Copa 2014 / World Cup – Atrasos e a anunciada desorganização afastam aliados da Copa

10h50, atualizado 11h54
Gerson Soares

O governo brasileiro assumiu um compromisso há sete anos perante a comunidade internacional, das américas, da europa, ásia e oceania. Esse compromisso, o de realizar a Copa Mundial de Futebol, foi criticado desde o início, devido o país não ter estrutura nem para se sustentar, sob os mais diversos aspectos sociais e políticos.

Brasília - Presidente Dilma Rousseff cumprimenta Pelé durante audiência no Palácio do Planato. Foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência da Republica - 07/11

Brasília – Presidente Dilma Rousseff cumprimenta Pelé durante audiência no Palácio do Planato. Foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência da Republica – 07/11

A candidatura a país sede da Copa 2014 envolveria diversos setores há muito deteriorados ou inexistentes, um deles envolve a mobilidade, palavra bastante conhecida nos últimos tempos. A segurança é outro aspecto que parece ter sido esquecido pelo governo. Agora, leis e decretos de última hora e a famosa truculência latino-americana estão em pleno andamento, para coibir as prometidas manifestações, que já começaram e assustam esse governo e o mundo com o qual ele se comprometeu em nosso dos brasileiros.

O futebol envolve certas paixões, como as de uma criança e jovens que buscam espelhar-se nos ídolos, mas longe da inocência existe um mercado que movimentos somas inimagináveis de dinheiro. Os craques, brasileiros estão entre os que recebem salários fantásticos para jogar bola e fazerem aquilo que se imagina gostem.

De olho nesse aspecto, a organização da Copa 2014, rapidamente procurou envolver a lenda nacional Pelé e Ronaldo que se tornaram figuras indispensáveis na promoção do torneio da Fifa no Brasil. Ainda, o capitão Cafú e Bebeto. No comando das ações, foi nomeado pela presidente Dilma Roussef, Aldo Rebelo, o ministro do Esporte, que compara os atrasos na preparação para Copa do Mundo com a noiva que se atrasa propositalmente para o casamento.

“É inaceitável que alguns estádios não estão terminados. Não é possível que em seis anos não desse tempo. É uma vergonha.”, tem dito o rei. Os comentários de Pelé, também foram publicados no The New York Times, pela Associate Press na última quarta-feira (21). O diário americano comenta que a lenda brasileira Pelé criticou a organização da Copa do Mundo de seu país, dizendo que bilhões de dólares foram gastos imprudentemente. “Falando na Cidade do México, Pelé disse que entende os protestos da população contra os gastos, mas ele também lamentou a violência. O Brasil está gastando US $ 11 bilhões ao longo de toda a Copa do Mundo, e US $ 4 bilhões, em 12 estádios novos e renovados”. Pelé disse: “Parte desse dinheiro poderia ter sido investido nas escolas, nos hospitais. O Brasil precisa disso”, publicou o jornal no seu site.

Brasília - O ex-jogador Ronaldo Nazario, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, durante encontro para tratar assuntos relativos à Copa do Mundo de 2014. Foto: Valter Campanato/ABr - 01/12

Brasília – O ex-jogador Ronaldo Nazario, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, durante encontro para tratar assuntos relativos à Copa do Mundo de 2014. Foto: Valter Campanato/ABr – 01/12

Ronaldo, outro ídolo do futebol brasileiro, diz: “A Copa do Mundo é uma ferramenta que trouxe uma série de investimentos para o nosso país. Poderia ter sido perfeito, se fizessem tudo o que prometeram, mas isso não tem a ver com Copa do Mundo, tem a ver com os governos que prometeram e não cumpriram – analisou – perdemos muito tempo. Os governos deveriam ter feito as coisas muito antes”, disse em evento no Rio de Janeiro, comentários que repercutiram nos sites da Veja e Extra (Globo), assim como em toda mídia.

A Jovem Pan divulgou nesta semana, a fala de Pelé, onde ele diz que “a Seleção Brasileira não tem nada com isso”. Ronaldo, fenômeno, afirmou durante evento no Rio de Janeiro: “Eu me sinto envergonhado”. Quando tudo começou, em 2007, ambos ficaram felizes em fazer propaganda e defender as ideias do governo e foram nomeados membros do Comitê Organizador da Copa.

Reuniões fabulosas, coquetéis, o glamour e a visão que um evento como esse proporciona, pode ser visto durante esse período até agora, quando as previsões mais otimistas não se concretizam, há menos de três semanas para o início dos jogos nas cidades sedes.

O governo está perdendo seus aliados que abandonam o navio e criticam a inércia governamental que também não quiseram ver antes, apesar de estarem diante dos seus olhos e das incontáveis advertências. As manifestações contra o evento se avolumam, como a organizada pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto) em São Paulo que reuniu 15 mil pessoas, apenas uma das muitas que puderam ser vistas durante a semana, como a greve dos rodoviários, dos metroviários que ameaçam, desses e daqueles.

Até a manhã de hoje, Pelé, nomeado Embaixador da Copa, não confirma sua presença na abertura, da Copa, atribuindo o motivo à agenda. O mundial da Fifa no Brasil poderá trazer benefícios é a muleta que todos querem pegar agora. Espera-se que sim, depois de tanto dinheiro gasto. Mas o maior legado do torneio será a verdade sobre o país e uma ótima oportunidade para que os próximos governantes assumam uma posição mais patriótica e façam o que deve ser realmente feito, não uma Copa do Mundo.
É tarde demais para prever todas as consequências de sediar o evento. Agora, pelo bem ou mal, como diria Zagalo, outro ídolo do futebol brasileiro: “Vocês vão ter de me aguentar”.

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Autor: alotatuape

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