Do coração da Amazônia ao centro do poder


Domingo, 17 de julho de 2016, às 10h24


Após conhecer povo Munduruku, Diretora Internacional do Greenpeace vai a Brasília discutir construção de hidrelétrica com MMA; “Tapajós não tem jeito”, diz ministro.

Do Greenpeace Brasil

Bunny McDiarmid, Diretora Executiva Internacional do Greenpeace, em seu último dia de viagem ao Brasil (12/07), se encontrou com o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, em seu gabinete, em Brasília. A pauta principal da reunião abordou o projeto de construção do complexo de mais de 40 barragens no Rio Tapajós, em plena Floresta Amazônica – em especial a maior de todas, a Usina Hidrelétrica de São Luiz do Tapajós.

 

Ao centro, o ministro Sarney Filho. Ao seu lado direito está Bunny McDiarmid e ao seu lado esquerdo, Asensio Rodriguez. Foto: © Alan Azevedo / Greenpeace)

Ao centro, o ministro Sarney Filho. Ao seu lado direito está Bunny McDiarmid e ao seu lado esquerdo, Asensio Rodriguez. Foto: © Alan Azevedo / Greenpeace)

 

Na semana passada, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Sarney Filho afirmou ser contra a realização da obra e disse ainda que o Brasil não precisa de grandes hidrelétricas na Amazônia. Agora, reunido com o Greenpeace, o ministro voltou a se mostrar convencido que a obra não é a melhor escolha para o país não apenas por seus impactos socioambientais, mas também por ser uma tecnologia do passado.

Leia sobre a visita de McDiarmid ao povo Munduruku. "A hidrelétrica do Tapajós, se construída, destruirá a vida dos índios Munduruku ao criar uma reservatório com quase o tamanho da cidade de Nova York (729 km²) em plena Amazônia".

“Estou convencido disso porque existem alternativas. Essas alternativas são melhores energeticamente e vão gerar mais desenvolvimento e emprego para o país”, defendeu o ministro. Segundo ele, “[A usina de] Belo Monte já foi quase impossível por causa das judicializações. Tapajós não tem jeito”.

Leia a reportagem do Greenpeace Brasil. Veja o relatório completo (você irá para a página do Greenpeace que respeita a sua privacidade) e assine a petição (vale a pena dar uma olhada na página do Greenpeace, mesmo que você não assine, e ver pelo que eles estão trabalhando) “Deixe o Tapajós viver”.

A Diretora Executiva do Greenpeace, que acaba de voltar de viagem do Rio Tapajós e da Terra Indígena Sawré Muybu, do povo Munduruku, trouxe ao ministro sua experiência com a visita e o que vivenciou por lá. “Vi a gigantesca ameaça que a Usina de Tapajós representa aos Munduruku e ao coração da Amazônia. Vim dizer ao senhor [ministro] que o Greenpeace está mundialmente mobilizado contra a barragem. Não vamos descansar. É uma prioridade global para toda a organização”, disse Bunny.

 

A Diretora Executiva Internacional do Greenpeace visitou a Terra Indígena Sawré Muybu, do povo Munduruku, que está ameaçada pela construção de um complexo hidrelétrico no Rio Tapajós, no Pará. Foto: © Lunaé Parracho / Greenpeace

A Diretora Executiva Internacional do Greenpeace visitou a Terra Indígena Sawré Muybu, do povo Munduruku, que está ameaçada pela construção de um complexo hidrelétrico no Rio Tapajós, no Pará. Foto: © Lunaé Parracho / Greenpeace

 

Sarney Filho disse que vem se reunindo com outras áreas do governo para tratar do assunto. Outros temas também foram abordados, como as queimadas da Amazônia, a violência contra ativistas ambientais no país – o Brasil já é líder mundial e pode aumentar ainda mais suas ocorrências com grandes obras como as hidrelétricas na Amazônia –, taxas de desmatamento, Moratória da Soja e o acordo de Paris sobre clima.

Acompanhando Bunny McDiarmid, o Diretor Executivo do Greenpeace Brasil, Asensio Rodriguez, destacou a importância de falar em primeira mão ao ministro o que ele e Bunny experienciaram no Tapajós. “A resistência dos Munduruku não é só uma luta no Brasil, mas sim a nivel global. Já são mais de um milhão de pessoas apoiando a causa Munduruku. Foi muito importante deixar isso claro ao ministro, porque mostra que suas medidas em relação ao complexo de hidrelétricas no Rio Tapajós serão acompanhadas pelo mundo inteiro”, pontuou Asensio.

Alice Braga

A atriz brasileira de fama internacional Alice Braga também visitou a Terra Indígena Sawré Muybu dos Munduruku e gravou um vídeo agradecendo pelas mais de um milhão de assinaturas:

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