Dependência de tecnologia: a linha tênue entre o uso normal e o abusivo


Segunda-feira, 4 de maio de 2015, às 15h15


Pesquisa da Universidade Maryland, dos Estados Unidos, revelou que a dependência em tecnologia é semelhante ao do uso de drogas. Ao analisar mil jovens de 17 a 23 anos concluiu-se que 79% deles apresentam desconforto, confusão mental, isolamento, e até coceira, quando submetidos à restrição de eletrônicos. Cresce em todo o mundo os casos de nomofobia – desconforto e angústia causados pela falta de comunicação por meio de aparelhos celulares e computadores.

 

Nomofobia: doença da internet. Foto: divulgação

Nomofobia: doença da internet. Foto: divulgação

 

Anna Lúcia Spear King, coordenadora do Grupo DELETE (Desintoxicação Digital e Uso Consciente de Tecnologias) do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autora do livro Nomofobia, lançado em março deste ano, pela editora Atheneu, explica que os sinais de vício são nítidos quando prejudicam a vida profissional, social e familiar do indivíduo.

“Ele não sai de casa, não faz as refeições com a família, ignora o mundo físico ao seu redor e não pratica atividade física. Pode, ainda, haver comprometimentos físicos, como problemas na coluna, na visão e nas articulações”, lista a psicóloga. Outros sintomas que se manifestam com frequência são a preocupação excessiva com a internet, necessidade de aumentar o tempo online e desequilíbrio emocional após período desconectado.

O uso excessivo da tecnologia pode ser influenciado por fatores ambientais e genéticos que alteram o comportamento do paciente. No Grupo DELETE, King informa que recebe um número consistente de pessoas com transtornos sociais relacionados ao excesso de utilização de computadores. “Logo após o início da terapia já é relatado uma melhora significativa quanto à dependência”, destaca.

Como forma mais recorrente de tratamento, aplica-se terapia cognitiva comportamental e, a depender dos transtornos originais, como depressão e ansiedade, acompanhamento psiquiátrico e medicamentoso são prescritos.

Independente da idade e do sexo, qualquer um está sujeito ao desenvolvimento da nomofobia. Os interesses variam: “as mulheres, as quais mais sofrem com depressão, frequentam mais as redes sociais; os jovens se interessam por games, sobretudo o RPG; já os homens preferem jogos online e sites pornográficos”, relata.

O uso consciente é primordial, por isso quando extrapolado deve ser identificado e encaminhado para avaliação e tratamento. Atualmente, em um universo multitelas, não só o individuo, mas também colegas e familiares devem se atentar quando a tecnologia passa a interferir negativamente nas relações intersociais.

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