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Suspenso pelo som
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Suspenso pelo som

Segunda-feira, 2 de março de 2015, às 19h57 Por Ricardo Aguiar Revista Pesquisa FAPESP – Fazer objetos levitarem usando apenas o som pode parecer truque de mágica, mas não é. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um dispositivo que faz exatamente isso.     A novidade desse levitador em relação a outros já produzidos é que ele permite um controle maior de partículas. A tecnologia poderá facilitar a manipulação de materiais perigosos ou substâncias químicas sensíveis, como compostos usados na fabricação de produtos farmacêuticos. O aparato capaz de fazer pequenas gotas de poliestireno flutuarem no ar, desenvolvido no laboratório do engenheiro Julio Adamowski na Escola Politécnica da USP, consiste basicamente em duas partes. Uma delas, de formato cilíndrico, é responsável pela emissão de ondas sonoras de alta frequência, inaudíveis para o ser humano. É o transdutor. A outra, o refletor, tem formato côncavo e é posicionada abaixo da primeira para refletir as ondas produzidas e assim produzir a levitação. Equipamentos desse tipo não são novidade. Um dos primeiros levitadores acústicos foi descrito na literatura científica em 1933 por pesquisadores alemães. O princípio por trás da flutuação das partículas continua similar para a maioria dos levitadores atuais e tem como base o fenômeno da ressonância. Depois de emitidas, as ondas ricocheteiam diversas vezes entre o transdutor e o refletor. No caminho, interagem entre si e geram ressonância, criando uma onda com pontos de mínima (nós) e máxima pressão acústica. Essa onda é conhecida como estacionária porque os nós são pontos fixos, como se tivesse um formato de 8 com o nó no centro. Quando uma partícula é depositada nessa onda estacionária, a pressão produzida pelo som contrabalança a força da gravidade e faz com que ela fique suspensa no ar, assentada no nó de pressão da onda. O problema é que para gerar a ressonância o transdutor e o refletor precisam ficar separados por uma distância bastante específica – o valor precisa ser um múltiplo de meio comprimento de onda. Essa regulação torna difícil o transporte de partículas, pois qualquer movimento de uma das partes do equipamento interrompe a ressonância e, consequentemente, a levitação. A ideia dos pesquisadores, então, foi desenvolver um levitador não ressonante. “Fizemos um transdutor com diâmetro pequeno”, explica Marco Andrade, físico da USP e principal responsável pelo projeto, conduzido em colaboração com Adamowski e o engenheiro eletricista Nicolás Pérez, da Universidade da República, no Uruguai, que passou um período na USP graças a um auxílio FAPESP. “Desse modo, somente uma pequena fração das ondas é refletida novamente por ele.” A inovação do dispositivo está no fato de que, com ele, bastam pouquíssimas reflexões entre...

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Ponte de elétrons
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Quarta-feira, 29 de outubro de 2014, às 13h Por Marcos de Oliveira Revista Pesquisa FAPESP – O grafeno pode duplicar a produção de energia elétrica em biocélulas a combustível, como demonstrou um grupo de pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do ABC (UFABC), em Santo André, na Região Metropolitana de São Paulo. Descoberto em 2004 por Andre Geim e Konstantin Novoselov, da Universidade de Manchester, na Inglaterra, o grafeno, além de render o Prêmio Nobel de Física aos dois pesquisadores pelos experimentos realizados, provocou uma corrida mundial em busca da utilização desse novo material caracterizado por ser uma folha de carbono com espessura atômica e detentor de propriedades elétricas, mecânicas e ópticas.     Os pesquisadores brasileiros, sob a liderança do professor Frank Crespilho, do IQSC-USP, mostraram no artigo de capa da edição de setembro da revista Physical Chemistry Chemical Physics que folhas de óxido de grafeno presas em fibras flexíveis de carbono facilitam a transferência de elétrons em biocélulas a combustível, dispositivos que convertem energia química em energia elétrica com a ajuda de enzimas e podem ter como combustível, por exemplo, a glicose existente no sangue para suprir de eletricidade marca-passos ou dispensadores subcutâneos de medicamentos. As biocélulas são uma fonte de energia alternativa ainda restrita a laboratórios. As biocélulas desenvolvidas em São Carlos são semelhantes a baterias e possuem dois eletrodos de fibra de carbono flexível, o cátodo, o polo positivo, e o ânodo, negativo. Elas são uma das mais recentes novidades em estudos no campo das fontes energéticas. Uma das opções de combustível para esse dispositivo é o uso da garapa, o caldo de cana repleto de açúcares. As biocélulas podem ter tamanho microscópico ou serem maiores, do tamanho de pequenas caixas plásticas que podem receber a garapa para gerar eletricidade e recarregar baterias de celulares, tabletsou até notebooks. Uma célula pode fornecer uma tensão elétrica um pouco maior que 1,0 volt (uma pilha do tipo AA, por exemplo, tem 1,5 volt). O grupo de Crespilho já trabalha com esses equipamentos desde 2010 (ver Pesquisa FAPESP nºs 182 e 205). Pensando em melhorar o desempenho elétrico desses dispositivos, os pesquisadores colocaram folhas de óxido de grafeno entre o eletrodo e a enzima glicose oxidase. Com isso, a transferência de elétrons para a célula aumentou em pelo menos duas vezes, o que representa o dobro de produção de eletricidade. O processo de liberação de elétrons ocorre pela oxidação da glicose, que acontece na superfície do ânodo, onde é colocada a enzima glicose oxidase produzida a partir do fungo Aspergillus niger. Com isso, os elétrons...

