Problemas hidrológicos da grande São Paulo
maio10

Problemas hidrológicos da grande São Paulo

Tietê: o rio de São Paulo Edição: Gerson Soares | Edição de imagens: aloimage Nota do Editor: Apesar de ter sido publicado há 10 anos, o artigo que lerá é um documento histórico muito importante para quem deseja conhecer os movimentos da administração pública, neste caso à respeito de obras de saneamento que por consequência influenciam até hoje, em tantos aspectos, a cidade de São Paulo. Artigo de autoria da professora Paula Beiguelman*, publicado na revista Ciência & Cultura, Vol. 56, nº 3 – Julho/Setembro, 2004 — SBPC. Já no início do século passado, a administração pública paulista se preocupava com a questão do suprimento de água à capital do estado (de responsabilidade estadual) e também com o controle das inundações do Tietê, que cabia ao município. Assim, em 1904, o então secretário da agricultura do estado de São Paulo, doutor Luíz Piza, recomendava à Repartição de Águas que “organizasse um plano definitivo de estudos das águas do Tietê”. E, em 1912, era apresentado pelo engenheiro Henrique Novais um primeiro estudo, tratando da captação e adução das águas do rio Claro, nas cabeceiras do rio Tietê. Na década seguinte, a administração municipal contratava os serviços do engenheiro-sanitarista Saturnino de Brito que, em 1926, apresentava o seu importante projeto. Tratava-se, em essência, de construir uma barragem logo acima de Mogi das Cruzes e de pequenas barragens em degraus no curso dos formadores do Tietê, na altura desse mesmo município. Acresce que as cabeceiras do Tietê se situam em regiões sujeitas a uma das mais altas pluviosidades do mundo. Portanto, se concretizado o projeto apresentado por Saturnino de Brito, não apenas a vazão do rio seria regularizada e tornada uniforme, evitando a inundação das várzeas, como se conseguiria um armazenamento hídrico substancial, que serviria ao abastecimento de água potável à capital. A essa altura, a poderosa Light já visava instalar uma usina hidrelétrica a partir do lançamento do rio Grande no Cubatão. Também construíra uma represa de terra no rio Guarapiranga, afluente do Pinheiros, por sua vez tributário do Tietê. E, então, foi dado o xeque-mate na proposta Saturnino de Brito, por meio da astuciosa oferta de colaboração no abastecimento de água à cidade, por meio da represa de Guarapiranga. Como conseqüência, a adutora da Guarapiranga foi rapidamente construída e não se falou mais em represamento do Alto Tietê para o saneamento da capital. Não bastasse a manutenção do rio Tietê em regime de vazão variável, sem regularizá-lo através do represamento das águas a montante de São Paulo, a Light ainda represou o rio à jusante, por meio do alteamento da barragem de sua velha usina de Santana do Parnaíba (Edgard de...

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Rio Tietê, São Paulo e o Tatuapé
maio10

Rio Tietê, São Paulo e o Tatuapé

Há mais de duas décadas, a revista Alô Tatuapé se dedica ao passado histórico, fazendo levantamentos e garimpando as imagens remanescentes do bairro, que teve grande importância no desbravamento do interior, graças também à sua proximidade com o Rio Tietê. Gerson Soares Edição de imagens: aloimage Segundo o historiador Wanderley dos Santos, a origem do Tatuapé remonta à colonização de São Paulo e a concessão de Sesmaria a Brás Cubas, fidalgo e explorador português, que em 1536, desenvolveu a produção de cana-de-açúcar na recém-formada Capitania de São Vicente, aonde se tornou Capitão-mor em 1543. Sendo o maior proprietário de terras da baixada santista fundou o porto, uma capela e a Santa Casa de Misericórdia de todos os Santos – hospital que existe até hoje. Essas obras dariam origem a uma vila e depois à cidade de Santos. Em breve, sua determinação em escravizar os índios teria sido motivo para o surgimento da Confederação dos Tamoios, que levou vários chefes nativos a declarar guerra aos portugueses. E essa é mais uma longa história. Sobre o Tatuapé, consta que entre 1567 e 1593 aparece com o nome de Piqueri, daí o nome de um parque do bairro, que antes de se tornar um local público pertencia à Família Matarazzo. Por ser tão antigo e ter como referência o Rio Tietê, os caminhos da colonização e desbravamento percorrido pelas Bandeiras e Monções passaram por estas terras e a Casa do Tatuapé, na época erguida numa várzea do rio (que fica na Rua Guabijú, 49 – entre a Av. Celso Garcia próx. à Av. Salim Farah Maluf, e a Rua Ulisses Cruz), é apenas uma das marcas deixadas por eles. Portanto, para falar do Tatuapé e conhecer melhor o seu passado, voltamo-nos também para a história de São Paulo e do Rio Tietê. Suas águas começaram a sofrer com a urbanização da cidade, a partir das primeiras décadas do Século XX. Quase um século depois, a sociedade, cientistas e tantos outros grupos iniciam movimentos permanentes para ajudar o Tietê passar por São Paulo sem maltratá-lo. Foi no século passado que a administração da cidade preferiu priorizar os transportes, desviando-se do projeto de um renomado engenheiro sanitarista brasileiro: Saturnino de Brito. Respeitado internacionalmente e tendo suas idéias implantadas em países como E.U.A. e França, por aqui perdeu para os interesses econômicos e imobiliários. As consequências ecológicas e outros fatos são brilhantemente comentados nesta reportagem num artigo da emérita professora Paula Beiguelman da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP). As pedras e a areia do Tietê foram largamente usadas pela construção civil na cidade ajudando a impulsionar...

