ACSP, CIEE e Barro Branco homenageiam 32

Quinta-feira, 10 de julho de 2014 às 16h33

Homenagem resgata os ideais do movimento constitucionalista

por José Maria dos Santos

Diário do Comércio (DC) – Um inédito e instigante capítulo acaba de ser acrescentado ao acervo de referências da Revolução Constitucionalista de 1932. O fato, que foi anunciado em linhas gerais na edição de anteontem do DC, ganhou relevo no seminário realizado na terça-feira (8) pelo Centro de Integração Empresa Escola (CIEE).

Ruy Altenfelder, um dos anfitriões do evento. - Arquivo DC

Ruy Altenfelder, um dos anfitriões do evento. – Arquivo DC

Trata-se de um diário de guerra anotado pelo soldado paulista José Amaral Palmeira num singelo caderno escolar de 80 folhas doado pela sua família, que a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) transformaram no livro 1932 – Um relato inédito. Nele, o autor descreve os dias vividos na frente de combates na região de Mogi Mirim/Itapira, a cerca de 200 quilômetros da Capital.

Porém, antes de detalhá-lo, é justo destacar as particularidades do seminário referido. O evento, dirigido por Ruy Altenfelder e Luiz Gonzaga Bertelli, respectivamente presidente do conselho de administração e presidente-executivo do CIEE, ocorre regularmente nesta época do ano e tem a finalidade de apresentar ensaios de estudiosos do assunto, alusivos àquela resistência armada democrática. O poeta Paulo Bomfim também estava presente no evento.

Coube a Rogério Amato, presidente da ACSP, apresentar e lançar o diário de Palmeira. O livro traz um posfácio do historiador Paulo de Assunção, cujos comentários sobre aqueles dias incertos do País e principalmente de São Paulo deitam luzes sobre episódios pouco conhecidos da Revolução, como é o caso do Batalhão Esportivo, no qual José Amaral Palmeira se alistou.

Fazia sentido, pois na sua condição de jornalista esportivo, cronista do extinto periódico liberal Correio de São Paulo no qual assinava suas matérias sob o pseudônimo de Joral, seu destino era combater em um grupamento formado exclusivamente por homens ligados aos esportes.

A propósito, o célebre atacante Arthur Friedenreich (1892-1969), conhecido como El Tigre devido à sua ágil técnica em campo, que brilhou nos principais clubes do Brasil e na Seleção, estava ao seu lado nas trincheiras.

Rogério Amato entrega homenagem a Luiz Gonzaga Bertelli. - Paulo Pampolin/Hype

Rogério Amato entrega homenagem a Luiz Gonzaga Bertelli. – Paulo Pampolin/Hype

Conforme lembrou Rogério Amato, a opção de Amaral deve ter sido sofrida. Ele tinha apenas 18 anos e a sua decisão extremada, no sentido de colocar a vida em jogo em favor de uma ideia, encontrou pesada resistência da família e da namorada.

Naturalmente, os temores eram naturais. De certo modo acabaram se confirmando, pois o rapaz veio a morrer um ano depois vítima de problemas renais agravados pela aspereza do front e pelos meses de prisão na Ilha Grande, no litoral fluminense, depois que a revolução foi sufocada.

A edição deste livro confirma que a história da Revolução de 1932 e a da Associação Comercial de São Paulo se misturam. Tal identificação pode ser resumida na figura de Carlos de Souza Nazareth, presidente da entidade durante aqueles meses turbulentos. Ele se pôs à frente dos empresários paulistas na mobilização pela busca da normalidade constitucional e colocou a entidade que presidia a serviço da Revolução.

A ACSP assumiu a tarefa de arrecadar recursos, mobilização de alistamento, produção de capacetes de aço para os soldados e assistência às famílias dos voluntários.

O próprio Carlos de Souza Nazareth chefiou pessoalmente o departamento de abastecimento. Evidentemente, foi um dos nomes mais visados e caçados pelo governo de Getúlio Vargas. Foi preso, levado para o Rio de Janeiro e de lá para um exílio de dois anos em Portugal.

Colar

Hoje, este passado está materializado no “Colar Carlos de Souza Nazareth”, comenda que é dedicada anualmente a uma personalidade merecedora. Neste ano, o homenageado foi Luiz Gonzaga Bertelli.

O livro de Joral será doado para bibliotecas públicas. Também pode ser obtido via e-mail para facesp@acsp.com.br A versão digital está disponível e pode ser baixada clicando aqui.

José Amaral Palmeira prenunciava ser um promissor executivo do extinto Banco Germânia, onde trabalhava. Deixou frases simples que explicam seus procedimentos. “Eu não fui herói. Fiz apenas o que estava ao alcance de minhas forças, animado pelo meu grande desejo de servir São Paulo”.

A comemoração do 9 de Julho, ontem, foi marcada por um desfile na Academia do Barro Branco, na zona norte de São Paulo.

 

9 de Julho: Desfile em homenagem aos heróis da Revolução de 1932, ontem, na Academia do Barro Branco, na zona norte da Capital. / Felipe Rau/Estadão Conteúdo

9 de Julho: Desfile em homenagem aos heróis da Revolução de 1932, ontem, na Academia do Barro Branco, na zona norte da Capital. / Felipe Rau/Estadão Conteúdo

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Autor: alotatuape

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