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Ebola e a mídia
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Ebola e a mídia

Segunda-feira, 27 de outubro de 2014, às 15h23 CCS / Fiocruz Em artigo publicado na Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde (Reciis), as pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Telma Cardoso e Marli Navarro, falam sobre a cobertura da epidemia de ebola que tem sido feita pela mídia. “A alta letalidade do vírus ebola não é nenhuma novidade. As epidemias da doença que se verificam em países africanos refletem tragédias periódicas. Outros surtos ocorreram, foram noticiados e posteriormente esquecidos pela mídia, embora o vírus tenha continuado ativo. A manifestação atual do ebola expressa um impacto que é apresentado pela mídia como ameaça à humanidade, contribuindo para propagar na sociedade apreensões e o medo. Cabe, aos especialistas do campo da saúde pública, elaborar informações dirigidas à sociedade que sejam capazes de dimensionar o risco e as possibilidades do controle do mesmo, sobretudo através dos recursos oferecidos pela pesquisa científica, pela biossegurança e pela articulação global de políticas de saúde.” Leia o artigo na íntegra: Ebola e a...

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Pesquisas no Brasil
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Quarta-feira, 1 de outubro de 2014, às 18h26 Pesquisa brasileira em Ciência dos Materiais precisa aumentar impacto internacional Por Elton Alisson, de João Pessoa Agência FAPESP – A produção científica brasileira em Ciência dos Materiais e o número de artigos publicados por pesquisadores da área no país aumentaram vigorosamente na última década. O desafio, agora, é aumentar o impacto internacional das pesquisas realizadas na área por cientistas brasileiros com diversos tipos de material, incluindo os mais tradicionais – como a cerâmica e metais – e os mais avançados, como grafeno e outras nanoestruturas de carbono.     A avaliação foi feita por José Arana Varela, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo (CTA) da FAPESP e professor titular do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araraquara, durante a palestra de abertura do 13º Encontro da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat), que ocorre até quinta-feira (02/10) em João Pessoa (PB). A palestra, no domingo (28/09), foi feita em memória de Joaquim da Costa Ribeiro (1906-1960), considerado um dos mais importantes físicos brasileiros e pioneiro em Ciência dos Materiais no país. Todos os anos, um pesquisador brasileiro de destaque indicado por um comitê da SBPMat ministra a palestra. “A quantidade de artigos publicados tanto por pesquisadores brasileiros como em colaboração com colegas do exterior em Ciência dos Materiais aumenta desde 2000. Agora, o desafio é elevar o impacto internacional das pesquisas realizadas no Brasil, em uma área em que o país não deve nada ao que é feito no exterior”, disse Varela à Agência FAPESP. Segundo Varela, a pesquisa em Ciência dos Materiais é recente no Brasil. A produção científica na área era irrisória no país até 1990, quando se publicavam menos de 200 artigos por ano em periódicos científicos indexados. A partir do ano 2000, o número de artigos publicados na área duplicou em relação a 1990. De 400 artigos em 2000, o número saltou para quase 1,2 mil em 2013. O número de artigos publicados por pesquisadores brasileiros em colaboração com colegas do exterior também aumentou no mesmo período, indo de menos de 200 em 2000 para quase 400 em 2013. O impacto, entretanto, caiu de 1,5 em 1989 (quando estava um pouco acima da média do índice de citação mundial, de 1) para um patamar entre 0,7 e 0,8 atualmente. “A internacionalização da ciência produzida nessa e em outras áreas no Brasil também é muito recente. À medida que aumentarem as colaborações e a exposição internacional do país nessa área, o fator de impacto das pesquisas tenderá a aumentar”, afirmou. Papel das sociedades De acordo com Varela, um dos fatores que contribuíram para o aumento...

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Chuvas do passado
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Segunda-feira, 15 de setembro de 2014, às 09h35 Por Salvador Nogueira Revista Pesquisa FAPESP – A seca pela qual está passando o Estado de São Paulo em 2014 surpreendeu a todos e está colocando em risco o abastecimento de água na capital paulista e nos municípios vizinhos. Prevista com mais antecedência, talvez permitisse adotar medidas para manter os reservatórios mais bem abastecidos. O trabalho de um grupo internacional de pesquisadoras pode, no futuro, ajudar a calcular com maior precisão variações de chuva e umidade na América do Sul e auxiliar a agir mais cedo. O estudo, publicado em junho na Scientific Reports, combinou estimativas de temperatura no passado e modelagem matemática para reconstruir a temperatura da superfície do Atlântico Sul nos últimos 12 mil anos. Além de estabelecer com maior precisão o clima no período, o trabalho pode ajudar a compreender a dinâmica entre as temperaturas no oceano e a umidade no continente. O grupo liderado por Ilana Wainer, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), observou que o aumento da temperatura na porção norte do Atlântico Sul, próximo à linha do equador, esteve associado a um maior volume de chuvas onde hoje é o Nordeste brasileiro e a menos chuvas no Sudeste nos últimos 12 mil anos. Inversamente, o Nordeste enfrentou períodos de secas mais severas e o Sudeste de mais chuvas quando a temperatura no sul do Atlântico esteve mais elevada. O que melhor explicou a variação climática nesses 12 mil anos, segundo as pesquisadoras, foi um padrão de distribuição de temperaturas no Atlântico Sul semelhante ao observado hoje, com períodos em que a temperatura das águas superficiais era mais alta ao norte e outros em que eram mais elevadas ao sul. Os pesquisadores dão o nome de Dipolo Subtropical do Atlântico Sul ao padrão de distribuição de temperaturas em que o oceano parece ter um polo mais quente e outro mais frio – com a inversão ocasional. “Caso tenha existido nesses 12 mil anos, esse fenômeno pode ter influenciado de modo importante a distribuição das chuvas no continente”, diz a meteorologista Luciana Figueiredo Prado, coautora do estudo e aluna de doutorado de Ilana Wainer no IO-USP. Essa conclusão é, até certo ponto, surpreendente. Até então se atribuía a variação no volume de chuvas na América do Sul principalmente à influência do fenômeno El Niño, flutuações na temperatura das águas superficiais do Pacífico que ocorrem em períodos curtos (15 a 18 meses). Mas alguns trabalhos já haviam mostrado que o El Niño não explica totalmente as alterações no regime de chuvas atual da América do Sul. Parte dessa variação (cerca de 20%) parece decorrer das...

