Competição estimula cientistas a divulgar conceitos científicos, vídeo


Quarta-feira, 10 de maio de 2017 às 12h36


Nada de explanações complicadas, cheias de termos técnicos e fora de contexto. Foi simulando uma conversa de bar, daquelas que fazem rir, instigam a curiosidade para saber o final e até mesmo obrigam a que se tome partido, que Felipe Costa, aluno de pós-graduação em Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), filiado à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Maranhão (Fapema), venceu o FameLab Brasil 2017, a competição de comunicação científica realizada no dia 5 de maio no Museu do Amanhã, Rio de Janeiro.

Maria Fernanda Ziegler, do Rio de Janeiro | Agência FAPESP

Foi a segunda edição da competição de comunicação científica no Brasil, uma parceria do British Council com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Conselho das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), a FAPESP e o Museu do Amanhã.

O tema da conversa de Costa, no entanto, foi bem inusitado: o geopolímero feito a partir das cinzas das termelétricas como alternativa sustentável ao cimento. De acordo com o pesquisador, é um material muito similar ao cimento e ao concreto (depois de misturado a areia, pedra e água), podendo atingir resistências ainda maiores e resolvendo uma questão ambiental importante e que todos estão a par.

 

Felipe Costa, aluno de pós-graduação em Engenharia Civil da UFRGS, filiado à Fapema, venceu o FameLab Brasil 2017. Foto: Marcos Gouvêa Fotografia

 

“Sabias que para construir o Museu do Amanhã foram necessárias duas toneladas de cimento? Sabias que depois da água o material mais consumido pelo ser humano é o concreto? E que para produzir uma tonelada de cimento são emitidos 800 quilos de CO2 na atmosfera, o equivalente a 3 mil ônibus rodando?”, perguntou à plateia. Para em seguida explicar sobre o geopolímero que pode ser uma alternativa ao cimento.

Costa vai representar o Brasil no FameLab International que ocorre em junho na Inglaterra, durante um dos mais prestigiados eventos científicos do mundo, o Festival de Ciência de Cheltenham. A disputa contará com a participação de 30 concorrentes, ganhadores das etapas da competição em diversos países.

“Eu sou pesquisador e uma bandeira que defendo é que nós, cientistas, temos que criar o hábito de comunicar, divulgar as nossas pesquisas, as nossas descobertas, pois é a partir dessa divulgação que vamos conseguir levantar a real importância do investimento em ciência para a população de uma maneira geral. Às vezes são coisas banais: divulgar no Facebook, falar com o vizinho, explicar para a família o que você faz”, disse à Agência FAPESP.

O FameLab não deixa de ser uma aula de ciências. Em três minutos, cada um dos 11 finalistas apresentou temas como a “comunicação” das plantas, teoria do caos, o funcionamento da melanina, como o exercício físico atua no corpo e temas “cabeludos” como cristalografia e difração por raio X, além de bactérias persistentes e antibióticos. Tanto que na plateia da final da competição, além de pesquisadores, orientadores e parentes dos finalistas, havia crianças que certamente tiveram uma noite de muito aprendizado.

Os finalistas tiveram que utilizar seus três minutos para esclarecer um conceito cientifico de forma lúdica e criativa para provar que são bons comunicadores. Tudo isso sem ajuda de Power-Point, de imagem ou recurso sonoro.

O desempenho de cada um deles foi avaliado por um júri que levou em conta quesitos como conteúdo, clareza e carisma. No total, a competição contou com a participação de 45 inscritos do Brasil inteiro, que mandaram vídeos com apresentações em inglês e em português. Entre eles foram escolhidos os 20 finalistas que se apresentaram na semifinal, no dia 2 de maio, no Museu do Amanhã.

Por uma questão de empate, os jurados selecionaram 11 finalistas, que passaram por treinamento na semana passada com o jornalista britânico Malcom Love, ex-produtor e apresentador da rede britânica BBC.

“Foram vários aprendizados. Na competição eu tive contato com participantes de diversas áreas. É um network muito engrandecedor e o melhor é essa noção da importância de divulgar ciência”, disse Costa.

