Caem contratações do sucroalcooleiro

Segunda-feira, 11 de agosto de 2014 às 18h42

 

Setor sucroalcooleiro diminui as contratações formais.

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Diferença de contratações em abril de 2013 e 2014 é de 9.500 mil, para menos. Foto: Stock Pohoto

O setor sucroalcooleiro paulista registrou, no primeiro semestre de 2014, queda no número de admissões de trabalhadores formais quando comparado ao mesmo período do ano anterior, informa o Instituto de Economia Agrícola (IEA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Segundo informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), no primeiro semestre de 2013 foram contabilizadas 111.141 admissões formais, número superior quando comparado ao mesmo período em 2014, que foi de 83.833, variação negativa de 32,6% no total de admissões formais.

Tradicionalmente, o mês de abril apresenta pico de contratações para a safra da cana de açúcar. “Em abril de 2013, atingiu-se a marca de 34.196 contratações, enquanto no mesmo período de 2014, o número registrado foi de 24.703. Note-se também que, em quaisquer meses do período em 2014, o número de contratações ficou abaixo do ano anterior, esclarece o pesquisador Carlos Eduardo Fredo, especialista no tema.

O setor sucroalcooleiro tem como característica a contratação de elevado número de trabalhadores no período da colheita, promovendo a dispensa ao término da mesma. Por essas informações, infere-se que até o término deste ano o saldo de empregos seja baixo, inclusive com perda de vagas de emprego, alerta Fredo.

Informações do Instituto de Economia Agrícola e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral avaliaram que 81,3% da área de cana de açúcar destinada ao corte na safra 2012/13 foi colhida de forma mecanizada.

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Intensificação da colheita mecanizada afeta contratações do setor. Foto: Stock Photo

A distribuição do total de admissões em 2014 entre as regiões administrativas do Estado de São Paulo também ficou abaixo do registrado no ano anterior. Apesar da intensificação da mecanização da colheita, muitas regiões ainda demandam um grande número de trabalhadores, como é o caso de Ribeirão Preto, uma das principais regiões produtoras do estado, ou Araçatuba e São José do Rio Preto, regiões de expansão da cana de açúcar, e Campinas, que apresenta problemas de declividade; assim o processo de mecanização é menos avançado do que em outras regiões e por isso a colheita manual ainda se faz presente.

“Conclui-se que o mercado de trabalho no setor sucroalcooleiro foi afetado nos últimos anos por dois problemas, um de caráter conjuntural, que é a crise econômica do setor, e outro estrutural, referente às mudanças na etapa da colheita, substituindo o emprego manual dos cortadores de cana-de-açúcar pela mecanizada, o que afetou o número de contratações. Estudos mais aprofundados são necessários para entender como foi o processo de requalificação e realocação desses trabalhadores dentro ou fora do setor sucroalcooleiro, bem como o número de trabalhadores que não foram reabsorvidos no mercado de trabalho”, afirma Fredo.

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Autor: alotatuape

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