Brasil país carente, de líderes políticos


Sexta-feira, 11 de setembro de 2015, às 17h55


Quem passou pela inflação de três dígitos, desemprego em massa e viu engenheiros trabalhando como garis para sustentar a família não engole a fala do ministro.

Gerson Soares

Principalmente vinda de Joaquim Levy que amarga sua própria crise de credibilidade. Por enquanto, o que se vê é um horizonte de interrogações com perguntas como esta: Como foi possível a um partido que tanto almejou o poder, promoveu alguns benefícios populares durante 13 anos, a partir de 2003, e agora conduz ao abismo uma nação, deixando para traz todas as conquistas? Triste sina a de um país onde não há patriotismo, onde as risadas dos que podem sorrir substituem o choro de quem não vê perspectivas reais, só conjecturas, incertezas, companhias se encolhendo e as demissões.

 

Senadores viajam para a china ao custo que pode ultrapassar 1 milhão de reais. Ilustração: aloart / Sobrefotos: Stock Photo

Senadores viajam para a china ao custo que pode ultrapassar 1 milhão de reais. Ilustração: aloart / Sobrefotos: Stock Photo

 

Publicamos um editorial em 1997, redigido pelo consultor de empresas, Wilson Focássio: “Desemprego – como os empresários podem ajudar o Brasil”, de tão atual chega a surpreender. Os fantasmas dos cancelamentos de pedidos e retrações comerciais voltam a assolar os empresários, que prometem cortes e pressionam os empregados por mais trabalho, redução de custos, mais dedicação, para que consigam afastar dos mais empenhados as cartas de demissões. Este é o dia a dia de muitos brasileiros, hoje.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, vem a público descaradamente, como se tivesse desembarcado de uma nave intergaláctica, dizer o seguinte: “Pagar um pouquinho mais de imposto é um investimento que vale a pena. A gente não deve ser vítima de uma miopia na questão dos impostos. Se a gente tiver que pagar um pouquinho mais de imposto para o país ser reconhecido como país forte, tenho certeza de que todo mundo vai querer fazer isso”. Fica fácil dizer isto, sem usar um mínimo de criatividade para rearranjar as finanças desse governo que acena com o “Minha Casa Minha Vida” para um lado e de outro quer assolar ainda mais a maioria da população que paga impostos e as contas.

Que tal se a conta fosse para aqueles que já ganharam muito e acumulam fortunas pagando pouco e driblando o leão, as grandes empresas – como as que estão sob os olhares do mundo na Lava Jato, emaranhadas há décadas nas teias da corrupção pública –, os beneficiários dos lisonjeiros favorecimentos governamentais, os apaniguados e o próprio governo – cortando seus gastos. Talvez, fossem essas palavras que trariam mais confiança interna, aos trabalhadores, estudantes, às donas de casa. Um tipo de atitude que se espera de um governo comprometido com justiça, verdade, com o próprio povo também atrairia os investidores externos, que pressentiriam seriedade.

Veja se estas despesas cabem no seu bolso

Em meio às notícias de aumento de impostos para a classe trabalhadora e produtiva, o Senado acaba de renovar a sua frota de veículos, segundo o jornal Folha de São Paulo; 81 senadores devem receber hoje (11) os novos modelos da Nissan em substituição aos Renault que estavam com dois anos de uso. Segundo divulgou a Folha, a troca estava prevista em contrato com a empresa LM Transporte que vai receber um reajuste de 6,5%.

Renan Calheiros e um grupo de senadores viajam para a China na semana que vem, informou o colunista Lauro Jardim do Veja.com. Os parlamentares devem gastar entre 223.885 a 801.681 mil reais (dólar a R$ 3,78). “Esperando que as passagens aéreas das excelências não sejam de primeira classe, e sim de classe executiva”, escreveu Jardim. A comitiva será composta de nove senadores que só devem retornar no dia 30 de setembro. De acordo com os cálculos do colunista do Radar on-line da Veja (também com Thiago Prado e Guilherme Amado) o compromisso parlamentar deve consumir 135 diárias em hotéis – padrão parlamentar brasileiro em viagem, onde não constam poucas estrelas.

Quem vai pagar essas contas? Você, que não recebe nem um serviço público digno, muito menos compatível com a vida boa que os brasileiros custeiam aos políticos que bem ou mau elegem. Afinal, na hora da eleição fica sempre a pergunta: votar em quem? Então vota-se naquele que aparecer mais, nos partidos que tiverem maior tempo no horário político disputado a ferro e fogo. Aqueles que recebem mais dinheiro das empresas para suas campanhas também se destacam.

Note bem o que apontam as pesquisas

– Os brasileiros acham que pagam muitos impostos e recebem pouco em troca, mesmo assim o governo acena com aumento na carga tributária para tapar os buracos que gerou;
– As prisões brasileiras estão lotadas de pobres;
– Em São Paulo, leva-se um ano para realizar um exame no Incor (Instituto do Coração), logo o paciente pode morrer antes de realizá-lo;
– Doações de empresas para campanhas políticas liberadas até 20 milhões, decidiu a Câmara dos Deputados, contrariando as emendas do Senado, mesmo com os escândalos investigados pela Lava Jato;
– Brasil rebaixado com perda de grau de investimento;
– Empresas brasileiras rebaixadas devido a esse mesmo motivo, inclusive a Petrobras;
– Inflação e dólar subindo, como não se via há mais de uma década;
– Pedaladas fiscais do governo;
– Gastos públicos, como vimos acima, a máquina governamental não diminui suas despesas;
– 39 ministérios, um verdadeiro exército, levando o país onde estamos.

Estes são alguns exemplos da sétima economia do planeta, como querem alguns ignorando aspectos preponderantes para tamanha atribuição.

Carente de líderes, o Brasil está num mar de CPIs que investigam a corrupção em todos os níveis de governo, principalmente o Federal. Se isso não bastasse, existe a possibilidade de a presidente eleita a menos de um ano não chegar ao fim do seu mandato, quer pela renúncia ou impeachment.

Como disse nesta quinta-feira (10) em Buenos Aires, o ex-presidente Lula – que pretende se candidatar à presidência em 2018, “caso seja necessário” – o rebaixamento do grau de investimento do Brasil “não significa nada”. Nisso ele tem razão, há muito mais, principalmente quando o líder que se julga ser é tão contraditório. Em 2008, durante seu mandato como presidente da República, o petista comemorou com seus seguidores a conquista desse mesmo grau de investimento que hoje desdenha.

O problema é que o Brasil carece de líderes políticos à sua altura, ao mesmo tempo que transborda em politicagens.

Presidente Dilma participa do encerramento da 5ª Marcha das Margaridas, no estádio Mané Garrincha. Evento inflado com patrocínio de dinheiro público em prol do governo. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Presidente Dilma participa do encerramento da 5ª Marcha das Margaridas, no estádio Mané Garrincha. Evento inflado com patrocínio de dinheiro público em prol do governo. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

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Ilustração: Bicicletas também matam. Sobrefoto:  aloart

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