Anomalia Climática e seus Efeitos sobre as Lavouras Paulistas

Resumo da pesquisa IEA com dados do primeiro trimestre de 2014
Edição: Alô São Paulo

Desde o final de 2013 até a primeira quinzena de fevereiro de 2014, o clima no Centro-Sul do Brasil tem se caracterizado pela escassez de precipitações, baixa umidade relativa do ar e alta incidência de luminosidade. Combinados, provocaram diversos efeitos sobre a agropecuária conduzida em território paulista.

Conforme entidades de monitoramento de dados meteorológicos, em janeiro o volume de chuvas em território paulista ficou bem abaixo dos 200 mm a 250 mm historicamente registrados. No norte do estado, por exemplo, o acumulado registrou entre 50 mm e 100 mm. No leste, sul e oeste, variou de 100 mm a 150 mm. Além disso, a temperatura média foi 3°C a 4°C mais elevada que a normalmente observada.

Foto ilustrativa: Stock

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Na lavoura de cana-de-açúcar, principal cultivo paulista, os efeitos climáticos desfavoráveis poderão afetar sua produção, pois o período de calor sem chuvas é inapropriado ao desenvolvimento da planta.

Antes da anomalia climática, previa-se que a produção de laranja em São Paulo, na temporada 2014/15, poderia crescer até 20%, por conta tanto da bienalidade quanto da florada abundante no final do ano passado. Todavia, o potencial de expansão da safra, diante da adversidade climática, poderá se reduzir para aproximadamente 15%, isto é, queda de 5% sobre a expansão inicialmente prevista.

A produção paulista de milho em 2014 foi estimada em 3,2 milhões de toneladas, enquanto para a soja, a perspectiva era de crescimento da produção, alcançando 2,13 milhões de toneladas. Para ambas as culturas, os efeitos da ausência de chuvas regulares concorrem para criar expectativa de redução nas respectivas produções.

Nas lavouras de amendoim, a seca pode comprometer a formação das vagens, o desenvolvimento dos grãos e a ocorrência de fissuras na casca que favorecem a contaminação do grão por fungos causadores da aflatoxina. Nessas condições, fica evidenciada a possibilidade de redução da produtividade e do comprometimento da qualidade do grão, resultando na retração da oferta e queda dos preços devido à baixa qualidade. Porém, esses efeitos e resultados podem ser minimizados se a planta voltar a ter oferta de água, uma vez que o amendoim é capaz de retomar seu ciclo de desenvolvimento.

Leia sobre a Anomalia Climática e o Café

Na principal região produtora de mandioca industrial, Médio Vale do Paranapanema, a estiagem que se prolonga por mais de dois meses dificultou seu arranquio, exigindo maior dependência de máquinas nessa operação. Porém, praticamente não há mais mandioca da safra velha em campo. Quanto à mandioca nova (com até um ano de plantio), deverá ser arrancada a partir de março, quando começa a melhorar seu rendimento industrial (aumento da concentração de amido). De acordo com informações de negociantes da raiz na região, as culturas estabelecidas nos meses finais de 2013 encontram-se visualmente com bom aspecto. Contudo, como o processo de tuberização (armazenamento de fécula nas raízes) ocorre a partir dos 2 a 3 meses após o plantio, essa estiagem no início do ciclo de desenvolvimento da cultura poderá afetar em algum nível a produtividade esperada.

As hortaliças são grupos de culturas agrícolas que mais precisam de irrigação. No entorno da capital (200 km) está a maior parte da produção de folhosas e legumes. Nas regiões das encostas das serras do Mar e da Mantiqueira já está previsto o racionamento de água nas cidades. Os municípios do Alto Tietê e aqueles da Serra do Paranapiacaba (Ibiúna, Piedade até Capão Bonito), em razão do racionamento implantado, já não possuem água suficiente para irrigação.

Devido aos altos preços praticados para o tomate de mesa ao início de 2013, houve forte aumento da área cultivada. Todavia, com o excessivo calor a maturação dos frutos foi acelerada, havendo perdas no campo e preços baixíssimos, devido à perda de qualidade. Entre fevereiro e março se realiza a semeadura do tomate para indústria. Portanto, esse cultivo não foi ainda afetado pela estiagem.

Do mesmo modo, a semeadura da batata colhida na seca iniciou-se em janeiro e deverá se encerrar em fevereiro. Com a estiagem, esse calendário deverá ser atrasado. Finalmente, a cebola, cujos bulbinhos e semeadura direta começariam em fevereiro, tende a ser adiados até que o clima retorne a sua normalidade.

Alguns produtores de leite já apontam problemas em sua produção, pois grande parte dos pastos está seca. Os meses do verão constituem o período do ano em que a pecuária leiteira deveria ter à disposição pastagens de boa qualidade, graças ao volume de precipitações, característico da época. Esta condição garantiria a produção de volumosos necessários para resultar em maior produção de leite. Todavia, sob efeito da estiagem, os pastos encontram-se muito fibrosos, tendo seu valor nutricional comprometido e insuficiente para a alimentação do animal. Isso afeta a produtividade do leite principalmente se a alimentação não for suplementada com silagem.

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Autor: alotatuape

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