Análise das contas pelo TCU e Câmara coloca em xeque governo Dilma


Segunda-feira, 27 de julho de 2015, às 12h44


O segundo mandato de Dilma Roussef é um tabuleiro de xadrez político, onde as peças foram trocadas por TCU, Câmara, PF, pedidos de impeachment e processos, movendo-se em todas as direções.

Gerson Soares

Indo em linha reta, direto ao assunto: “Se a Câmara tivesse vergonha não aprovaria as contas do Governo”, disse hoje (27) José Neumâne Pinto na Rádio Jovem Pan, sobre as “pedaladas fiscais” – uma das portas pelas quais poderia entrar o impeachment. Ressentido com essa possibilidade, o governo aciona aliados e a presidente Dilma Roussef (PT), afirma que não tem culpa nenhuma, é inocente.

Contornando pelo lado do povão – aquela grande massa de brasileiros que pega trânsito, é enganada pelas empresas blindadas de telefonia, televisões a cabo, estatais, pelo próprio governo, entre tantos outros que exploram a economia e os salários de toda essa gente que no final arca com os custos da má administração pública que impera no Brasil – a verdade é que muitos se endividaram e agora com o marasmo estão entrando em agonia. A economia, que já dava sinais de queda antes das eleições de 2014, abatida por uma série de manobras políticas e econômicas – as tais “pedaladas” – desanda com a quebradeira do novo governo do PT, sob a ingerência de Lula, que se instalou para mais quatro anos. Lembre-se: conduzido ao poder pelo voto.

 

Geraldo Alckmin e Dilma Rousseff, durante inauguração de unidade produtora de etanol celulósico, em Piracicaba, na quarta-feira (22) passada. Foto: Daniel Guimarães / A2 Fotografia

Geraldo Alckmin e Dilma Rousseff, durante inauguração de unidade produtora de etanol celulósico, em Piracicaba, na quarta-feira (22) passada. Foto: Daniel Guimarães / A2 Fotografia

 

Com 68% de reprovação em sua popularidade, opositores ferrenhos como os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e a Operação Lava Jato da Polícia Federal (PF) esbarrando na cúpula do seu partido, a presidente precisa de apoio e busca até mesmo nos governadores da oposição.

O Tribunal de Contas da União pediu pressa para análise das contas, também de governos anteriores que por incrível que possa parecer ainda não foram analisadas (leia matéria: TCU pede prioridade na votação de contas de ex-presidentes da República).

Acontece que não se pode voltar no tempo, a economia segue (sic) seu curso no país e o que se vê é desanimador. Basear defesa no erro de outros presidentes, seria o mesmo afirmar que se eles erraram o atual governo poderia imitá-los, que não é verdade.

Os jornais internacionais apontam para problemas no Brasil, previstos há algum tempo, pelo modo como vinha sendo conduzido o processo econômico que preteriu o ministro da Fazenda, Guido Mantega, no novo mandato de Dilma. Seu substituto, Joaquim Levy, já atravessa sete meses de turbulências ao lado de Nelson Barbosa, do Planejamento.

Apesar dos avanços que promoveu, o governo do Partido dos Trabalhadores (PT), protagoniza situações impensadas até algum tempo atrás, como a volta da inflação e quedas bruscas nos indicadores econômicos brasileiros, desconfiança acentuada dos investidores, altas do dólar, e ainda o agravante de ter um número considerável de processos por corrupção, tráfico de influência e uma possível rejeição das contas de 2014, o que levaria a outros processos conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal e uma real possibilidade do sonhado impeachment pela oposição.

Saindo pelas páginas históricas do tabuleiro, a última vez que o TCU rejeitou contas de um presidente, foi em 1937 sobre o ano de 1936, do então ditador Getúlio Vargas. A Câmara dos Deputados, porém, aprovou as contas de Vargas contrariando a decisão do TCU – depois que um Ministro foi afastado do cargo por ele.

Sob circunstâncias nada favoráveis, o governo atravessa uma época diferente daquela e se coloca em xeque.

Presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), durante coletiva fala sobre denúncias na operação Lava Jato e declara-se opositor ao governo Dilma Roussef. Foto: Luis Macedo/ Câmara dos Deputados

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