Convivência social com usuários de maconha

Quarta-feira, 20 de agosto de 2014 às 8h45 – Atualizado às 15h07

Gerson Soares

Aos que defendem a liberação desse entorpecente, num país tão atrasado quanto o Brasil, faço algumas sugestões. Mas, antes de prosseguir, cabe aqui um parêntese, para lembrar que o atraso mencionado se refere às bases estruturais e institucionais do país, que envolvem, por conseguinte, as esferas da justiça e a educação.

 

Foto ilustrativa: Stock Photo / aloimage

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Sugiro que quando falarmos em liberação ela comece pela casa de quem assim pensa. Se for a favor da liberação, que implica no livre comércio e acesso ainda mais facilitado, no caso de ser ou ter usuários em família, que permita o uso da droga em seu lar, já que seria incoerente defender o uso apenas longe das próprias vistas, porém perturbando a tranquilidade de quem não comunga com esse pensamento.

O direito de usar drogas deve ter a mesma relevância para os contrários, que não compartilham da ideia. Ninguém é obrigado a assistir o uso de drogas em frente sua casa, seu local de trabalho, seu colégio ou parquinho de diversões de uma praça pública. Assim como não deveria se interpor ao livre arbítrio do usuário estando ele no interior do seu domicílio. Muito parecido com o que acontece hoje com o tabagismo.

Portanto, na casa de quem defende a liberação, depois do jantar, será possível chamar a família e sentarem-se todos para fumar maconha. É lógico respeitando as preferências. Imaginemos esta situação: o pai, a mãe, o vovô e a vovó, assistindo TV ou curtindo uma música bacana. A mamãe amamentando seu bebê, que muito mais novo chegou de surpresa, um presente para a família. Enquanto isso, os dois filhos mais velhos, um menino e uma menina, digamos com 13 e 15 anos, fumam maconha e tomam bebidas alcoólicas para curtir o som com os familiares. O leite materno certamente teria um gosto diferente.

Agora pensemos em outra situação. Um garoto que completou 16 anos assim que concluiu o ensino médio. Opa! Este deve ser estudioso, esta é uma façanha, um orgulho para os pais, que trabalham o dia inteiro fora e ralam para dar-lhe essa oportunidade. Quando o rapaz sair para o primeiro dia no estágio de informática que arranjou por sorte e competência, na área que pretende cursar, encontra seus amigos fumando maconha na porta de casa, ali mesmo na esquina da sua rua. Ele sabe que alguns já estão em outro nível: cheiram cocaína e fumam crack. Não quer se integrar a isso, sente-se ameaçado pelos outros que o hostilizam por ser diferente.

Os pais do garoto não fumam maconha, não gostam e nem teriam tempo para comprar, sabem que o tráfico alimenta o crime. O rapaz também não poderia pensar nisso, tem outras coisas a fazer, o futuro é importante. Está de olho numa linda mocinha que conheceu na escola, o adolescente já pensa até em casar com ela. Bobagem, coisa de criança! Normal, o amor brota na cabeça dele que está caminhando para se tornar adulto.

Há muito tempo, o convívio social mudou. Hoje em dia, enquanto almoçam ou tomam seu café da manhã, as pessoas leem o celular. Antigamente, conversavam. Se um aparelho de TV estiver ligado, lá estarão os olhos. Antes, os olhares podiam falar. Bastava que o pai olhasse por cima dos óculos para que a filha entendesse a recusa de um pedido feito. A mídia, as redes e infelizmente as drogas, estariam tomando o lugar das palavras e a atenção da família? Esta pergunta está sendo respondida agora mesmo. Arrisco-me, dizer: olhe ao seu redor.

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Autor: alotatuape

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