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Degradação florestal no Brasil preocupa especialistas
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Enzimas da Antártica têm aplicação industrial
set04

Enzimas da Antártica têm aplicação industrial

Quinta-feira, 4 de setembro de 2014, às 12h13   Por Fabio Reynol Agência FAPESP – A fabricação de detergentes, cosméticos, alimentos, medicamentos e muitos produtos químicos depende de processos executados por enzimas, compostos orgânicos que catalisam e tornam possíveis muitas reações químicas. Entre as enzimas de interesse para a indústria, as mais empregadas são as proteases, que respondem por 60% do mercado mundial de enzimas. Uma estratégia para descobrir novos compostos é procurar, em ambientes de clima extremo, os microrganismos que as produzem, chamados “extremófilos”. Por isso, o grupo coordenado pela professora Maria das Graças de Almeida de Felipe, da Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de São Paulo (EEL-USP), iniciou em março de 2012 o projeto “Estabelecimento de condições de cultivo de leveduras isoladas da Antártica visando à produção de proteases”, que se encerrou este ano e recebeu apoio FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular. “A nossa expectativa era que esses microrganismos encontrados em condições extremas, restritivas de clima, poderiam produzir enzimas com características especiais para uso em bioprocessos industriais”, disse Almeida de Felipe. Esses fungos do Polo Sul estavam armazenados na Coleção Brasileira de Microrganismos de Ambiente e Indústria pertencente ao Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas Biológicas e Agrícolas da Universidade Estadual de Campinas (CPQBA-Unicamp). Todo o material, que reúne cerca de 350 fungos, é parte de um projeto anterior, “Exploração biotecnológica de fungos derivados da Antártica”, coordenado pela professora Lara Durães Sette, do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (IB-Unesp), campus de Rio Claro (SP). O primeiro projeto já havia iniciado um estudo para explorar outras enzimas além de proteases produzidas pelos fungos da Antártica. O trabalho da equipe de Sette durou de 2011 a 2013 e indicou que poderia haver ali várias enzimas de grande interesse industrial. As proteases não são somente importantes como catalisadores biológicos, mas compõem a formulação de detergentes, aromatizantes e outros produtos da química fina, de acordo com a pesquisadora da USP. “Os microrganismos antárticos podem não ser oriundos daquele continente; uma vez levados para lá, se adaptaram às condições climáticas e geográficas extremas”, disse Almeida de Felipe. Por esse motivo, a equipe já esperava que eles produzissem moléculas com características especiais, como proteases altamente estáveis a ponto de se manterem em atividade em uma ampla faixa de temperatura, o que encontraria aplicação em uma extensa gama de setores industriais. A equipe de Almeida de Felipe utilizou da coleção de fungos do CPQBA um conjunto de 99 leveduras com potencial de produção de proteases. O material foi enviado ao campus da USP de Lorena, para os cultivos laboratoriais. Dentre as 99 amostras, 14 apresentaram um halo ao...

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Doenças raras: leia esta história
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Doenças raras: leia esta história

