Cassado Donadon

Deputado Natan Donadon (sem partido-RO) chega ao plenário da Câmara para assistir a sessão destinada a votar a representação do PSB que pediu a cassação de seu mandato. Foto: Gustavo Lima / Câmara dos Deputados

Deputado Natan Donadon (sem partido-RO) chega ao plenário da Câmara para assistir a sessão destinada a votar a representação do PSB que pediu a cassação de seu mandato. Foto: Gustavo Lima / Câmara dos Deputados

Depois de passar por mais um vexame, proporcionado pela chegada com trajes de presidiário ao Congresso Nacional do agora ex-deputado Natan Donadon (ex-PMDB-RO), a Câmara dos Deputados cassou o seu mandato em votação aberta, sistema inaugurado nesta quarta-feira (12).

Painel eletrônico mostra o resultado da votação, por unanimidade, que cassou o mandato de Natan Donadon (Sem partido-RO) por quebra de decoro parlamentar. Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados

Painel eletrônico mostra o resultado da votação, por unanimidade, que cassou o mandato de Natan Donadon (Sem partido-RO) por quebra de decoro parlamentar. Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados

O voto aberto em cassações, levou 467 deputados a votarem a favor e apenas uma abstenção do deputado Asdrubal Bentes (PMDB-PA) – que recorre de condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por esterilização de mulheres no Pará, segundo a acusação.

Plenário da Câmara: Painel mostra todos os que votaram e seus nomes, em voto aberto. Para Donadon isso "fere os corações dos parlamentares". Foto: Gustavo Lima / Câmara dos Deputados

Plenário da Câmara: Painel mostra todos os que votaram e seus nomes, em voto aberto. Para Donadon isso “fere os corações dos parlamentares”. Foto: Gustavo Lima / Câmara dos Deputados

Com isso, a Câmara dos Deputados voltou atrás na decisão de agosto do ano passado, quando foram 131 votos pela absolvição e 41 abstenções, sob votação secreta.

A cassação de Donadon, põe fim aos seus dias de deputado-presidiário como ficou conhecido. “O voto aberto constrange o coração dos deputados”, disse ele ontem. Condenado pelo STF, a mais de 13 anos de prisão por formação de quadrilha e desvio de 8,4 milhões de verbas públicas da Assembleia Legislativa de Rondônia, através de fraudes em contratos de publicidade.

Os desajustes que ainda ocorrem na política são tão escabrosos, que em agosto do ano passado Donadon pode votar na sessão plenária do Congresso Nacional que pediu sua própria cassação e foi absolvido, fato que levou deputados do PSB a recorrerem ao Conselho de Ética da Câmara, sob o argumento de que a condenação pelo STF é considerada quebra de decoro parlamentar, além do fato de o deputado ter votado durante a sessão que analisou o seu caso, o que é proibido.

O voto secreto era lamentável para o deputado federal Ricardo Izar, principalmente durante o período em que assumiu a presidência do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, quando pediu a cassação dos envolvidos no Mensalão. “O Conselho de Ética condena, mas a Câmara absolve através do voto secreto”, disse ao Alô Tatuapé em 2006. Falecido em 2008, deixou seu legado em prol da moral na política.

Seu filho, deputado Ricardo Izar Jr. (PSD), seguiu os passos do pai e hoje preside o mesmo Conselho de Ética, que condenou Donadon. O voto aberto é uma consequência das manifestações ocorridas nas ruas de todo o país em junho do ano passado.

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Autor: alotatuape

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