O concurso FameLab foi lançado em 2004 pelo Festival de Ciência de Cheltenham, na Inglaterra, e está presente em 32 países. “A FAPESP tem especial apreço por essa competição. Foi em 2015 na Fapesp Week, que o professor Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, tomou conhecimento desse concurso. Na primeira edição, realizada no ano passado, participaram apenas pesquisadores do Estado de São Paulo. Agora, com a entrada da Confap e do CNPq, pesquisadores de todo o Brasil participaram”, disse Glenda Mezarobba, gerente de área para colaborações em pesquisa da FAPESP.


Para mais informações sobre o FameLabBrasil: www.britishcouncil.org.br/famelab.

Material menos poluente é tema de apresentação vencedora no FameLab Brasil

 

Conheça os outros 10 finalistas do FameLab Brasil 2017

Conheça os outros 10 finalistas do FameLab Brasil 2017

Leonardo Vinicius Monteiro de Assis Doutorando no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e filiado à FAPESP. Sua pesquisa tem como foco a modulação dos genes de relógio, de reparo de DNA e de síntese de melanina pela radiação UVA em melanócitos.

Lívia Sperandio Caetano Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Atualmente, é integrante do programa de pós-graduação em Ecologia de Ecossistemas da Universidade Vila Velha (UVV) com o tema “Efeitos do chumbo associados à elevação do CO2 em cavalo-marinho (Hippocampus reidi)” e filiada à Fapes.

Mirian Ayumi Kurauti É aluna de doutorado em Biologia Funcional e Molecular (área de Fisiologia) no Laboratório de Pâncreas Endócrino e Metabolismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e filiada à FAPESP, sob orientação do Professor Doutor Antonio Carlos Boschero.

Pamela de Oliveira Pena Aluna de mestrado no Instituto de Ciência Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), atuando nos seguintes temas: microbiologia aplicada, clonagem, expressão e purificação de proteínas recombinantes e biologia estrutural, sendo filiada à FAPESP.

Paula Maria Moreira Martins Doutora em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) e, atualmente, no Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e filiada à FAPESP. Tem experiência em biologia molecular e microbiologia. Trabalha com sistemas toxina-antitoxinas em Xanthomonas citri subsp. Citri.

Rafael Barros Pereira Pinheiro Doutorando em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e filiado ao CNPq. Em seu projeto de doutorado, estuda a ecologia e evolução de interações ecológicas, sobretudo interações de parasitismo e mutualismo.

Raquel Caserta No momento, desenvolve seu pós-doutorado no Instituto Agronômico (IAC), filiada ao CNPq, com transformação genética de citros visando resistência contra a Xylella fastidiosa. Tem experiência na área de Genética Molecular e de Microrganismos e Transformação de Plantas.

Rebeka Tomasin Pós-doutoranda na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e filiada ao CNPq. Possui experiência nas áreas de Fisiologia Experimental do Câncer e Metástase, com ênfase em modelos murinos de câncer de mama triplo negativo, RNA de interferência, screens in vivo e in vitro para identificação de genes reguladores de metástase, caquexia associada ao câncer, apoptose e proliferação celular.

Renata Callegari Ferrari Foi bolsista do programa Ciências Sem Fronteiras na University of Manchester, na Inglaterra. Durante esse período, realizou estágio no laboratório de Martin Humphries (Humphries Lab - Faculty of Life Sciences/University of Manchester). Atualmente, é doutoranda do Laboratório de Fisiologia do Desenvolvimento Vegetal (IB) da Universidade de São Paulo (USP), sendo filiada à FAPESP.

Sara Malvar Mauá Graduada pela Universidade de Brasília (UnB) em Engenharia Elétrica com ênfase em controle e análise dinâmica não linear. Possui mestrado em Ciências Mecânicas também pela UnB, na área de mecânica dos fluidos. Atualmente, é doutoranda em um programa de cotutela com a University of Pennsylvania, nos Estados Unidos, e a Universidade de São Paulo (USP), sendo filiada à FAPESP.

Estudo desvenda como são produzidas as partículas que alimentam as nuvens da Amazônia. Imagem: Nature, Wang et al

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