Sexta-feira, 29 de agosto de 2014 às 17h59 Por Carlos Fioravanti, de Monte Santo (BA) Revista Pesquisa FAPESP – José de Andrade Pereira é um homem de fibra. Em 2004, ele levou o filho mais velho, que aos 3 anos era muito baixo, tinha dedos curtos, cabeça grande e dificuldade de fala – e mais uma vez estava com forte dor de ouvido –, a um posto de saúde de Monte Santo, interior da Bahia. O médico lhe disse que, além de cuidar da dor de ouvido, não poderia fazer mais nada diante de uma doença que não conhecia e que ele deveria apenas esperar o menino morrer. Pereira reagiu: “Esperar é o que não vou fazer, nunca!”. Ele fez a viagem de seis horas até Salvador e perguntou a um porteiro do Hospital Universitário Professor Edgard Santos quem ele deveria procurar para tratar de um menino como aquele. Os médicos examinaram o menino e depois o irmão de 11 meses, na viagem seguinte, e concluíram que os dois tinham mucopolissacaridose tipo 6, uma doença rara de origem genética então sem tratamento. Pereira alertou: “Tem outras crianças assim por lá”. Sua visão de mundo mudou a história desta cidade do sertão baiano. Monte Santo foi um acampamento para as tropas do governo que lutaram na guerra de Canudos. A praça principal exibe uma escultura em madeira de Antonio Conselheiro, o beato que liderou os sertanejos vistos como opositores da república nascente. Apontada para a escultura há uma matadeira, canhão usado nas batalhas em que morreram 25 mil revoltosos e 5 mil soldados. Nos últimos anos Monte Santo tem sido o palco de outras batalhas: a identificação, o tratamento e a prevenção de doenças genéticas raras, que começaram a ser reconhecidas a partir da indicação de Pereira. Leia a reportagem completa O caminho das pedras das doenças raras Antes as crianças com doenças como a mucopolissacaridose permaneciam em suas casas. Seus pais achavam que nada mais poderia ser feito. Médicos e pesquisadores de Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre foram a Monte Santo pela primeira vez em 2006 e se espantaram com a diversidade de doenças raras que viam em um só lugar. Já diagnosticaram 13 pessoas com mucopolissacaridose tipo 6, uma proporção 240 vezes maior do que a média nacional, 84 com deficiência auditiva de possível origem genética, 12 com hipotireoidismo congênito, nove com fenilcetonúria, que pode causar deficiência intelectual se não tratada, quatro com osteogênese imperfeita, marcada pela extrema fragilidade dos ossos, e quatro com síndrome de Treacher Collins, que prejudica a formação dos ossos do crânio. Acredita-se que os casamentos entre parentes, antes muito frequentes, possam...

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Cai o número de brasileiros que joga futebol no lazer
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Cai o número de brasileiros que joga futebol no lazer

Segunda-feira, 25 de agosto de 2014 às 19h07 Por Hérika Dias da Agência USP A paixão dos brasileiros pelo futebol pode ser grande, mas o número de pessoas que faz do esporte uma atividade física de lazer caiu. De 2006 a 2012, o percentual foi de 9,1% para 7,2%, uma redução de 20% em sete anos. O futebol foi ultrapassado pela musculação/ginástica (aumento de 7,9% para 11,2%) e se tornou a terceira atividade física mais praticada nas horas de folga dos brasileiros. Em primeiro está a caminhada (em torno de 18% entre 2006 e 2012).     As informações constam de um estudo do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens), da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, baseado nos dados do Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas), um inquérito produzido anualmente pelo Ministério da Saúde por meio de entrevistas por telefone com cerca de 54 mil pessoas, a partir dos 18 anos, nas capitais brasileiras e no Distrito Federal. Os doutorandos Thiago Hérick de Sá e Leandro Martin Totaro Garcia e o pós-doutorando Rafael Moreira Claro analisaram as dados do Vigitel entre 2006 e 2012 para descrever a frequência e os principais tipos de atividade física praticados pelos adultos brasileiros no período de lazer . De acordo com os pesquisadores, o estudo é descritivo e, portanto, não foram investigadas as possíveis causas da variação dos praticantes de futebol. “Não podemos ser taxativos de que está havendo uma substituição. O fato de o futebol estar caindo e da musculação/ginástica estarem subindo em termos populacionais, não quer dizer que as pessoas estão trocando uma coisa pela outra, pode ser que as pessoas que deixam de jogar futebol não sejam as mesmas que passaram a frequentar mais a academia”, ressalta Thiago Hérick de Sá. Entretanto, eles formularam algumas hipóteses para explicar a queda na prática de futebol. “No Brasil, jogar futebol sempre foi muito dependente de campos públicos e muitos deles estão em terrenos baldios. Mas esses espaços têm diminuído muito por causa do mercado imobiliário, para a construção de novos prédios, novos empreendimentos, o que se dá tanto em regiões mais centrais como na periferia das cidades”, afirma o pesquisador. Ele sugere que a diminuição dos praticantes de futebol também esteja ligada à dificuldade em se encontrar tempo e pessoas. “É preciso tempo para se fazer uma prática dessa ou mesmo para se organizar uma partida, porque jogar futebol envolve no mínimo 10 pessoas. A organização dessa atividade toma tempo e hoje vivemos em um contexto social que torna isso um pouco mais difícil.” Academias O crescimento dos praticantes de ginástica/musculação –...

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Mosca é perigo para humanos
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Abelhas vigiadas
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Abelhas vigiadas