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Tietê: o rio de São Paulo
maio10

Tietê: o rio de São Paulo

Nascendo a apenas 20 Km do litoral, para ele seria muito mais fácil correr para o mar e cumprir sua missão, mas teimoso resolveu seguir ao contrário, para o interior. Tomara essa teimosia ainda salve as suas águas que desastrosamente ficam poluídas nos trechos próximos à capital e grande São Paulo. Para um corajoso rio, que desafia até mesmo a natureza, eis mais um obstáculo a ser superado: a despoluição e voltar a ser como era antes. Vamos conhecê-lo melhor e ampliar as condições para que um dia o Tietê volte a ter o verdadeiro sentido do seu nome: Rio Verdadeiro. Textos: Professor Fausto Henrique G. Nogueira (IFSP) | Edição: Gerson Soares | Edição de imagens: aloimage Os rios sempre possuíram uma importância capital para o desenvolvimento das civilizações, como o caso do Nilo para o Egito, do Tigre e o Eufrates, para a Mesopotâmia. Influenciaram a escolha do local a ser habitado, foram utilizados como vias de transporte, fornecedores de alimentos, para práticas esportivas e lazer. O paulistano que nasceu nas últimas três décadas, talvez desconheça a importância de um personagem central na nossa história: o Rio Tietê. Esse ilustre desconhecido é citado nas conversas diárias apenas pelo seu mau cheiro, pelas enchentes, ou então pela poluição que o caracteriza. Para o habitante da cidade é um vilão, um algoz que assola a nossa frágil paz urbana, tão caótica; não sendo mais um motivo de orgulho, parece fingir que o rio não existe, prefere não entender o caos das avenidas, as favelas ribeirinhas, as indústrias poluentes. Entretanto, este estorvo é fundamental na história da cidade e do país. Se hoje ele encontra-se nessa situação deplorável, foi pela intervenção criminosa e muitas vezes errônea do ser humano. Sua tranqüila existência como meio de comunicação para os índios foi quebrada com a chegada do europeu na época da Colônia, logo após a fundação de São Paulo. O Tietê nasce na cidade de Salesópolis a uma altitude de 1.030 metros na Serra do Mar, a 20 km do Atlântico. Diferentemente de outros rios – o que torna o Tietê bastante incomum – ele subverte a natureza e, ao invés de buscar o mar, se volta para o interior de São Paulo desaguando no rio Paraná, num percurso de quase 1.100 km. Essa característica foi bem expressada por Mário de Andrade: “Meu rio, meu Tietê, onde me levas? Sarcástico rio que contradizes o curso das águas E te afastas do mar e te adentras na terra dos homens, Onde me queres levar?… Por que me proíbes assim praias e mar, por que Me impedes a fama das tempestades do Atlântico E os lindos...

