Consumo de água da AL e Caribe depende da proteção das florestas, alerta FAO


Quinta-feira, 24 de março de 2016 às 12h42


Região concentra 23,4% de todas as áreas florestais do mundo. Embora desmatamento tenha diminuído, média regional de destruição das matas permanece acima de nível global. Florestas são essenciais para sustentar ciclos hídricos da América Latina e Caribe, onde o ritmo de consumo da água duplicou nos últimos 30 ano

ONU Brasil

Nesta segunda-feira (21), Dia Internacional das Florestas e da Árvore, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) chamou atenção para a situação da América Latina e do Caribe, onde estão localizadas 23,4% de todas as áreas florestais do mundo. A região também concentra 29% do volume global de precipitações.

“A água e as florestas estão inteiramente ligadas”, explicou o representante da Unidade Florestal da agência da ONU, Jorge Meza. “As árvores filtram a água, aumentam os níveis de umidade no ar e a incorporam mais profundamente na terra.”

 

Mudanças climáticas ameaçam a Amazônia e, consequentemente, disponibilidade de recursos hídricos para países da região. Foto: Flickr (CC) / Dams999

Mudanças climáticas ameaçam a Amazônia e, consequentemente, disponibilidade de recursos hídricos para países da região. Foto: Flickr (CC) / Dams999

 

Em 2016, as comemorações do Dia Internacional tiveram como tema a relação entre as matas e os ciclos hídricos.

Segundo a FAO, em âmbito mundial, as bacias hidrográficas e as zonas úmidas florestais fornecem até 75% dos recursos de água doce. Um exemplo significativo é a bacia do Rio de la Plata: mais de 70% da pluviometria da região vem da evaporação e transpiração da selva amazônica.

A Organização destacou também outras contribuições positivas das florestas para os ecossistemas. As matas podem reduzir os efeitos das inundações, além de prevenir e reduzir a salinidade das terras áridas e a desertificação.

A seca é um dos sintomas mais negativos das mudanças climáticas em curso no planeta. Graças à sua capacidade de armazenar água, as árvores e os bosques podem fortalecer a resiliência dos povos em relação a estiagens.
Desmatamento diminuiu na América Latina e no Caribe, mas perdas anuais de território florestal continuam acima da média mundial

A FAO alertou os países da América Latina e do Caribe para os riscos do desmatamento. Para a agência da ONU, o manejo florestal responsável é uma ferramenta importante para melhorar a quantidade e a qualidade da água disponível para o uso humano.

De acordo com a Organização, o desmatamento registrou quedas consistentes. Entre 1990 e 2000, em média, 4,5 milhões de hectares eram perdidos por ano. Já entre 2010 e 2015, essas perdas caíram para 2,18 milhões de hectares, principalmente devido à redução do desflorestamento no Brasil, no Cone Sul e na região mesoamericana.

O Caribe tem registrado um crescimento nas áreas florestais em locais que antes eram plantações da cana de açúcar e outras terras agrícolas. No resto da América Latina, porém, apenas Chile, Costa Rica e Uruguai apresentaram uma expansão das terras ocupadas por florestas.

Apesar de alguns avanços, a região continua com médias de desmatamento acima das taxas globais, o que ameaça os ciclos hídricos dos países.
Consumo de água dobrou na região; mudanças climáticas afetarão florestas e, consequentemente, disponibilidade de recursos hídricos

Segundo a FAO, nas três últimas décadas, a extração de água duplicou na América Latina e no Caribe. Em média, na região, o setor agrícola e, especialmente, a agricultura irrigada utilizam a maior parte dos recursos hídricos, sendo responsáveis por 70% do consumo. Uso doméstico responde por 20% e indústria, por 10%.

Esse ritmo de crescimento do consumo foi muito superior ao do resto do mundo, de acordo com a avaliação da FAO. A agência enfatizou que o volume de água disponível no futuro, porém, poderá ser altamente afetado por transformações do clima, principalmente por conta da redução das terras florestais na região.

“As mudanças climáticas afetam a saúde e a qualidade das florestas e a disponibilidade de água, sendo que este efeito é ampliado pela degradação dos solos devido à expansão das áreas de cultivos em locais não apropriados e a intensificação da produção e do uso inadequado de insumos agrícolas”, explicou Meza.

Especialistas preveem uma substituição gradual das florestas tropicais por savanas no leste da Amazônia e também da vegetação semiárida por coberturas vegetais de áreas áridas, em função do aumento da temperatura e da diminuição de água no solo.

“(...)Mas agora o Brasil não pode ignorar mais essa situação, o problema veio à tona e é preciso lidar com ele agora”. Foto: FGBPN / divulgação

Água: “(...)Mas agora o Brasil não pode ignorar mais essa situação, o problema veio à tona e é preciso lidar com ele agora”. Foto: FGBPN / divulgação

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