Quinta-feira, 14 de agosto de 2014 às 19h28 Por Dinorah Ereno Revista Pesquisa FAPESP – A população de abelhas registra um expressivo declínio em vários países, inclusive no Brasil. Em agosto do ano passado, a revista Time trazia na capa um alerta para o risco de desaparecimento das abelhas melíferas, com a chamada “O mundo sem abelhas” e o alerta: “O preço que pagaremos se não descobrirmos o que está matando as melíferas”. O desaparecimento das fabricantes de mel preocupa não só pela ameaça à existência desse produto, mas também porque as abelhas têm chamado a atenção principalmente pelo importante papel que representam na produção de alimentos. Não é para menos. Elas são responsáveis por 70% da polinização dos vegetais consumidos no mundo ao transportar o pólen de uma flor para outra, que resulta na fecundação das flores. Algumas culturas, como as amêndoas produzidas e exportadas para o mundo inteiro pelos Estados Unidos, dependem exclusivamente desses insetos na polinização e produção de frutos. A maçã, o melão e a castanha-do-pará, para citar alguns exemplos, também são dependentes de polinizadores. Entre as prováveis causas para o desaparecimento das abelhas estão os componentes químicos presentes nos neonicotinoides, classe de defensivos agrícolas amplamente utilizados no mundo. Além de pesticidas, outros fatores, como mudanças climáticas com maior ocorrência de eventos extremos, infestação por um ácaro que se alimenta da hemolinfa (correspondente ao sangue de invertebrados) das abelhas, monoculturas que fornecem pouco pólen como milho e trigo e até técnicas para aumentar a produção de mel, podem ser responsáveis pelo fenômeno conhecido como distúrbio de colapso de colônias (CCD, na sigla em inglês), que provoca a desorientação espacial desses insetos e morte fora das colmeias. O distúrbio já provocou a morte de 35% das abelhas criadas em cativeiro nos Estados Unidos. Na busca por respostas que ajudem a combater o problema, o Instituto Tecnológico Vale (ITV), em Belém, no Pará, desenvolveu em colaboração com a Organização de Pesquisa da Comunidade Científica e Industrial (CSIRO), na Austrália, microssensores – pequenos quadrados com 2,5 milímetros de cada lado e peso de 5,4 miligramas –, que são colados no tórax das abelhas da espécie Apis mellifera africanizada (abelhas com ferrão resultantes de variedades europeias e africanas) para avaliação do seu comportamento sob a influência de pesticidas e de eventos climáticos. Uma parte do experimento está sendo conduzida na Austrália e a outra no Brasil. No estado australiano da Tasmânia, ilha ao sul do continente da Oceania, será feito um estudo comparativo com 10 mil abelhas para avaliar como elas reagem quando expostas a pesticidas. Para isso, duas colmeias foram colocadas em contato com pólen contaminado e outras...

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Bolsa de estudo em Fotônica e Optoeletrônica
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Bolsa de estudo em Fotônica e Optoeletrônica

Segunda-feira, 4 de agosto de 2014 às 15h38   Pós-doutorado em Fotônica e Optoeletrônica com bolsa da FAPESP Agência FAPESP – O projeto de pesquisa “Grafeno: fotônica e optoeletrônica”, que tem apoio da FAPESP por meio do programa São Paulo Excellence Chair (SPEC), tem duas oportunidades de bolsa de pós-doutorado para atuar no Centro de Pesquisas Avançadas em Grafeno, Nanomateriais e Nanotecnologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie (MackGrafe). Uma das bolsas é para pesquisa com geração de pulsos ultracurtos; a outra, em grafeno e nanomateriais 2D em lasers multifuncionais. O pesquisador da área de pulsos atuará no desenvolvimento de técnicas de obtenção do acoplamento de modos híbridos para conseguir pulsos ultracurtos em altas taxas de repetição, acima de 40 GHz, utilizando nanomateriais bidimensionais, como absorvedor saturável. Já o pesquisador da área de grafeno e nanomateriais 2D irá explorar as propriedades não lineares de nanomateriais bidimensionais com o objetivo de desenvolver fontes lasers multifuncionais, lasers com múltiplos regimes de operação em vários comprimentos de onda e taxas, e que possam ser modulados de forma independente. Ao longo do projeto, o bolsista deverá dominar técnicas de processamento de grafeno e nanomateriais bidimensionais, assim como métodos computacionais e experimentais de caracterização. Interessados devem enviar currículo profissional – incluindo lista de publicações – e os nomes e contatos de dois doutores capazes de elaborar carta de recomendação para o e-mail thoroh@mackenzie.br. O prazo para inscrição se encerra no dia 22 de agosto. Mais informações sobre as oportunidades estão disponíveis em www.fapesp.br/oportunidades/655 e www.fapesp.br/oportunidades/656. O selecionado receberá bolsa de pós-doutorado da FAPESP, no valor de R$ 6.143,40 mensais, e reserva técnica, que equivale a 15% do valor anual da bolsa e tem o objetivo de atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa. Caso o bolsista resida em domicílio diferente e precise se mudar para a cidade onde se localiza a instituição sede da pesquisa, poderá ter direito a auxílio instalação. Mais informações sobre a bolsa de pós-doutorado da FAPESP em www.fapesp.br/bolsas/pd. Outras vagas de bolsas de pós-doutorado, em diversas áreas do conhecimento, estão no site FAPESP-Oportunidades, em...

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Terça-feira, 22 de julho de 2014 às 17h40 Por Carlos Fioravanti Revista Pesquisa FAPESP – Trabalha-se com entusiasmo no laboratório do biólogo Paulo Sumida no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo. Na tarde de 1º de abril, diante de um computador em uma mesa entre estantes com livros e organismos marinhos mantidos em potes plásticos com álcool, Olívia Soares Pereira, a mais nova integrante do grupo, ainda na graduação, empolgava-se como uma torcedora de futebol vendo um filme em alta definição sobre o fundo do mar em um dos computadores, com animais peculiares como um polvo com membranas entre os tentáculos, uma estrela-do-mar vermelha e corais alongados que crescem sobre morros cobertos de asfalto que vazou da terra. O filme, que lembrava os da National Geographic na TV, era um registro da viagem realizada em abril de 2013 em um submarino japonês a regiões nunca antes exploradas a mais de 4 mil metros de profundidade do litoral do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul. A todo momento ela e os colegas que começaram a ver os filmes – foram feitas quase 100 horas de filmagem – se perguntavam como os organismos se organizavam e, enfim, por que eram daquele jeito. Um dos organismos já examinados, que exemplifica as peculiaridades da vida no fundo do mar, é um verme marinho – um poliqueta – comedor de ossos do gênero Osedax. “As fêmeas têm um harém de machos anões, às vezes mais de 100 machos, grudados em seu corpo”, descreve Sumida, acrescentando uma curiosidade: esses poliquetas são também chamados de vermes-zumbi, por colonizar carcaças e viver entre animais mortos. O corpo das fêmeas consiste em um tentáculo vermelho com quatro a cinco centímetros de comprimento. Em uma das extremidades, a que fica para fora do osso que estão digerindo, estão os palpos, rugosidades que funcionam como brânquias, filtrando oxigênio da água. A outra extremidade se ramifica e se fixa sobre o interior dos ossos como a raiz de uma planta. Os ovários, junto a essa base, são bem grandes, e os machos, de poucos milímetros de comprimento, vivem no tubo gelatinoso da fêmea, muito próximo ao oviduto, canal que serve para a passagem dos ovos. As fêmeas se impõem desde cedo sobre o destino dos machos. Ao sair do ovo, a larva poderá crescer e formar outra fêmea se aderir a um osso. Se encontrar à frente o corpo da fêmea, porém, não crescerá e será apenas um macho anão, como resultado provável da ação de substâncias químicas liberadas pelo contato com o corpo da fêmea. “É uma adaptação evolutiva bastante interessante”, comenta Sumida. Se machos e fêmeas fossem...