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Tietê na história paulista
maio10

Tietê na história paulista

Tietê: o rio de São Paulo Textos: Professor Fausto Henrique G. Nogueira (IFSP) | Edição: Gerson Soares | Edição de imagens: aloimage Para contar a história do rio Tietê, é preciso contar inicialmente a de São Paulo, da qual é símbolo, pois estão intimamente ligados pela história, pela geografia, pela cultura, e também pelas dificuldades. Ele foi fundamental durante as bandeiras, as monções, a cafeicultura, a industrialização. Por muitos anos, o Tietê foi a única via de acesso ao interior da província de São Paulo e, embora não navegável em alguns trechos, era o caminho mais rápido para se atingir o Estado do Mato Grosso. Além de sua importância histórica, possui um considerável significado econômico, ligado principalmente à produção de energia hidroelétrica imprescindível para o maior parque industrial da América do Sul. Também foi um local de lazer e entretenimento, mas desrespeitado pela cidade, tornou-se um esgoto a céu aberto. São Paulo foi fundada em 25 de janeiro de 1554, no local onde foi erguido o colégio dos jesuítas; lugar alto, em uma colina, excelente para a segurança, dando origem ao povoado de São Paulo de Piratininga. Possuía uma boa vista, cercado pelos rios Tamanduateí, Anhangabaú, e próximo ao rio Anhembi, que “corre de costas para o mar”. Até o século XVIII, o Tietê era o Anhembi. O verdadeiro nome do rio tem significado e origem ainda controverso. Das várias traduções e discussões a mais comum é aquela fornecida por Teodoro Sampaio e Afonso Taunay. Estes entendem que Anhembi refere-se a uma ave, o inhambu ou anhuma. Sergio Buarque de Holanda, registrou que “Anhembi quer dizer rio das Anhumas”, aves procuradas pelos caboclos. No ano de 1748, o nome de Tietê foi pela primeira vez registrado cartograficamente no mapa d’Anville (Jean Baptiste Bourguignon d’Anville – cartógrafo francês). Referia-se somente ao trecho situado entre a nascente e o salto de Itu, mas acabou prevalecendo para todo o rio. Ambos os nomes, Anhembi e Tietê, persistiram durante muito tempo. João Mendes de Almeida demonstrou que Tietê quer dizer “grande rio”, onde ti significa água, rio, e etê exprime o superlativo. Teodoro Sampaio afirmou que a grafia viria de tiê, “água corrente volumosa, verdadeira”, significando, portanto, “rio verdadeiro”.   Saiba mais Rio Tietê, São Paulo e o Tatuapé Tietê: o rio de São Paulo Tietê terra a dentro, entre monções e bandeiras Tietê no auge da cafeicultura Tietê e o projeto que mudaria São Paulo Rio Tietê é retificado e a cidade perde sua mais bela paisagem Problemas hidrológicos da grande São...

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Tietê terra a dentro, entre monções e bandeiras
maio10

Tietê terra a dentro, entre monções e bandeiras

Tietê: o rio de São Paulo Textos: Professor Fausto Henrique G. Nogueira (IFSP) | Edição: Gerson Soares | Edição de imagens: aloimage Por volta do Século XVI, o Tietê será fundamental para os Bandeirantes. As minas de ouro de Cuiabá eram abastecidas por paulistas que levavam em seus batelões (barcos) víveres e mantimentos. O sertão parecia fornecer a possibilidade de riqueza e houve um tempo de grande euforia. O rio era misterioso, pois corria terra a dentro. Inicia-se o ciclo das Monções que foram pintadas em diversos quadros por artistas como Almeida Júnior. As monções eram expedições fluviais povoadoras e comerciais que partiam e se embrenhavam depois do porto de Araritaguaba, povoado elevado a vila em 1797 com o nome de Porto Feliz, assim até hoje. Monção significa vento favorável à navegação e nessa época, o Tietê foi o caminho dos aventureiros que, em busca do sonho dourado, fundavam povoados às suas margens. Na manhã da partida era rezada uma missa para o sucesso da missão. Todos iam ao porto onde as embarcações recebiam a benção. A monção partia com salvas de mosquetes e aclamação da multidão que observava às margens do rio as dezenas e até centenas de canoas. As viagens eram perigosas e os rios cheios de obstáculos, costumavam acontecer naufrágios, doenças, ataques de índios. A imaginação supersticiosa dos caboclos mamelucos envolvia a existência de lendas no rio Tietê com seres sobrenaturais como o “Monstro de Pirataca”, representado por uma enorme serpente que habitava as profundezas escuras à jusante (vazante, direção das águas) no salto de Avanhandava, que devorava homens com seu apetite voraz. Havia também a “Canoa fantasma” que aparecia soturnamente nas manhãs nevoentas com sua tétrica tripulação – segundo o folclore era formada pelas almas dos bandeirantes que morriam afogados –, subindo ou descendo o rio e desaparecendo misteriosamente.   Saiba mais Rio Tietê, São Paulo e o Tatuapé Tietê: o rio de São Paulo Tietê na história paulista Tietê no auge da cafeicultura Tietê e o projeto que mudaria São Paulo Rio Tietê é retificado e a cidade perde sua mais bela paisagem Problemas hidrológicos da grande São...

