgação da pesquisa, procedida de forma autônoma, isenta e idônea.

As pesquisas realizadas no país, por institutos como o Ibope, IBGE ou Datafolha são plenamente aceitas pelo governo para aquilo que diz respeito aos seus interesses, como as que indicavam grande vantagem da presidente Dilma Roussef em relação aos demais candidatos à Presidência da República até o início deste ano, que chegaram a apontá-la como vencedora no 1º turno. Apesar das diferenças terem diminuído bastante e o 2º turno já ser uma certeza, as informações das pesquisas anteriores, que apontavam seu total favoritismo, estão sendo usadas atualmente em sua campanha à reeleição, direta ou indiretamente através do marketing.

A polêmica sobre os dados coletados em “Opinião dos brasileiros sobre o atendimento na área da saúde”, como o do tópico citado na própria nota emitida à imprensa pelo Ministério da Saúde: “Das pessoas que procuram os postos de saúde, 91,3% conseguiram atendimento, o que demonstra os bons resultados de estratégias como o Mais Médicos”, foram postos para questionar a divulgação das demais apurações divulgadas pelo CFM, que ao contrário disto demonstram a revolta da população com relação ao SUS.

Para resumir este pequeno comentário, questionamos: Se 91,3% conseguiram, como ficaram os outros 8,7%? Será que entre eles estão os mortos, vítimas da falta de atendimento? E, pior, a quem o atendimento foi negado, mesmo podendo ser prestado, portanto não se manifestaram? Como nos diversos casos de bebês prematuros, cujas mães são rejeitadas pelo SUS, dos que não encontram leitos de UTI ou as infindáveis esperas por uma simples ressonância magnética. Estes são apenas alguns exemplos, deste acanhado resumo.

Note-se o emprego do verbo conseguir (o atendimento) na nota governamental. Conseguir é tido no dicionário, como algo provavelmente inalcançável, difícil de obter. E esta é a verdade que o governo tenta abafar. Porém, a doença causada pela falta de interesse governamental, chama-se insatisfação popular. Esse vírus está sendo espalhado e a pesquisa Datafolha nada mais fez do que constatar com detalhes aquilo que todos sabem, mas o governo Federal tenta dirimir com pequenos gestos e irradiações de palavrórios que há muito tempo cansam os ouvidos, verdadeiras emanações fantasiosas de que algo será feito.

Vamos marcar um dia em que o SUS se será um sistema inteligente, informatizado, customizado e humano? Quando?

A realidade da Saúde no país está sendo retratada e foi passada à imprensa através de coletiva no dia 19 pelo CFM, o acesso aos dados está aberto a quaisquer pessoas e a situação está aí para ser mudada. Ao governo cabe arregaçar as mangas, admitir os erros, parar de tapar o sol com a peneira e começar o trabalho, a fim de elevá-la ao patamar que lhe cabe. Em respeito à opinião pública, a saúde deveria ocupar uma posição mais saudável.

 

 

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Autor: alotatuape

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