Amil cobra adicional de medicamentos, mas o serviço não existe em SP


Sábado, 14 de fevereiro de 2015, às 13h21 – Atualizado entre 11 e 17 de fevereiro

Gerson Soares

Mais uma do país da impunidade. Você possui um plano da Amil, com o aditivo de medicamentos,
que lhe dá descontos na compra de remédios em farmácias conveniadas?
Se a resposta for sim, abra os olhos.


São Paulo – A Amil cobra um aditivo de medicamentos, há anos, sem que haja a contrapartida que justifique a cobrança do valor, pelo menos em São Paulo, onde já houve um convênio com a Farmalife. A rede de farmácias, fez parte do grupo Amil, mas foi vendida em 2007. No Rio de Janeiro e em São Paulo, conforme informa o canal de atendimento da Amil, o suposto convênio está ligado à rede Drogasmil da Profarma, que só fornece os medicamentos com desconto em suas lojas físicas, sendo vedada a vantagem no atendimento delivery.

Farmalife: Apesar de ter atuado em São Paulo, enquanto pertenceu ao grupo Amil, atualmente a rede só funciona no Rio de Janeiro. Mesmo assim, é alvo de reclamações dos consumidores, quanto ao aditivo medicamentos.

Detalhes: Só existem pontos de vendas da Drogasmil ou Farmalife no estado do Rio de Janeiro, onde são várias as reclamações de clientes que vão até as lojas e não conseguem os medicamentos usando seu cartão da Amil. Os atendentes alegam que o sistema está fora do ar e com isso não podem conceder o desconto. Portanto, se seguisse as orientações do atendimento da Amil de São Paulo, o credenciado paulista deveria embarcar num transporte e se deslocar até a cidade maravilhosa para comprar remédios.

Desde a última terça-feira (10), estamos consultando a assessoria da Amil, para entender as disparidades na cobrança e das informações, ao menos relativas a São Paulo. No entanto, ainda não foi possível explicar ao consumidor S., o motivo de há vários anos serem enviados os boletos de cobrança aos clientes com o valor do aditivo de medicamentos, sem que o serviço ou os devidos descontos possam ser oferecidos – no plano consultado a cobrança é de 28,31 reais por mês.

Site da Drogasmil, indica que a rede só funciona no Rio de Janeiro: Mais uma informação divergente dos canais indicados pela empresa Amil de São Paulo.

“A Amil informa que o seu programa de medicamentos está sendo reavaliado devido a mudanças na rede de farmácias conveniada em algumas regiões. Informa, ainda, que iniciou contatos com os clientes desse benefício para prestar os devidos esclarecimentos. Os canais de atendimento da empresa também estão à disposição”, respondeu a assessoria da Amil às 19h da quinta-feira (12), depois de pedir dois adiamentos para fornecer as respostas.

O que pode ser deduzido é que a empresa cobra o valor e não oferece o serviço, desde que vendeu a Rede Farmalife em 2007. A transação da rede de farmácias, que chegou a funcionar em alguns shoppings de São Paulo, foi noticiada pela Folha de São Paulo em setembro daquele ano.

“A venda da rede Farmalife, por parte do grupo Amil, não ocasionou a suspensão do Programa Amil de Medicamentos. A operadora firmou contrato com os novos controladores da rede para a manutenção do programa de descontos, atendendo aos clientes que já haviam adquirido o aditivo. Nesse período, os contatos com os canais de atendimento da Amil, informando sobre dificuldade em comprar medicamento com desconto, foram pontuais”, comunicou a assessoria do grupo no final da manhã da sexta-feira (13), diante de nossa insistência, devido às informações incompletas.


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O que não ficou claro é até quando o convênio foi mantido em São Paulo. O que se sabe é que a cobraça chega até hoje, mas o serviço não existe. Em 2010, os mexicanos da Casa Saba Brasil – grupo líder em produtos farmacêuticos no seu país – venderam as marcas Farmalife e Drogasmil para a Profarma, por 87 milhões de reais, de acordo com o jornal Valor Econômico. Desde então, a atuação da rede de farmácias está restrita ao Rio de Janeiro. Portanto, ainda resta uma lacuna, entre 2007 e 2010, a ser esclarecida. De lá para cá, a não ser que se proponham a arriscar uma viagem até o Rio e aproveitar para admirar suas praias e paisagens, os paulistas pagam um adicional e não recebem nada em troca.

Ao contrário do que diz a Amil, cobrança do aditivo de medicamentos está programada no plano do consumidor até o mês de agosto. Até agora ninguém entrou em contato para lhe explicar ou devolver os valores pagos e a vencer. Veja como ficaria o valor multiplicado por apenas 1.000 associados, isso sem juros ou multas. Dados apagados para preservar a privacidade do associado. Imagem: aloimage

Fica ainda outra dúvida: quantos são os clientes pontuais que tiveram dificuldades na compra de remédios, aos quais a Amil se refere? A empresa é considerada a maior operadora do país, com mais de 3 milhões de clientes.

Conforme o site Reclame Aqui, a consumidora carioca Ana F., não obteve os descontos usando o seu cartão da Amil, em nenhuma das farmácias da rede Farmalife/Drogasmil para onde se dirigiu em 2014. Segundo ela, que enviou a reclamação ao site em março do ano passado, sempre obtinha 50% de desconto, com seu cartão Amil conveniado ao SESI, empresa onde trabalhou. A Amil respondeu que o problema seria resolvido e Ana recebeu os endereços onde poderia comprar seus medicamentos. Pelo menos dois deles em lojas de shoppings.

Detalhes: De acordo com a consumidora, que visitou os endereços fornecidos, a loja do bairro do Leblon no Rio de Janeiro estava fechada havia muito tempo. Nos demais endereços (no Barra Shopping, nos shoppings Nova América e Tijuca, Ipanema e em Niterói), o sistema também não estava funcionando. “Falei com os funcionários de todas as farmácias e todos foram unânimes em afirmar que há mais de quatro meses o sistema Amil não funciona na Rede de farmácias Drogasmil/Farmalife. Portanto, minha reclamação não foi resolvida, mais uma vez a Amil engana o consumidor/cliente final que paga suas mensalidades em dia e quer o seu direito respeitado”, indignou-se ao site.

alotatuape

Autor: alotatuape

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