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Tietê no auge da cafeicultura
maio10

Tietê no auge da cafeicultura

Tietê: o rio de São Paulo Textos: Professor Fausto Henrique G. Nogueira (IFSP) | Edição: Gerson Soares | Edição de imagens: aloimage No decorrer do século XIX, com o café sendo o maior produto de exportação do país, o Tietê também contribuiu para a expansão da cafeicultura, favorecendo a ocupação em direção ao extremo oeste paulista e a multiplicação de fazendas. No início do século XX e final do XIX desenvolveu-se a prática esportiva. Embora a poluição já fosse um problema, ainda não havia comprometido totalmente o rio que na capital permitia em muitos trechos a recreação, principalmente com os clubes localizados junto à Ponte Grande; foi durante muito tempo um “local pitoresco e aprazível”, onde grande parte da população desfrutou de momentos inesquecíveis. Com isso ganhou fama como área de lazer, reunindo nos finais de semana centenas de pessoas ávidas por diversão. Suas margens, acima de tudo, eram um espaço de festa: piqueniques, partidas de futebol, serenatas, pescarias, provas de remo e natação. Muitos clubes de regatas, como o Clube Esperia inaugurado em 1º de novembro de 1899; ou o Clube de Regatas Tietê, inaugurado em 6 de junho de 1907, ambos situados junto à Ponte Grande, foram surgindo atraídos pela beleza do local. Possuíam “portões” para embarque e desembarque em canoas, piscinas naturais e “cochos” – cercadinhos de madeira feitos dentro do próprio rio, perto da margem, nos quais instrutores dos clubes ensinavam crianças e adultos a nadar. Outros clubes foram fundados às margens do Tietê, como o Sport Club Corinthians Paulista em 10 de setembro de 1910, que tem um par de remos em seu escudo, lembrando a origem ligada ao rio; ou o Clube Esportivo da Penha, em 25 de dezembro de 1935. Nesse período organizaram-se diversas competições famosas como a Travessia de São Paulo a Nado, que teve importantes campeões como Victorio Filellini e João Havelange, ex-presidente da Fifa (Federação Internacional de Futebol Associado). Mocinhas e rapazes elegantes passeavam à beira do Tietê, um dos locais favoritos dos paulistanos para namorar, encontrar pessoas ou desfrutar da natureza. Com o aumento da poluição e a construção das marginais entre os anos 40 e 60 a harmonia existente entre os clubes e o rio foi progressivamente destruída e várias competições foram sendo abandonadas. O remo ainda resistiria por algum tempo, embora rareando, sendo realizada a última regata em 1972, “quando a poluição finalmente venceu os desportistas”. As provas de remo foram transferidas para a Raia Olímpica de Remo da Universidade de São Paulo. Este processo fez com que a cidade perdesse “o seu mais importante recurso natural”. Ao mesmo tempo, o curso do Tietê foi modificado com...

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Tietê e o projeto que mudaria São Paulo
maio10

