Debate na Globo foi criativo com perguntas populares


Sábado, 25 de outubro de 2014, às 08h41 – atualizado às 10h51

 

Gerson Soares

Apesar de toda a isenção que a ética nos propõe é impossível e seria antipatriótico não comentar as evasivas de Dilma Roussef a todas as perguntas.

O debate de ontem (24), promovido pela Rede Globo de televisão, teve na criatividade um ponto a favor da monotonia dos últimos encontros entre os candidatos à presidência do país, onde os assuntos naturalmente podem ser os mesmos, como educação, saúde, inflação, segurança ou habitação, porém as questões mais prementes são criteriosamente evitadas pela candidata do PT.

Candidato Aécio Neves (PSDB), encara as evasivas de Dilma. Foto: Marcos Fernandes / Coligação Muda Brasil

Candidato Aécio Neves (PSDB), encara as evasivas de Dilma. Foto: Marcos Fernandes / Coligação Muda Brasil

Se buscamos por justiça e isenção para que a opinião jornalística não tenha o peso de adernar para este ou aquele lado, restringindo-nos aos fatos apenas, é por essa razão que não podemos deixar de comentar as evasivas de Dilma Roussef (PT), até mesmo quando se tratou das perguntas populares.

É notória a titubeação da atual presidente e candidata à reeleição, suas respostas deixam a desejar e sua fala é estritamente para leigos, pois não há no país quem esteja minimamente informado sobre o novo escândalo que tenha se contentado quanto à sua posição nos casos do Mensalão e Petrolão, quando tergiversou.

Seria injusto para com a Democracia aceitar caladamente a maneira como Dilma tratou até aqui, todos os assuntos levantados nos debates, os quais acompanhamos.

Posar para fotos com o ex-presidente Lula numa das áreas do Rio São Francisco onde a água corre muito lentamente, não justifica os rios de dinheiro que a obra já levou. Falar que vai melhorar a saúde depois que for reeleita é uma afronta. Falar sobre o (santo) Pronatec, quanto a área educacional não melhora as péssimas condições do ensino no país, investigadas pelo MPEduc (Ministério Público da Educação), criado exclusivamente pelo Ministério Público Federal para esse setor.

Não é justo que em nome da isenção partidária o jornalismo não deva esclarecer à população sobre os fatos que ocorrem diariamente. As mais diversas áreas de atuação do governo federal estão sob alguma investigação, como a de extração de petróleo e a própria Petrobrás. O Amazonas está sendo lentamente consumido, como se fantasmas lhe arrancassem um naco todas as assombradas noites, sem que o governo tome uma atitude real ao invés de medidas paliativas.

Estes e outros vários pontos existem de verdade contra o atual governo, que teve 12 anos para se sustentar e manter-se, mas não avançou o quanto deveria e poderia. Já diziam os especialistas internacionais do mercado financeiro há pelo menos cinco anos, em meio ao início das crises europeia e americana: “O único motivo para que o Brasil não avance é a corrupção”. Dito e feito, os demais BRICS (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul) avançaram e o Brasil ficou.

Vamos deixar aqui um exemplo tácito para justificar estas linhas, quanto às questões mal respondidas pela candidata Dilma Roussef.

Candidata Dilma Roussef (PT): tergiversações no lugar de respostas. Foto: Ichiro Guerra

Candidata Dilma Roussef (PT): tergiversações no lugar de respostas. Foto: Ichiro Guerra

Quando o assunto é inflação, levantado pelo candidato da oposição Aécio Neves (PSDB), Dilma se reporta a 12 anos atrás, ou melhor ao ano de 1995, quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) assumiu a presidência de um país aos frangalhos, que precisava ser sanado, com uma inflação de quase 1.000% ao ano pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor), colocando de cabelos em pé o melhor dos empresários ou professores de economia.

Dois anos antes, em 1993, FHC foi nomeado Ministro da Fazenda, durante o governo de Itamar Franco, e a inflação do Brasil chegava a 2.477,146% ao ano. Em 1994, ele deixou o ministério com vistas à eleição presidencial e a inflação era de 916,460%. A população ainda via os preços subirem diariamente. Um vestido que hoje custaria X cruzeiros, no dia seguinte passaria a X vezes 2, ou mais dependendo da mercadoria.

Ainda durante o governo Sarney, se for para retroceder no tempo, como faz a candidata a todo momento, havia ágio até para comprar carne, vendida secretamente. Picanha para um churrasco, só sob encomenda secreta, a peso de ouro. Por isso é preciso olhar para o futuro, com o passado se aprende.

Quando deixou a presidência em 2003, FHC entregou a Lula, um país pronto para crescer, com inflação totalmente controlada, fechando o ano de 2002 em 12,53% ao ano, um plano econômico chamado Real que permanece até hoje, e compromissos assumidos com a sociedade, os quais o petista deveria honrar quase que obrigatoriamente através das leis consolidadas. Lula promoveu o crescimento aproveitando a oportunidade e avançou o quanto pode.

Mas como disse Aécio Neves durante o debate na noite desta sexta-feira, o momento é de “olhar para frente, para o futuro” com os pés no presente. Comparar a inflação assumida por FHC com o panorama que se apresenta hoje no país é tentar falar para leigos e não à realidade, é pairar o engodo.

A verdade atual é que o Brasil fechou o ano de 2013 em 5,911% e deve chegar a 6,45% em 2014, segundo as expectativas do mercado financeiro, além disso, o crescimento do país está estagnado e a expectativa é de um total desgaste do atual governo, também na área econômica, já que o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, só aguarda a conclusão das eleições para deixar o cargo. Outro detalhe que não deve ser esquecido foram os gastos com a Copa do Mundo, símbolo dos protestos históricos. Isto é o que precisa ser dito.

Ademais, não se pode dizer bem ou mal de nenhum partido político ou da política no país, sem que se esbarre em escândalos ou afastamentos dos anseios públicos que lhes conferem os bilhões, mencionados como investimentos nesta ou naquela área, parecendo ser possível que algum político ou partido os gerasse para gritar tão alto sobre suas obras. Esse dinheiro é enviado através dos pesados impostos e da extração das riquezas do solo e do mar – que também pertencem ao país e não aos políticos –, através da produtividade ou da labuta árdua na lavoura, nas fábricas, na indústria e nas empresas de maneira geral.

O que desejam os brasileiros que fazem do trabalho, dos estudos e avanços científicos a sua meta, gerando os recursos dos quais se apropriam os mandatários da política – pelo bem ou pelo mal –, na atualidade e quanto ao seu futuro, o que querem os brasileiros é um Brasil melhor, mais justo, para o qual todas as dádivas conferidas pela natureza lhes retornem.

O que também desejam os brasileiros é um país sem a corrupção gritante que enerva, causando um quase desânimo até aos mais fortes.

 


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Autor: alotatuape

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