Datafolha aponta que pediatras sofrem agressão física no exercício da profissão


Terça-feira, 28 de abril de 2015, às 09h37


A pesquisa do Datafolha apontou que 7 de cada 10 pediatras sofrem agressão física no exercício da profissão.

A Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) encomendou, junto ao Instituto Datafolha, pesquisa sobre o perfil do pediatra no Estado. Entre os resultados, um dado alarmante: a violência que cerceia a rotina destes profissionais.

 

Médicos, assim como os cidadãos, também são vítimas da deterioração do sistema de saúde. Foto ilustrativa.

Médicos, assim como os cidadãos, também são vítimas da deterioração do sistema de saúde. Foto ilustrativa.

 

Sete em cada dez pediatras passaram por algum tipo de ato violento durante o exercício profissional. Destes, 63% relatam agressão psicológica, 10% física e 4% vivenciaram algum tipo de cyberbullyng. Nota-se, ainda, que quanto mais jovem, maior o registro de ataques: 74% dos que confirmaram algum episódio de agressão têm entre 27 e 34 anos, contra 43% para aqueles com 60 anos ou mais.

“Nós temos uma falha no sistema de saúde que reflete na qualidade do atendimento: o pronto socorro substituindo as consultas rotineiras. Pela dificuldade de agendar consultas, as mães recorrem ao PS, com a ideia de que terá resolutividade imediata”, frisa dr. Mário Roberto Hirschheimer, presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

Ele atribui esse fator como um dos causadores da frustração e revolta dos pais, com a consequência de atos violentos contra os médicos. Estas agressões refletem, também, a deficiência da saúde.

“Faço questão de ressaltar que, no momento, pelo aumento da demanda nos prontos socorros, os casos de agressão aos profissionais que lá trabalham sobrecarregados têm aumentado, lamentavelmente, pois somos tão vítimas do mau funcionamento do sistema quanto os cidadãos. Fica um apelo: só procurem os prontos socorros em casos de urgência ou emergência, já que também há o risco de contágio nas salas de espera lotadas”.

Atualmente, São Paulo conta com um pediatra para cada 1390 crianças. “Isso no Estado que tem 28,8% dos pediatras do país.”, conta Hirschheimer. “Para agravar mais a situação, a rede pública remunera mal o médico, sobretudo quando comparada aos plantões na rede privada. Assim, os hospitais particulares estão absorvendo praticamente a totalidade dos bons pediatras que são formados hoje em dia. Com a escassez de especialistas, estamos sujeitos a esse tipo de assédio, que sofremos constantemente”, destaca.

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