Cada metade tem o que merece


Terça-feira, 28 de outubro de 2014, às 07h59 – atualizado às 13h05

Com o país literalmente dividido, Dilma Roussef do Partido dos Trabalhadores recebe da metade da população mais quatro anos para governar o país, uma decisão que fez beirar o desejo de separatismo.

A presidente eleita Dilma Roussef (PT) e o ex-presidente e padrinho político Luiz Inácio Lula da Silva, durante o primeiro discurso, após a divulgação do resultado das eleições. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A presidente eleita Dilma Roussef (PT) e o ex-presidente e padrinho político Luiz Inácio Lula da Silva, durante o primeiro discurso, após a divulgação do resultado das eleições. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Gerson Soares

O Brasil já demonstrou isso antes, uma vez por São Paulo e outra pelo Rio Grande do Sul, dois Estados brasileiros que votaram contra Dilma. Separar a nação, que se dividiu entre a parte mais desenvolvida e a mais dependente, é o pensamento que vem a mente da metade que pede mudanças já.

A eleição disputadíssima mostrou claramente ao mundo que uma parte do país avança e outra ainda não consegue alcançar independência do governo. Generalizando, a metade que elegeu Dilma Roussef para um segundo mandato, é aquela onde tudo ou quase tudo está atrelado aos favores da máquina governamental, que soube controlar bem os seus investimentos cobrando o retorno dos benefícios doados a essas populações através do bolsa família, auxílio isso e aquilo.

Enquanto essa situação for mantida, todo o país pagará caro. Por um lado, aqueles que recebem os benefícios ficam acomodados à situação precária em que vivem e talvez, não enxerguem que com a melhoria do aparelhamento básico que deve obrigatoriamente ser providenciado pelo governo, sua situação já deveria ter melhorado, com melhor educação, desenvolvimento e principalmente justiça.

Por outro lado vem o pensamento de quem trabalha para conseguir e almejar uma vida melhor. O Sul e o Sudeste, além do Centro-Oeste que votaram contra Dilma, possuem as áreas mais desenvolvidas do país nos mais diversos setores da economia. Essa infraestrutura foi construída através da industrialização e do comércio, enquanto o Norte e o Nordeste, inclusive Minas Gerais, tiveram experiências mais restritas aos coronéis – grandes proprietários de terras, espécies de senhores feudais modernos que detêm o poder econômico e o povo sob seu jugo.

A parte do país que votou a favor de Aécio quer ver a água chegar ao Nordeste, mas esse fenômeno natural, o da seca e desertificação de algumas áreas, foi agravado e explorado ao longo das décadas através da fome e da pobreza. O Brasil remete dinheiro e poder ao Norte e ao Nordeste há tanto tempo que já se perde a conta.

A região precisa se desenvolver e quem deve promover isso é o governo que detém as ferramentas para tanto. Os auxílios ajudam, mas parece que a ideia é torná-los perpétuos; ao invés de resolver os problemas, tapa-se o sol com a peneira. E é para isso que chamamos a atenção. Uma visão mais ampla nos leva a esta conclusão. Logicamente que se tomarmos cada família, cada problema existente nos rincões das regiões onde o PT venceu, estes escritos a respeito das doações em dinheiro governamentais se degradam como nuvens, mas se este realmente quiser resolver o problema tomará soluções definitivas e não paliativas, como os bolsas e auxílios, que devem existir sem dúvida para aliviar e incentivar o ser humano em dificuldade, não para serem vitalícios e lhes prover apenas a ilusão de que suas vidas estão melhores, quando na verdade se tornaram dependentes.

Quando vemos os atrasos na transposição do Rio São Francisco fica fácil entender tudo isto; quando o Ministério Público Federal se empenha para investigar as escolas, principalmente nas regiões onde Dilma venceu; quando nas maiores cidades nordestinas ainda existem pessoas sendo atendidas no chão dos hospitais; é possível concluir que aqueles que votaram a favor do governo concordam com sua situação e o estado em que se encontra o país, que avança nos setores privados e decai nos públicos.

Diante dos fatos, também é possível concluir que o Brasil terá o que merece nos próximos quatro anos, conforme a vontade de metade da população mais 1,6%.

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Autor: alotatuape

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