As mulheres são mais fortes, diz carrasco


Domingo, 6 de março de 2015, às 13h32

Por Neide Lopes Ciarlariello*
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Essa é a opinião de Ahmad Rezkallah, carrasco por opção desde os 20 anos, tendo decapitado mais de 300 condenados ao longo de sua “carreira”, Rezkallah afirma que “as pessoas têm a impressão de que as mulheres são mais moles e mais fracas. Mas, no momento da execução, a maioria dos homens desmaia.” Afirma também que quando eles são poupados por indulto, ou perdão de último minuto, “ alguns ficam paralisados, outros ficam loucos. Mas as mulheres de um modo geral têm nervos de aço”. 

Essas declarações foram feitas numa publicação saudita, chamada Al-Majalla, reproduzidas no jornal-irmão em inglês, Arab News e no O Estado de São Paulo de 24.02.2003 p.p., e não me causaram nenhuma estranheza. Realmente temos a capacidade de suportar heroicamente as dores, as desgraças, as agressões, as fatalidades e as discriminações, vejam que na China, talvez no século X se considerava erótica a visão de uma mulher andar cambaleando sobre pés minúsculos. E os homens se excitavam com isso. 

Na prática, quando as meninas chinesas tinham dois ou três anos de idade seus pés eram enrolados com pedaços de panos com extrema firmeza, dobrando todos os dedos para baixo, sob as solas, com exceção do dedão; depois era colocada uma grande pedra em cima para quebrar os ossos. Esse processo durava anos. Mesmo depois de quebrados todos os ossos, os pés tinham que continuar enfaixados dia e noite com pano grosso, porque assim que eram soltos, a tendência era de recuperar-se e isso não podia acontecer. Os pés não podiam crescer mais de doze centímetros e as mulheres suportavam essa atrocidade em prol do erotismo masculino. Tal prática terminou no começo do século XX, Graças à Deus. As chinesas também agradecem. 

Por causa da discriminação, temos que algumas mulheres tentam se igualar aos homens e Will Durant já afirmou: “Se a mulher adotar integralmente a vida do homem, integralmente se igualará a eles nos traços mentais e morais. Mas o provável é que a mulher não revele tão maus gostos. O atual período de imitação masculina passará e a mulher convencer-se-á de que o homem não merece ser imitado.” 

Estas curiosidades com a proximidade do Dia Internacional da Mulher servem para reflexão, tanto do homem como da mulher, porque ainda há muito dessa cultura secular em nossos dias. Segundo a ONU, as mulheres representam aproximadamente 52% da população mundial e que dos 1,3 bilhões de pobres no planeta 70% são mulheres. Representamos também 2/3 do contingente de 885 milhões de analfabetos existentes no mundo. Sabemos também que em nenhum país do mundo as mulheres são tratadas da mesma maneira que os homens, tudo isso foi constatado em Pequim na 4ª Conferência Mundial sobre a Mulher. 

Essa desigualdade de tratamento nos obriga a sermos mais fortes como disse o carrasco Rezkallah. E não podemos esquecer que fomos nós, as mulheres, que ficamos junto com Jesus no momento em que os homens fugiram e negaram sua fé, que ficamos aos seus pés na hora da morte e que fomos nós que visitamos o sepulcro vazio. Obrigado Senhor, por ter-nos feito fortes.

Advogada Neide Lopes Ciarlariello

Advogada Neide Lopes Ciarlariello

O texto acima, escrito pela advogada Neide Lopes Ciarlariello, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher em Março de 2003, para a revista Alô Tatuapé, que criou a arte para ilustrá-lo.

À época, a Dra. Neide ocupava o cargo de vice-presidente da OAB-Tatuapé. Após 12 anos, seu artigo ainda está para os dias de hoje como um exemplo; de lá para cá, pouco mudou, mundialmente.

No Brasil, a mulher vem conquistando cada vez mais espaço nas mais diversas áreas, onde somente os homens atuavam. Passou a ser respeitada, por sua competência e capacidade, um reconhecimento de igualdade.

O planeta Terra é habitado por mais de 7.478 bilhões de pessoas, sendo que a população feminina aproximada é de 49,6%. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), 70% das pessoas em situação de pobreza desse universo são mulheres.

De acordo com o relatório, esse fato ainda se deve à discriminação. Apesar de o analfabetismo ter caído (885 contra 774 milhões), dados da Unesco advertem que dos analfabetos existentes na população mundial, dois terços são mulheres.

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Autor: alotatuape

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