A volta de Lula

Gerson Soares

As movimentações entre os partidos pela volta de Lula só ratificam o que escreveu Guzzo, na Veja da semana passada. O PT teme por ficar na berlinda, sem os privilégios que conquistou, inclusive para os companheiros mais fieis. Estar no poder durante 11 anos e apresentar o que apresentou, sendo ele, o PT, um partido que clamava por conquistas dos trabalhadores, esqueceram-se dos hospitais, da educação tão decantada nos tempos de oposição, como sendo a solução e da segurança, entre outros inúmeros itens que implicam na governança de uma nação.

Luiz Inácio Lula da Silva, 36º presidente do Brasil. Foto: Ricardo Stuckert (Presidencia da República)

Luiz Inácio Lula da Silva, 36º presidente do Brasil. Foto: Ricardo Stuckert (Presidencia da República)

Os hospitais do país aplicam soro no banheiro, um lugar privilegiado, pois pela falta de lugares a alternativa seria o chão. E isso acontece no Nordeste também, onde se transpõe um rio sobre um enxame de protestos ambientalistas, mas não há esparadrapo para as ataduras.

O Brasil das rendas assistencialistas, que significam criança na escola onde falta até giz ou parentes nas cadeias hiperlotadas, é muito diferente daquele país que sai para trabalhar quando a situação fica difícil, cortando o assistencialismo a quem pode exercer um posto de trabalho e dando a quem realmente precisa. Adotando medidas impopulares, porém planejadas por homens imbuídos de brio e patriotismo, como acontece na Inglaterra. Lá o primeiro-ministro vai trabalhar de metrô, aqui um governador tem a audácia de seguir de helicóptero num trajeto menor.

Para Dirceu a cadeia foi até reformada, para os outros companheiros a injeção é com agulha torta. A segurança mudou, para pior. Hoje o policial tem medo do bandido, o cidadão precisa se encolher para dar lugar à bandidagem, alguns carregam uma quantia para entregar ao marginal que os interpelar por dinheiro, já que a vida vale menos do que um celular ou tênis de marca.

Dilma Roussef, 37º presidente do Brasil. Foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República (Agência Brasil)

Dilma Roussef, 37º presidente do Brasil. Foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República (Agência Brasil)

O país vive um momento criado por uma cultura de perda de valores, onde o bom é ruim e o ruim não passa de engano. As ruas estão mostrando ao PT que os tempos estão mudando. A base aliada clama pela volta do guru. Perder as mordomias, nem pensar. É muita mamata conseguida a troco de nada. Apenas pela amizade com o rei ou a rainha. Sendo da corte já está bom.

Viver sem patriotismo, sem motivo que valha não é fácil. Mas também não deve ser difícil para muita gente. O amor pelo chão, pela Pátria deveria ser a engrenagem motriz da política, mas não é isso o que acontece no Brasil, caso contrário, não estaríamos vendo tanta corrupção por tantos anos, décadas. “Verás que um filho teu não foge à luta”, é uma frase esquecida, pois a luta com canhões já não existe por aqui. Atualmente essa parte do Hino Nacional está sendo lembrada e numa das frentes de batalha a luta é pela decência.

Dilma é a candidata com ou sem vitória na Copa. A volta de Lula só se o campo estiver totalmente semeado e os brotos mostrando vitalidade. A conquista do campeonato mundial da Fifa é uma aposta concreta que pode ajudar a tapar bocas. O guru está sondando para saber se a potência de suas emanações ainda serão capazes de elegê-lo. Para grande parte dos brasileiros, apesar da falta de líderes que realmente transmitam confiança – falta essa demonstrada nas últimas décadas – mais quatro anos de PT e seus desmandos seria um pesadelo. A volta de Lula uma tortura.

alotatuape

Autor: alotatuape

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