Corte do orçamento: saúde dos brasileiros não é prioridade do Governo

Médico Florisval Meinão, presidente da Associação Paulista de Medicina

Ilustração: aloart


Terça-feira, 2 de junho de 2015, às 08h35


O Governo Federal divulgou, em 22 de maio, o maior corte de orçamento da história do Brasil: R$ 69,9 bilhões. As áreas sociais foram as mais prejudicadas. Nossa “Pátria Educadora”, lema do segundo mandato de Dilma Rousseff, tirou nada menos do que R$ 9,423 bilhões do MEC. Já a combalida saúde dos brasileiros, que há anos beira a UTI por absoluta insuficiência de recursos, perdeu R$ 11,774 bilhões.

Não discuto, aqui, a evidente necessidade de um ajuste nas contas públicas, fruto de má gestão financeira e corrupção recorrente. Contudo, esperávamos que o ônus do desequilíbrio econômico fosse absorvido pelo Governo, pois tinha a obrigação de cortar a própria pele para equilibrar o caixa. Mas isso não ocorreu. O grosso da conta, mais uma vez, ficou para os mais vulneráveis socialmente.

Falando em especial da saúde há evidências de que o sofrimento dos cidadãos deve ser agravado nos próximos meses e anos. A carência de recursos vai inibir investimentos, desvalorizar salários, afastar médicos e demais profissionais de saúde da rede pública e tornar o acesso cada vez mais complicado.

Aliás, ser atendido no SUS já é um desafio quase intransponível, como atestado pela mais recente pesquisa encomendada da Associação Paulista de Medicina, em parceria com o Conselho Federal de Medicina, ao Datafolha. Vale lembrar os resultados: cerca de 7 em cada 10 entrevistados avaliaram como difícil ou muito difícil esse acesso, desde a marcação de consultas até a longa espera para realização de cirurgias. A despeito de ser considerada a área social mais importante por parcela expressiva da população, a julgar pelo corte ora implantado, esta não é a visão do atual governo.


Curiosamente, o ministério da Saúde afirma que os programas de sua pasta não serão afetados. Impossível! O orçamento original já era escasso, além de estar comprometido com o empenho de recursos para ações polêmicas como o Mais Médicos, que leva em seu bojo transação obscura entre Brasil e Cuba.

Enfim, o horizonte imediato é preocupante e a sociedade precisa agir imediatamente a fim de defender um bem que é nosso de direito – saúde pública de qualidade e de fácil acesso a todos, valorizada e atualizada, capaz de prover condições de diagnóstico e tratamento adequados.

Situação de hospitais e postos de saúde da família no Brasil em 2013. Foto: Divulgação/CFM

Leia mais sobre
ARTIGOS

 

Leia as últimas publicações

Recent Videos

Programa PIPE para inovação em São Paulo, vídeo
Deputados querem votar mudanças no sistema eleitoral e fundo público de campanhas, vídeo
Continue acompanhando do espaço os movimentos do furacão Irma, vídeo
Liderada pelo deputado André Fufuca, Câmara vota pautas importantes
Sessão conjunta do Congresso Nacional, ao vivo
Plenário da Câmara dos Deputados, ao vivo
Acompanhe a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer, ao vivo
Telescópio Gigante Magalhães, vídeo
  • Programa PIPE para inovação em São Paulo, vídeo

  • Deputados querem votar mudanças no sistema eleitoral e fundo público de campanhas, vídeo

  • Continue acompanhando do espaço os movimentos do furacão Irma, vídeo

  • Liderada pelo deputado André Fufuca, Câmara vota pautas importantes

  • Sessão conjunta do Congresso Nacional, ao vivo

  • Plenário da Câmara dos Deputados, ao vivo

  • Acompanhe a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer, ao vivo

  • Telescópio Gigante Magalhães, vídeo

Categorias

alotatuape

Autor: alotatuape

Share This Post On

Enviar um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*