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EESC-USP terá laboratório sobre exploração do pré-sal
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Quinta-feira, 17 de julho de 2014 às 5h57 Agência FAPESP – A Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP) vai inaugurar, no dia 4 de setembro, o Laboratório de Escoamentos Multifásicos Industriais (Lemi). Com financiamento da Petrobras, o laboratório desenvolverá tecnologias para soluções de exploração e produção com aplicações no pré-sal.     O laboratório pretende viabilizar a simulação de processos que envolvam escoamentos multifásicos em alta pressão – fase da produção em que há mistura de petróleo e bolhas de gás dióxido de carbono denso. A intenção é reproduzir os métodos da indústria petrolífera, utilizando técnicas que se aproximem das dimensões físicas da produção industrial Novos equipamentos com tecnologia de ponta também serão adquiridos para o laboratório, como um Particle Image Velocimetry, para medição de fluxo, uma câmera filmadora de alta velocidade e um anemômetro por laser Doppler (LDA, na sigla em inglês), que realiza medições locais instantâneas e precisas de velocidade do escoamento. Um densitômetro de raios gama dual source também está sendo importado para fazer medições de propriedades do escoamento por meio de técnicas nucleares. Dois novos projetos em processo de formalização, envolvendo a Petrobras e a British Gas, produtora de gás natural, devem inaugurar as atividades do Lemi. Apesar de a Petrobras ter financiado o projeto do laboratório, não há contrato de exclusividade com a empresa e demandas de outras empresas também poderão gerar pesquisas. Os convênios firmados serão de cooperação para desenvolvimento de pesquisa tecnológica e inovação e contarão com a participação de alunos de pós-graduação. O prédio do Lemi, de 2 mil metros quadrados, localizado no campus 2 da USP de São Carlos, está em fase de...

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jul14

Argila brasileira pode ser mais valorizada

Segunda-feira, 14 de julho de 2014 às 17h58 Argila brasileira tem potencial para atender às indústrias de fármacos e cosméticos Por José Tadeu Arantes Agência FAPESP – O Brasil é um dos principais fornecedores mundiais de argila. Mas as argilas do país são, em geral, produtos de baixo valor agregado, usados em grandes quantidades. A bentonita (argila constituída essencialmente por argilominerais esmectíticos), por exemplo, produzida no país é utilizada majoritariamente na extração de petróleo, gás e água, na pelotização de minérios de ferro, em moldes para fundição de metais e como leito sanitário para animais domésticos.     Situação semelhante ocorre com os caulins (constituídos essencialmente por argilominerais cauliníticos), cujos principais destinos são as indústrias de papel e de cerâmica. Não há registros do emprego de bentonitas e caulins brasileiros em ramos nobres, como as indústrias de fármacos e cosméticos, ao menos em grande escala. “De modo geral, esses segmentos, principalmente de fármacos e nanocompósitos, utilizam argilas importadas, pois ou não existem similares nacionais com o mesmo grau de pureza ou os fornecedores daqui não conseguem manter o padrão de um lote para o outro”, disse à Agência FAPESP o engenheiro Francisco Rolando Valenzuela Diaz, professor da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP). Com o objetivo de avaliar o potencial do país para modificar esse cenário, Valenzuela Diaz coordenou, recentemente, a pesquisa “Purificação, reologia, caracterização mineralógica e modificação de argilas brasileiras para uso em cosméticos, fármacos e outros produtos de alto valor agregado”, com apoio da FAPESP. “Nosso projeto investigou 20 tipos de argila de diferentes lugares do Brasil, purificou-as e estudou seu potencial para usos mais nobres, tais como fármacos, cosméticos e nanocompósitos de argilas com polímeros, visando a sua capacidade de reprodução de resultados”, afirmou. “Das argilas que estudamos, as que apresentaram os melhores resultados foram as bentonitas da Paraíba; uma bentonita de Vitória da Conquista, na Bahia, e alguns caulins do Pará.” Os resultados obtidos foram considerados surpreendentes pelos pesquisadores. No caso da argila da Bahia, por exemplo, verificou-se que, em seu estado natural, ela não é adequada para a produção de fármacos e cosméticos, mas, após a purificação, origina três argilas com cores e propriedades físico-químicas diferentes, que apresentam excelentes perspectivas de uso nobre. Exemplos do emprego medicinal de argilas são seu uso por via oral, como adsorventes de toxinas ou fornecedores de suplementos minerais, ou seu uso tópico, no tratamento de doenças dermatológicas. Os pesquisadores utilizaram técnicas analíticas para acessar as propriedades físico-químicas das argilas analisadas, tais como a difratometria de raios X, a fluorescência de raios X, a microscopia eletrônica de varredura e a quantificação rigorosa dos argilominerais presentes nas amostras,...

