Amil não responde sobre cobrança indevida


Terça-feira, 17 de fevereiro de 2015 às 16h45

Gerson Soares

Sem concluir, como pretende explicar a cobrança do adicional de medicamentos nos planos dos associados paulistas, a atendente da empresa informou na semana passada que os valores cobrados anteriormente não são devolvidos – mesmo não havendo a prestação do serviço
ou convênio com farmácias.

Em São Paulo, a história da consumidora carioca se repete, com requinte. No seu primeiro contato com a empresa na semana passada, o conveniado S., solicitou os endereços para a compra dos remédios com desconto. A primeira pergunta da atendente foi para saber se o mesmo já utilizava o serviço. Ele disse que não, pois há muito tempo havia desistido, depois de ter o cartão do convênio particular com a Amil recusado, devido a falha no sistema. O mesmo problema da consumidora do Rio de Janeiro, porém muitos anos antes.

Em 2015, o consumidor pagará em torno de 340 reais, por algo que não tem data para vigorar, conforme a própria operadora de planos de saúde Amil. Seria justo devolver-lhe o dinheiro pago nos anos anteriores e cancelar o aditivo sem burocracia, até que a empresa tome as providências necessárias para oferecer os descontos em São Paulo. Cabe ao consumidor decidir no futuro se deve ou não continuar com o adicional.

Na sequência, a atendente quis saber aonde S. residia e ao morador da zona Leste foi fornecido o endereço do Shopping Anália Franco, localizado no Tatuapé. Segundo ela, o associado deveria dirigir-se à loja 0Q07 do shopping, para a compra dos medicamentos com descontos, porém não sabia dizer o nome da farmácia conveniada. O consumidor informou que trabalha na zona Sul e ela lhe indicou também o Shopping Morumbi. Ele quis saber a farmácia para onde deveria se dirigir, mas ela disse que constava em suas informações apenas o nome dos shoppings.

Detalhes: No shopping indicado na zona Leste de São Paulo, o espaço 0Q07, atualmente está ocupado por uma loja de lingerie. As farmácias que constam no Shopping Anália Franco, são a Drogaraia, Drogasil e Drogaria São Paulo. Entramos em contato com todas elas, que afirmaram desconhecer qualquer tipo de convênio com a Amil. O mesmo ocorreu no Shopping Morumbi, onde os funcionários da Drogasil e Drogaria São Paulo, não têm conhecimento de convênio com a empresa. Seria perda de tempo se o morador se dirigisse aos locais indicados, pois não receberia nenhum desconto nas drogarias com relação ao plano de saúde da Amil.

A legislação brasileira não permite a venda de medicamentos senão em farmácias e drogarias. Portanto, não é possível haver convênio com quaisquer outros estabelecimentos no interior dos shoppings indicados pela atendente da Amil, que insistiu, apontando também o Shopping Tamboré, na zona Oeste.


Leia também:

Amil cobra adicional de medicamentos, mas o serviço não existe em SP


 

Depois do inconveniente, o conveniado paulista S., retomou seu contato com o atendimento telefônico, utilizando os canais de comunicação no site da Amil – decifrando-o e criando uma senha. Questionou sobre a cobrança indevida do aditivo de medicamentos, já que não existem farmácias em São Paulo para fornecer os descontos que justifiquem a cobrança. A atendente disse que ele poderia pedir o cancelamento e forneceu as informações para tanto, mas que os valores cobrados anteriormente do aditivo não seriam devolvidos (veja no final desta reportagem, todas as exigências do ritual de cancelamento).

“A documentação exigida para contratação e cancelamento em planos de saúde faz parte de normatização que tem como objetivo assegurar a proteção ao consumidor, a legalidade jurídica e o cumprimento da regulamentação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)”, justificou a Amil. O que também não fica claro, já que a perguntou foi quanto à cobrança do aditivo de medicamentos e não ao plano de saúde.

Ao contrário do que diz a Amil, cobrança do adicional medicamentos está programada no plano do consumidor até o mês de agosto. Até agora ninguém entrou em contato para lhe explicar ou devolver os valores pagos e a vencer. Veja como ficaria o valor multiplicado por apenas 1.000 associados, isso sem juros ou multas.

