Casa de Cultura Mario Quintana e o Hotel Majestic


Quarta-feira, 15 de outubro de 2014 às 05h45 – Atualizado às 07h29 e às 10h49


O genial Mario Quintana, viveu no Hotel Majestic entre 1968 e 1980, ocupando o apartamento nº 217.

Gerson Soares

A história da Casa de Cultura Mario Quintana tem início em julho de 1980, mas na verdade começou muito antes. O projeto do prédio, datado do início do século passado, seria marcado pela ousadia, que também norteia as artes, pelas quais prolonga sua fama até hoje.

Foto: Andressa Moreira/ Especial Palácio Piratini

Apoio da obra de restauro do prédio. Foto: CCMQ / Divulgação

O edifício, cuja arquitetura tem a assinatura de Theodor Wiederspahn (alemão que migrou para o Brasil em 1908), foi o primeiro dentre os grandes de Porto Alegre a utilizar concreto armado. Seu projeto, concebido para ocupar – com passarelas, terraços e sacadas – os dois lados da Travessa Araújo Ribeiro, era ousado demais para a época, mas mesmo assim foi mandado construir o famoso Hotel Majestic, do empresário Horácio de Carvalho, que percebia o potencial do setor hoteleiro. A ideia das passarelas sobre a via pública era inédita.

Parte da fachada da obra de restauro da instituição já está pronta. Foto: CCMQ / Divulgação

As obras foram iniciadas em 1916 e concluídas somente 17 anos depois, com detalhes magistrais de estilos, com sete pavimentos na ala Leste e cinco na Oeste. O Hotel Majestic teve seu auge e glamour até o início dos anos 50, hospedando personalidades como Vicente Celestino, Virginia Lane, Francisco Alves e os presidentes Getúlio Vargas e João Goulart.

Dentre todas as celebridades, o Majestic resolveu homenagear um poeta. Mario Quintana, gaúcho de Alegrete, adotou Porto Alegre e o hotel como sua casa, e viveu ali durante 12 anos, como hóspede do apartamento 217, até o início dos processos de compra e tombamento do prédio pelo Banrisul e governo do Estado do Rio Grande do Sul, em 1980 e 82, respectivamente.

O nome Travessa dos Cataventos, substituiu o antigo e uma nova história começou a ser contada através da arte, do cinema, da músicas, da dança, teatro, literatura e da cultura. O Hotel Majestic, localizado no hoje centro histórico de Porto Alegre, que perdeu seu glamou para o desenvolvimentismo – assim como ocorreu em outros capitais como São Paulo – foi salvo pela ousadia de transformá-lo em um centro cultural, considerado um dos mais bem aparelhados do Brasil.

A Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), assim nomeada em homenagem ao poeta em 1983, está passando por uma restauração desde julho do ano passado. A previsão do término das obras depende de diversos fatores, mas deve se estender até o final deste ano ou início de 2015. Mesmo assim, o espaço cultural continua funcionando, através dos artistas e do público que prestigiam a cultura. A primeira fase da restauração, que inclui a reforma das fachadas e do telhado, foi orçada em R$ 4,27 milhões, num total de R$ 8 milhões, bancados pelo Banrisul. O projeto é do governo do Estado e da Associação de Amigos da CCMQ aprovado pela Lei Rouanet.

Dentre os espaços tradicionais que também homenageiam famosos estão: a Galeria Augusto Meyer, Complexo Bruno Kiefer, Teatro Bruno Kiefer, Sala Eduardo Hirtz, Biblioteca Érico Verissimo, Espaço João Fahrion, Auditório Luís Cosme, Discoteca Nato Henn, Sala Paulo Amorin, Espaço Romeu Grimaldi, Espaço Vasco Prado, Biblioteca Armando Albuquerque, Teatro Carlos Carvalho, Espaço Elis Regina, Espaço Fernando Corona, Biblioteca Lucília Minssen, Espaço Maurício Rosemblatt, Sala Norberto Lubisco, Sala Radamés Gnattali, Galeria Sotero Cosme, Galeria Xico Stockinger.

A Casa de Cultura Mario Quintana fica na Rua dos Andradas, 736, no centro histórico de Porto Alegre e funciona diariamente de acordo com a programação dos espaços. Para saber mais visite o site: www.ccmq.rs.gov.br

Restauro da Casa de Cultura Mario Quintana. Foto: Andressa Moreira/ Especial Palácio Piratini

Espetáculos acontecem mesmo durante as obras. Observe os tapumes ao lado do público. Foto: CCMQ / Divulgação.


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Autor: alotatuape

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