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Grupo da USP identifica RNA que regula morte celular
jul10

Grupo da USP identifica RNA que regula morte celular

Quinta-feira, 10 de julho de 2014 às 18h31 Por Karina Toledo Agência FAPESP – Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram um RNA denominado de INXS que, embora não contenha instruções para a produção de uma proteína, modula a ação de um gene importante no processo de apoptose, ou morte celular programada. De acordo com Sergio Verjovski-Almeida, professor do Instituto de Química da USP e coordenador da pesquisa apoiada pela FAPESP, a expressão de INXS geralmente está diminuída em células cancerígenas e métodos capazes de estimular a produção desse RNA não codificador poderiam ser usados no tratamento de tumores. Em experimentos com camundongos, os cientistas da USP conseguiram reduzir em cerca de 10 vezes o volume de um tumor maligno subcutâneo ao aplicar no local injeções de plasmídeos – moléculas circulares de DNA – contendo INXS. Os resultados foram divulgados na edição mais recente da revista Nucleic Acids Research. O grupo liderado por Verjovski-Almeida na USP tem se dedicado nos últimos cinco anos a investigar o papel regulador dos chamados genes intrônicos não codificadores de proteína – aqueles localizados na mesma região do genoma de um gene codificador, porém na fita oposta de DNA. O INXS, por exemplo, é um RNA expresso na fita oposta à de um gene codificador de proteína conhecido como BCL-X. “Estudamos diversos genes codificadores de proteína envolvidos em morte celular em busca de evidências de que algum deles fosse regulado por um RNA intrônico não codificador. Foi então que encontramos o BCL-X, um gene situado no cromossomo 20”, contou. O BCL-X, explicou o pesquisador, está presente nas células em duas formas alternativas: uma que inibe a apoptose (BCL-XL) e uma que induz o processo de morte celular (BCL-XS). As duas isoformas agem sobre a mitocôndria, mas de formas opostas. A isoforma BCL-XS é considerada supressora de tumor por ativar complexos proteicos conhecidos como caspases, essenciais na ativação de outros genes que causam a morte celular. “Em uma célula sadia, existe um balanço entre as duas isoformas de BCL-X. Normalmente, já existe uma quantidade menor da forma pró-apoptótica (BCL-XS). Mas, ao comparar células tumorais e não tumorais, observamos que nos tumores a forma pró-apoptótica está ainda mais reduzida, bem como o nível de INXS. Suspeitamos que uma coisa estava afetando a outra”, disse o pesquisador.     Para confirmar a hipótese, o grupo silenciou a expressão do INXS em uma linhagem de células normais e o resultado, como esperado, foi o aumento da isoforma BCL-XL (antiapoptótica). “A razão entre as duas – que era de 0,25 – passou para 0,15, ou seja, a forma pró-apoptótica que representava um quarto do total passou a representar...

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Mudança no clima e ação humana alteram litoral no Brasil
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Busca de novas metodologias direciona conservação biológica
jul03

Busca de novas metodologias direciona conservação biológica

Quinta-feira, 3 de julho de 2014 às 6h03 Por Elton Alisson Agência FAPESP – A necessidade de ampliação da base conceitual e de inovações metodológicas e tecnológicas, além do aprimoramento da gestão, tem limitado a identificação e a solução de problemas relacionados à conservação biológica no planeta. A avaliação é feita no livro Applied Ecology and Human Dimensions in Biological Conservation, recém-lançado pela editora Springer. A publicação é resultado de dois workshops internacionais realizados pelo Programa FAPESP de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (BIOTA-FAPESP), respectivamente, em 2009 e 2010, e dos avanços propiciados por esses eventos. No workshop de 2009, o tema tratado foi ecologia aplicada e dimensões humanas na conservação biológica. Em 2010, foram abordados programas de estudos de longa duração em biodiversidade relacionados principalmente a monitoramento de padrões de diversidade biológica. “Uma das novidades desses dois workshops foi abordar a conservação biológica do ponto de vista dos fatores que a limitam, como a necessidade de ampliação de sua base conceitual”, disse Luciano Martins Verdade, professor do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo (USP) e um dos editores do livro, à Agência FAPESP. “Muitas vezes não se sabe como identificar e solucionar os problemas porque faltam conceitos sobre o tema”, afirmou Verdade, que coordenou os dois workshops e é membro da coordenação do Programa BIOTA-FAPESP.     Segundo Verdade, um conceito que precisa ser aprimorado é o da própria diversidade biológica. Ao tratar as espécies como unidades da diversidade biológica – pressupondo que, quanto mais espécies, maior a diversidade biológica de um determinado grupo –, corre-se o risco de subestimar o valor de linhagens mais antigas em termos evolutivos, mas que foram mais conservativas e tiveram menor especiação do que grupos mais recentes. “Mesmo tendo originado menos espécies, o patrimônio gênico dessas linhagens mais antigas pode ter um valor maior do ponto de vista evolutivo do que o de grupos mais recentes”, avaliou. Outro conceito que tem sido revisto, segundo o pesquisador, é o do papel histórico da ação humana na montagem dos padrões de diversidade biológica observados atualmente. Há uma tendência de achar que biomas, como a Floresta Amazônica e até mesmo a Mata Atlântica, tenham áreas intocadas (prístinas) que reflitam padrões de diversidade biológica não influenciados pelo homem. Ao estudar a história desses biomas, contudo, é possível observar que neles há registros da presença humana de forma significativa nos últimos milênios. Mesmo antes da chegada dos europeus, no século XVI, já havia um uso da terra expressivo que pode ter se refletido nos atuais padrões de diversidade biológica de biomas como a Floresta Amazônica, apontou...

