CPI da Petrobras: ex-gerente diz que sofreu por denunciar irregularidades

Quinta-feira, 24 de setembro de 2015, às 04h39

 

Operação Lava Jato que investiga o escândalo de corrupção conhecido como Petrolão. Ilustração: aloart

Operação Lava Jato que investiga o escândalo de corrupção conhecido como Petrolão. Ilustração: aloart

A ex-gerente executiva da estatal denunciou superfaturamento em obras da construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A refinaria teve um custo inicial estimado em 2,5 bilhões de dólares, mas já consumiu cerca de 18,5 bilhões de dólares.

Agência Câmara de Notícias

A ex-gerente executiva da área de Abastecimento da Petrobras Venina Velosa da Fonseca repetiu, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, denúncias de que a direção da estatal sabia de irregularidades em contratos, acusou o ex-presidente da empresa José Sérgio Gabrielli de conivente, mas foi questionada por deputados a respeito de suas motivações e seu suposto envolvimento em irregularidades.

 

Venina Velosa, ex-gerente da Petrobras, disse que o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli foi conivente com as irregularidades. Foto: Luis Macedo - Câmara dos Deputados

Venina Velosa, ex-gerente da Petrobras, disse que o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli foi conivente com as irregularidades. Foto: Luis Macedo - Câmara dos Deputados

 

Ela voltou a dizer que foi afastada do cargo e perseguida administrativamente depois de denunciar superfaturamento em obras da Petrobras. Entre outras irregularidades, ela levantou suspeitas sobre a construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e sobre gastos na área de comunicação da estatal.

A refinaria teve um custo inicial estimado em 2,5 bilhões de dólares, mas já consumiu cerca de 18,5 bilhões de dólares, ou R$ 74,925 bilhões em valores atualizados.

A ex-gerente reafirmou ainda ter alertado pessoalmente a ex-presidente da Petrobras, Graça Foster, entre 2009 e 2001. Foster, em depoimento à CPI, negou ter recebido as denúncias.

A Petrobras, por outro lado, incluiu Venina em uma lista de funcionários responsabilizados por prejuízos em contratos e licitações da empresa.

Acusações

Venina foi acusada, por uma investigação interna, de responsabilidade em quatro irregularidades – uma delas a de não levar em conta um desconto de R$ 25 milhões oferecido pela empreiteira Alusa para o fornecimento de máquinas e equipamentos para as obras da Abreu e Lima.

Venina, na época, era subordinada a Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras e um dos principais delatores do esquema de desvio de recursos da estatal.

Outra irregularidade atribuída a ela foi ter assinado, junto com o então gerente da área de Serviços, Pedro Barusco, um plano para a antecipação das obras da refinaria, o que teria dado prejuízos à empresa.

Barusco, um dos delatores da Operação Lava Jato, admitiu, em depoimento à CPI, ter recebido 70 milhões de dólares em propinas entre 1997 e 2013, dinheiro que totalizou 97 milhões de dólares, com os rendimentos, em contas no exterior. Barusco era o braço direito do então diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque.

Defesa

Venina se defendeu das acusações. “Eu não participei dessas reuniões em que a Alusa fez o desconto”, disse ela ao responder pergunta do deputado Ivan Valente (Psol-SP).

“Também não estava na minha área de atuação apresentar plano de antecipação da refinaria. Eu fiz o plano a pedido do Paulo Roberto Costa. A minha responsabilidade foi fazer o documento de encaminhamento”, explicou.

Gabrielli

Venina disse ainda que o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli tinha conhecimento das irregularidades na construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Ela afirmou em depoimentos à Polícia federal que houve uma “escalada de preços” nas obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, depois que o ex-diretor de Serviços da estatal, Renato Duque, desaprovou o novo modelo de contrato que responsabilizaria as empresas contratadas em caso de prejuízos.

Ela disse que o novo modelo foi discutido em uma reunião com as presenças de Gabrielli, Duque e Fernando Sá, então gerente jurídico que foi afastado de suas funções depois de denunciar a existência de cartel na empresa.

Presidente Lula

Ela confirmou episódio que já havia detalhado em entrevistas e depoimentos à Justiça Federal a respeito da reação do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, à denúncia feita por ela sobre irregularidades no setor de comunicação da estatal.

A denúncia relativa a serviços de comunicação está entre as que a ex-gerente afirma ter comunicado à direção da Petrobras. Segundo ela, a Petrobras pagou por serviços não feitos. O orçamento inicial da área de comunicação era de R$ 39 milhões, mas foram pagos R$ 133 milhões.

Venina disse ter cobrado a apuração do caso em conversa com Paulo Roberto Costa. “Ele apontou para a sala do presidente Gabrielli e para o retrato do presidente Lula e perguntou se eu queria derrubar todo mundo”, disse ela, ao responder pergunta do deputado Bruno Covas (PSDB-SP).

“Isso é um indício de que Lula e (José Sérgio) Gabrielli (ex-presidente da Petrobras) tinham conhecimento do problema?”, perguntou o deputado.

“Gabrielli estava dentro da Petrobras. Lula eu não posso afirmar”, respondeu Venina.

Ela disse ter recomendado a demissão do gerente da área comunicação, Geovani de Moraes, o que só aconteceu quatro anos depois da investigação, que concluiu que houve realmente pagamento por serviços não prestados.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) defendeu o aprofundamento das investigações sobre Gabrielli. “Geovani é ligado ao PT da Bahia, tanto a Gabrielli quanto a Jaques Wagner (hoje Ministro da Defesa)”, disse Lorenzoni.

Reportagem de Antonio Vital
Venina Velosa disse que foi 'exilada' em Cingapura, depois de fazer denúncias a respeito de irregularidades na Petrobras. Foto: Luis Macedo - Câmara dos Deputados

Venina Velosa disse que foi 'exilada' em Cingapura, depois de fazer denúncias a respeito de irregularidades na Petrobras. Foto: Luis Macedo - Câmara dos Deputados

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