Tietê e o projeto que mudaria São Paulo

Tietê: o rio de São Paulo Textos: Professor Fausto Henrique G. Nogueira (IFSP) | Edição: Gerson Soares | Edição de imagens: aloimage A preocupação com a retificação do Tietê é bem antiga. Em 1866 o presidente da Província de São Paulo, João Alfredo Correia de Oliveira, afirmou a sua necessidade, para poder utilizar o terreno das suas várzeas e também as do rio Tamanduateí. Nas primeiras décadas do século XX, desenvolveu-se o mito de que “São Paulo não pode parar”. Este processo de ocupação territorial e de industrialização ocorreu de forma “caótica”, não levando em consideração a noção de qualidade de vida. A administração pública, no final do século XIX já encarregara-se da organização de uma Comissão de Saneamento que “estabeleceu” o Tietê como responsável pelas cheias. Na década de 20 surgiu a “Companhia de Melhoramentos de São Paulo”, reunindo sanitaristas e engenheiros, que defenderam a necessidade de retificação do curso sinuoso, além do desassoreamento de seu leito. Entre eles fora contratado o engenheiro sanitarista Francisco Rodrigues Saturnino de Brito, autor de diversos trabalhos sobre o rio. Saturnino, num relatório publicado em 1926, previa a preservação das áreas alagadas, as chamadas “coroas”, como recurso natural para ajudar na contenção das enchentes e servir de referência dentro da paisagem do parque fluvial urbano por ele imaginado para São Paulo. O seu projeto visualizava um grande parque metropolitano que seria a faixa do leito maior, preservado como várzea ao longo do rio para as grandes vazões do Tietê na época das cheias. Na foz de cada afluente do rio deveria ser preservada uma área para se formar um lago. Assim se formariam dois lagos de 3 km de extensão por 1 km de largura, com uma ilha no meio.   Saiba mais Rio Tietê, São Paulo e o Tatuapé Tietê: o rio de São Paulo Tietê na história paulista Tietê terra a dentro, entre monções e bandeiras Tietê no auge da cafeicultura Rio Tietê é retificado e a cidade perde sua mais bela paisagem Problemas hidrológicos da grande São...

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Rio Tietê é retificado e a cidade perde sua mais bela paisagem
maio10

Rio Tietê é retificado e a cidade perde sua mais bela paisagem

Tietê: o rio de São Paulo Textos: Professor Fausto Henrique G. Nogueira (IFSP) | Edição: Gerson Soares | Edição de imagens: aloimage O projeto de Saturnino de Brito foi descartado pela administração seguinte que preferiu implantar o “Plano de Avenidas”, elaborado pelo engenheiro, mais tarde prefeito de São Paulo, Francisco Prestes Maia, coordenador da Comissão de Melhoramentos do Rio Tietê. Essa comissão cuidou ainda do aproveitamento da várzea, projetando a construção de duas extensas avenidas marginais e 20 pontes, permitindo, com isso, sua ocupação por loteamentos e logradouros públicos, além da instalação de um grande terminal ferroviário que centralizaria as comunicações com a capital. A várzea não foi mantida, fez-se a canalização, e o rio sofreu com a instalação de empresas ao longo de suas margens. O Tietê foi, assim, progressivamente sufocado pelo suposto “progresso” e a ocupação territorial, demográfica, industrial das várzeas, sem controle. Os loteamentos se sucederam sem respeitar uma lógica ordenadora da cidade, mas levando-se em consideração apenas os interesses econômicos. O processo de destruição da paisagem natural do rio e de seus afluentes se baseou, dessa forma, na ocupação do seu leito maior e no confinamento de suas águas em estreitos canais retificados, a partir de uma lógica de fazer uma avenida paralela ao canal do Tietê, uma rodovia urbana. A opção escolhida foi a de aumentar a velocidade de vazão das águas, aumentando a declividade com a retificação e depois aterrar o máximo possível o antigo leito maior (as várzeas), a fim de lotear e vender áreas públicas. Mas o que se caracterizou foram constantes problemas, como as enchentes e a poluição. O rio invadia as antigas várzeas, e trazia depósitos de moscas e pernilongos. Ocorreram enchentes históricas como a de 1929, que foi catastrófica. Atualmente os paulistanos continuam a sofrer com as cheias, principalmente pela intensa urbanização que reduziu a área de absorção das chuvas, e por muitos planejadores terem desprezado a distribuição lógica das áreas de contenção das águas fluviais. No que se refere à poluição, embora existam considerações a respeito no século XVII, sobre exploração de ouro, o problema se agravou com o processo de industrialização. A cidade cresceu de forma desorganizada, sendo descarregados os esgotos industriais e ocupadas as várzeas. Para piorar a situação, nos anos 40 e 50 o prefeito Adhemar de Barros resolveu interligar as redes de esgotos sanitários da cidade, fazendo-as desembocar no Tietê. Nos últimos anos cresceu a conscientização sobre a necessidade de sua recuperação, através de movimentos, grupos de caráter científico e de comunidades preocupadas com o grau de poluição. Para todos estes, a saudosa imagem do Rio Tietê com as suas regatas e uma vida...

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