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FAPESP financia pesquisa colaborativa com a Bélgica
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FAPESP financia pesquisa colaborativa com a Bélgica

A FAPESP e a Direction Générale Opérationnelle Economie, Emploi & Recherche du Service Public de Wallonie (DGO6) anunciam a primeira chamada de propostas no âmbito do acordo de cooperação entre as instituições. A chamada está aberta a pesquisadores no Estado de São Paulo e na região da Valônia, Bélgica. Os temas de interesse da chamada são: Biotecnologia e saúde; Alimentos; Tecnologias verdes e desenvolvimento sustentável; Logística aplicada a biotecnologia, processamento e transporte de alimentos; Aeronáutica e espaço; e Mecânica. As propostas deverão incluir um líder na Valônia e um no Estado de São Paulo. Pela DGO6 podem participar pequenas e médias empresas, universidades e centros de pesquisa. Pelo lado da FAPESP, as propostas poderão ser submetidas por pesquisadores associados a pequenas empresas (com até 250 empregados) que tenham sede e realizem pesquisa no Estado de São Paulo. As propostas deverão seguir as normas do Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE). Os projetos selecionados poderão ter duração de nove a 24 meses. Os projetos receberão financiamento da DGO6 na Valônia e da FAPESP no Estado de São Paulo. A FAPESP espera selecionar e financiar até dez projetos. As propostas serão recebidas até o dia 8 de agosto de 2014. A chamada está disponível...

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Descoberto crocodilo fóssil com restos de outro crocodilo na cavidade abdominal
maio26

Descoberto crocodilo fóssil com restos de outro crocodilo na cavidade abdominal

Por José Tadeu Arantes Agência FAPESP – Um espécime antes desconhecido de crocodilo fóssil, com restos de outro espécime de crocodiliforme na cavidade abdominal, foi descoberto na região de General Salgado, no noroeste do Estado de São Paulo. Esta é a primeira vez que conteúdos abdominais de crocodilos fósseis são inequivocamente identificados, evidenciando que esses animais às vezes devoravam indivíduos de outras espécies do mesmo grupo. Descrição detalhada do achado já se encontra publicada na revista científica PLoS One e pode ser acessada em http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0097138. A descoberta é tema do mestrado de Pedro Lorena Godoy, que contou com Bolsa da FAPESP no Brasil e no exterior. Godoy foi orientado por Max Cardoso Langer, professor associado do Departamento de Biologia da Universidade de São Paulo no campus de Ribeirão Preto. “Considero este um dos achados paleontológicos mais importantes realizados no país nos últimos anos, pois foi, em escala mundial, o primeiro registro confiável de conteúdo estomacal em crocodilos fósseis e a primeira evidência de predação entre diferentes espécies de crocodilos fósseis”, disse Langer à Agência FAPESP. Os animais foram escavados de rochas da chamada Formação Adamantina, que se estende pelo Oeste Paulista e pelo Triângulo Mineiro, e são datadas do período Cretáceo, de cerca de 70 milhões de anos atrás. O predador, que teria aproximadamente dois metros de comprimento, recebeu o nome de Aplestosuchus sordidus (“abominável crocodilo guloso”). Foi classificado no subgrupo dos baurussuquídeos, que englobava outras espécies de crocodilos carnívoros terrestres. Já a presa foi identificada como um indivíduo pertencente ao subgrupo dos esfagessaurídeos, animais de tamanho menor e dieta onívora ou herbívora. Embora importante, a descoberta de uma nova espécie de crocodiliforme (grupo que inclui os crocodilos atuais e seus parentes fósseis) não constitui, por si só, um feito espetacular. Há vários registros de outras espécies do mesmo grupo na região. “A grande novidade foi mesmo a descoberta do conteúdo estomacal do animal”, afirmou Langer. Vestígios desse tipo, descobertos anteriormente, encontravam-se de tal maneira alterados pelo processo digestivo que mal permitiam dizer que se tratava mesmo de restos de animais ingeridos pelos predadores. Na descoberta atual, ao contrário, foram encontradas peças suficientemente íntegras e identificáveis. “Achamos quatro ossos do crânio e dentes, que são os materiais mais resistentes do esqueleto. E conseguimos classificar esses achados no subgrupo dos esfagessaurídeos”, disse Langer. Além disso, esta foi a primeira vez que se constatou a predação de uma espécie fóssil de crocodiliforme por outra. Embora raro, esse tipo de predação é conhecido em alguns crocodilos da atualidade. É o caso do crocodilo marinho da Austrália, um réptil contemporâneo com mais de quatro metros de comprimento. Esse carnívoro – que devora todo...

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