Criação do Parque Minhocão gera polêmica

Reunião lotou o auditório Prestes Maia, na Câmara Municipal. Foto: Luiz França / CMSP

Quarta-feira, 10 de setembro de 2014, às 09h53 – Atualizado às 10h57


Como previsto, a transformação do Minhocão em parque gerou polêmica durante a audiência realizada na CMSP. A repercussão sobre o assunto foi divulgada no final da noite de ontem.

Por Jeldean Silveira, da redação da CMSP
Edição final: Alô São Paulo

Moradores, urbanistas e associações discutiram nesta terça-feira (9) na Câmara Municipal de São Paulo (CMSP), o Projeto de Lei (PL) 10/2014, que dispõe sobre a criação do Parque Municipal do Minhocão e prevê sua desativação gradativa. A proposta foi debatida em uma audiência pública promovida pela Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa (CCJ) da Câmara.

Durante o encontro, alguns moradores defenderam a proposta, lembrando que a região conta com poucas áreas de lazer. Outros temem que o parque não acabe com os problemas atuais de quem vive ao longo do viaduto, ou até intensifique alguns deles.

Inaugurado em 1971, o Elevado Presidente Costa e Silva, o popular Minhocão, é uma via expressa elevada que liga a região da Praça Roosevelt, no centro da cidade, ao Largo Padre Péricles, em Perdizes. Foi construído com o intuito de desafogar o trânsito de vias que, por cortar regiões centrais da cidade, não poderiam ser alargadas para ampliar sua capacidade.

O PL que cria o parque municipal é proposto pelos vereadores José Police Neto (PSD), Nabil Bonduki (PT), Toninho Vespoli (PSOL), Ricardo Young (PPS), Goulart (PSD), Natalini (PV) e Floriano Pesaro (PSDB). O objetivo do projeto é diminuir os transtornos enfrentados pelos moradores da região por conta do viaduto.

O vereador Nabil Bonduki (PT), lembrou que a falta de estudos dos impactos ambientais e urbanos para a construção do elevado gerou os atuais problemas relatados pelos moradores e urbanistas. Entre as principais queixas estão à poluição sonora, visual, ambiental e a falta de segurança.

Bonduki lembrou que o Plano Diretor Estratégico determina a desativação do Minhocão, embora deixe o detalhamento de como isso será feito para uma lei futura. “Esta determinação deixa em aberto como podemos definir um melhor aproveitamento desta

região. Seja com demolição, desmonte ou aproveitamento da estrutura. Este processo de discussão que estamos iniciando hoje é muito positivo para criação de um projeto que realmente contemple as necessidades de todos”, disse o vereador.

Atualmente, o Minhocão funciona de segunda a sábado, das 6h30 às 21h30, permanecendo fechado para veículos nos demais dias e horários, inclusive em feriados nacionais, quando é aberto apenas a pedestres e ciclistas.

O paisagista David Abrão Calisto é morador da região e acredita que com a criação do parque os impactos negativos causados pela estrutura devem aumentar. Ele é a favor do desmonte da estrutura.

“Hoje, quando o Elevado fecha, às 21h30, já existe grande movimentação de tráfico e consumo de drogas, sexo explícito e homossexuais. Imagine quando este parque estiver funcionando? Mesmo que feche às 21h, o problema não estará resolvido, existem muitos mendigos e usuários de drogas que vivem embaixo da estrutura. Vai virar uma nova cracolândia. Os interessados na criação do parque moram a três quadras do Minhocão. É interessante porque não é na porta deles”, afirmou Calisto.

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Autor: alotatuape

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