Aguardamos as respostas da Amil sobre as questões inconclusas, mas às 15h56 da última sexta-feira (13), sua assessoria informou o final do expediente, devido ao feriado de Carnaval. Após os contatos realizados com a empresa, não ficou claro o motivo da cobrança em longa data, sem a prestação do serviço, o que fere a Lei do Consumidor e o coloca em desvantagem para fazer o cancelamento da cobrança, não só pela burocracia, mas também pela falta de comunicação sobre o serviço não estar em vigor. O associado só vai descobrir quando precisar comprar um medicamento com o cartão da Amil, ao imaginar que funcionará em quaisquer farmácias.

Dispondo de fantásticas verbas jurídicas, os grandes grupos brasileiros e estrangeiros que se instalam no país, abusam do poder econômico com a certeza de que a Justiça não lhes atingirá, o que exalta a impunidade. Os consumidores são obrigados a seguir complicados procedimentos para fazer cancelamentos com empresas prestadoras de serviços, apesar de os respectivos cadastros constarem rigorosamente no banco de dados, já que as cobranças não falham.

Há pouco tempo, o Ministério Público e a Justiça retiraram esse peso das costas do consumidor, quanto às operadoras de telefonia e TVs a cabo. Esses grupos, através do péssimo atendimento das centrais (os chamados canais do cliente ou SAC) e do cansaço, conseguiam a perpetuação dos clientes e por conseguinte dos lucros.

O subterfúgio utilizado por essas empresas é notório e deixou de ser novidade. Elas mantêm centrais de atendimento que desligam o telefone se percebem uma reclamação, atendentes mau humorados criam entraves e burocracia para que os clientes desistam e continuem pagando. Caso o consumidor não percorra os árduos caminhos indicados – quando consegue completar a comunicação, muitas vezes em sites, fornecendo senhas e números de documentos pessoais –, ele pode ter seu nome enviado aos serviços de proteção ao crédito. Pensando nisso, e nas dores de cabeça, preferem continuar pagando e desistem.

Como é o caso de S., cujo plano está em 856,38 reais, onde o pequeno valor (28,31 reais) do aditivo de medicamentos, passou despercebido durante anos. Felizmente, a Justiça e o Ministério Público têm procurado o controle desse tipo de situação. A certeza de impunidade no Brasil está sofrendo abalos, quando os altos executivos de grandes empresas e políticos estão sendo levados aos cárceres e aos tribunais para que se esclareça os descalabros em que se envolvem ou dos quais participam.

“A reavaliação da manutenção do programa está sendo feita em 2015, decorrente de análise interna que demonstrou a crescente dispersão entre a localização geográfica de clientes que possuem o aditivo e das lojas da rede conveniada, comprometendo a comodidade e a acessibilidade. Os beneficiários vêm sendo contatados ativamente pela operadora, desde então”, explica a Amil. Mas não justifica as cobranças nos anos anteriores, nem a negação em devolver os valores aos consumidores paulistas. Até hoje, de acordo com o que informa o associado S., não recebeu nenhum aviso da empresa. Pelo contrário, nas faturas que vencem até o mês de agosto/2015, em todas consta a cobrança do adicional de medicamentos.

Na comunicação da empresa Amil, destaca-se – “Nossos Valores: Integridade, Compaixão, Relacionamentos, Inovação, Performance”. Assim como foi informado sobre a reavaliação dos convênios em 2015 (o que deveria ter sido feito há muito tempo) para descontos nos medicamentos, parece que os valores da Amil também precisam ser reavaliados.

Você mora em São Paulo e tem aditivo de medicamentos da Amil?

Para cancelar o aditivo de medicamentos, o cliente deve fazer o seguinte ritual (de preferência no site da empresa ou por carta) e enviar:

– Carta assinada e datada solicitando o cancelamento do aditivo de medicamentos;
– nº do cartão Amil;
– anexar cópia do RG e CPF;
– enviar dois telefones para contato;
– email para contato;
– e (pasme) o motivo do cancelamento.

alotatuape

Autor: alotatuape

Share This Post On

Enviar um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*