Banco Mundial: recessão no Brasil provoca estagnação da economia na AL


Terça-feira, 13 de outubro de 2015, às 06h30


Brasil foi classificado no grupo de ‘baixo crescimento’ da América do Sul. Em 2015, o Banco Mundial prevê uma queda de 2,6% no PIB real do país. Retração começa a afetar mercado de trabalho e renda.

ONU Brasil

Em relatório semestral publicado no último dia 5, o Banco Mundial chamou atenção para a desaceleração econômica na América Latina (AL) e no Caribe. Segundo o documento, o Brasil será um dos principais responsáveis pela estagnação do PIB da região prevista para 2015. A situação é mais grave na América do Sul, onde desde 2011 os índices de desenvolvimento econômico têm apresentado quedas significativas.

 

A construção civil é um dos setores mais afetados pela desaceleração no Brasil. Foto: EBC

A construção civil é um dos setores mais afetados pela desaceleração no Brasil. Foto: EBC

 

Após uma década de intenso crescimento (de 2002 a 2011), impulsionada pela elevação dos preços das commodities, as economias dos países sul-americanos começaram a sofrer os efeitos da desvalorização das matérias-primas no mercado internacional e da desaceleração econômica da China. A retração econômica, no entanto, afeta as nações da região de forma distinta.

Colômbia, Peru e Uruguai terão uma taxa de crescimento médio de 3% em 2015. O Brasil e o Equador apresentarão índices negativos, de acordo com o relatório. O PIB real brasileiro, por exemplo, terá uma queda estimada em 2,6% nesse ano. A recessão deve continuar em 2016, mas em proporções menores. Junto com a Argentina, as duas nações foram classificadas no grupo de Baixo Crescimento da América do Sul.

No Caribe e na América Central, as projeções são positivas. O Banco Mundial destaca que essa região cresceu menos durante o aumento dos preços das commodities. Por sua maior proximidade econômica com os Estados Unidos, os países também teriam passado por retrações mais duras após a crise global de 2008 e 2009. Agora, suas economias estão sendo impulsionadas pela recuperação norte-americana, enquanto as nações sul-americanas continuam mais suscetíveis às oscilações do mercado chinês.

Mesmo com perspectivas de crescimento para alguns países, o desempenho negativo do Brasil, que é a maior economia da América Latina, está provocando a estagnação econômica da região, de acordo com o relatório.

Mercado de trabalho e renda familiar na América do Sul

Segundo o economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Augusto de la Torre, a desaceleração que se anunciava desde 2011 começa a ter consequências concretas para o mercado de trabalho e para a renda familiar nos países da América do Sul. “Mais recentemente, estamos observando uma deterioração na qualidade do emprego, na medida em que os trabalhadores assalariados se tornam autônomos e a mão de obra se transfere das grandes empresas para outras menores”, afirmou.

O relatório aponta que, no grupo de Baixo Crescimento, a capacidade de criar um número de vagas maior que o crescimento do contingente de trabalhadores chegou a zero. Nesses países, com a exceção do Equador, verificou-se um aumento expressivo de postos em grandes corporações e uma queda na quantidade de trabalhadores autônomos e/ou de pequenas empresas, entre 2002 e 2011.

Ao mesmo tempo, houve uma redução da desigualdade salarial entre trabalhadores qualificados e não qualificados durante o período de boom econômico. No Brasil, além da formação profissional, o relatório aponta que outros fatores que condicionavam o valor dos pagamentos, como diferenças de gênero e raça, teriam avançado.

Agora, o fenômeno inverso tem provocado a precarização do trabalho. As políticas de valorização do salário, que contribuíram anteriormente para reduzir a disparidade de renda entre segmentos sociais, podem acabar produzindo o efeito contrário, acelerando demissões.

O Brasil e a Argentina apresentam um quadro atípico entre seus parceiros regionais, pois, nos dois países, as taxas de desemprego entre profissionais qualificados e não qualificados mantiveram-se similares no período de 2011 a 2014. O relatório sugere a hipótese de que a situação incomum pode ser decorrente de benefícios oferecidos aos desempregados nessas nações.

Brasília - Sessão do TCU analisa contas do governo de 2014. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Brasília - Sessão do TCU analisa contas do governo de 2014, desaprovando-as. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Leia mais sobre
ECONOMIA

 

Leia as últimas publicações

Recent Videos

Programa PIPE para inovação em São Paulo, vídeo
Deputados querem votar mudanças no sistema eleitoral e fundo público de campanhas, vídeo
Continue acompanhando do espaço os movimentos do furacão Irma, vídeo
Liderada pelo deputado André Fufuca, Câmara vota pautas importantes
Sessão conjunta do Congresso Nacional, ao vivo
Plenário da Câmara dos Deputados, ao vivo
Acompanhe a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer, ao vivo
Telescópio Gigante Magalhães, vídeo
  • Programa PIPE para inovação em São Paulo, vídeo

  • Deputados querem votar mudanças no sistema eleitoral e fundo público de campanhas, vídeo

  • Continue acompanhando do espaço os movimentos do furacão Irma, vídeo

  • Liderada pelo deputado André Fufuca, Câmara vota pautas importantes

  • Sessão conjunta do Congresso Nacional, ao vivo

  • Plenário da Câmara dos Deputados, ao vivo

  • Acompanhe a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer, ao vivo

  • Telescópio Gigante Magalhães, vídeo

Categorias

alotatuape

Autor: alotatuape

Share This Post On

Enviar um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*