Doria adia enquanto pode a questão do centro esportivo no Tatuapé, vídeos


Terça-feira, 13 de fevereiro de 2018 às 18h30


A exploração dos recursos públicos por pessoas influentes, que imbuídas de boas intenções – logicamente que priorizando seus próprios interesses – vem de longa data em São Paulo. Mas, a população está atenta. Sem solução imediatista ou midiática, os órgãos municipais aparentemente abandonaram a questão do Centro Esportivo Brigadeiro Eduardo Gomes.

Gerson Soares

Neste domingo (11), decidi que seria necessária a opinião pública para que esta nova série de reportagens sobre o citado espaço municipal tivessem respaldo, apesar de que já havia feito isso diversas vezes, desde o início das obras do infame CEU Carrão. Ouvi alguns dos pouquíssimos usuários – entre 10h e 12h não passavam de 15 pessoas no interior do parque, exagerando – e depois circundei ao redor. Além daqueles que provavelmente se dirigiam à estação Carrão do metrô, vi um casal com traje esportivo e duas amigas com as quais falarei.

 

Entrada do Centro Esportivo Brigadeiro Eduardo Gomes no Tatuapé: Domingo ensolarado por volta das 10h30 e como vemos a demanda é quase nula. Encontramos menos de 15 pessoas no interior do parque, mais os dois times de futebol e alguns reservas. Foto: aloimage

 

Começo com três amigos (um rapaz e duas moças) que caminhavam ao redor dos dois campos de futebol, trazendo consigo o cachorrinho. Antes havia visto o pai e seu filho com “Paçoca”, entramos juntos pelo portão que fica na Rua Apucarana. Por lá eles passeavam por não haver restrições aos cães. Estavam felizes. Ao final de algumas enquetes, comento ou mostro o pequeno trecho do filme com as larvas de insetos, que proliferam no canteiro de obras do CEU, abandonado pela Prefeitura. Lá eclodem para a nova fase alada, transformando-se em pernilongos, bem ao lado de onde fazem suas caminhadas.

 

Larvas vivas de insetos, vistas em um dos buracos do canteiro de obras abandonado no Centro Esportivo ao lado da estação Carrão do metrô: como é possível notar, elas existem em diversas fases e tamanhos. Veja melhor no vídeo mais abaixo. Foto: aloimage

 

Estarrecimento diante das larvas vivas

Todos se estarreceram e alguns ficaram sem palavras. Após conhecerem o que existe do outro lado dos tapumes, uma das moças, diz: “A gente imagina”. Pergunto: Mesmo assim vocês vêm andar aqui? “Vem”. Sabia que esses pernilongos podem transmitir doenças? “É esperar muito da Prefeitura, reabrir o parque com 100%”, ao que o rapaz completa: “Que esteja tudo preparado”. Eles disseram que até cogitam organizar um mutirão para fazer limpeza. “Colocar cestos de lixo”. Não vi nenhum no local. “Se depender da Prefeitura a gente fica assim”, completam referindo-se ao deplorável estado do centro esportivo. Os usuários concordam que a tentativa de construção de um CEU no Tatuapé em detrimento de outros bairros com maior carência, foi inoportuna e falta de percepção administrativa.

Continuo circulando e depois de fazer uma inspeção para ver se a caixa d’água encontrada em dezembro ainda estava no mesmo lugar, encontro dois conhecidos senhores que conversavam. Peço licença para interromper a prosa. “De um dia para o outro chegou um trator aqui e derrubou tudo”, diz um deles sobre as demolições que ocorreram no final de 2014, para a construção do CEU. Consta que na cancha de bocha, os jogadores foram convidados a deixar o local imediatamente diante da máquina. “Isto aqui é consequência da atual situação política do país. O problema político no Brasil é uma herança”, diz referindo-se a épocas que remontam ao descobrimento e colonização, o amigo que com o outro conversava. Quando tomam conhecimento das larvas dos transmissores de doenças, logo ali do outro lado dos sórdidos tabiques, o primeiro diz: “Durante a semana, forma nuvens aqui”, falando dos insetos.

 

Reportagem sobre o Gateball em comemoração aos 100 anos da imigração japonesa no Brasil, em junho de 2008: compare com a imagem abaixo e veja o que a interferência da Prefeitura para a construção do CEU provocou. O grupo de Gateball que cuidava exemplarmente do lugar há décadas foi desalojado e em seu lugar ficou a decadência que vemos aqui. Foto: aloimage

 

Demonstrando total inconsequência com o perigo a que expõe os usuários, a Prefeitura permitirá, dentro de alguns dias – anuncia uma faixa colocada no portão de entrada –, que sejam ministradas aulas de futebol para crianças por uma empresa privada naquele espaço público. O anúncio também foi lembrado por uma das usuárias com a qual conversei no início, à qual explanei sobre as larvas e o perigo que incorrem os pequenos – sem segurança, mato alto, lixo e materiais perigosos que o circundam. “Mas as pessoas não têm conhecimento disso”, disse. Desta vez, quem ficou sem palavras fui eu.

Circundando o parque em busca das pessoas que por ali transitassem – sim algumas preferem fazer a caminhada pelo lado de fora (medo?!) –, encontrei duas senhoras que entre si faziam comentários depreciativos à situação do parque e resolvi perguntar-lhes sobre o que falavam. Estávamos ladeando o local onde os japoneses jogavam suas partidas de Gateball.

 

Situação atual do lugar onde os japoneses praticavam o Gateball. A Prefeitura os desalojou para legar o que vemos ao bairro do Tatuapé. Foto: aloimage

 

Sobra de bom senso da população falta às autoridades

A reclamação das amigas atingia a sujeira, o abandono e me apontaram um senhor que varria a calçada do parque. “Se eu não limpo, toda a sujeira vai parar na minha casa”, me disse ele momentos depois da enquete com as amigas, sem parar de varrer. O antigo morador, que reside em frente ao centro esportivo e a EMEI Quintino Bocaiuva, faz uma série de reclamações. Ele também destacou a ação dos garis da Prefeitura que varrem o meio fio e deixam a sujeira nas calçadas. “Eles só levam porque eu ajunto”, diz fazendo pequenos montes de folhas e outros detritos.

 

Morador varre a calçada do parque para evitar que a sujeira invada sua residência e as demais residências: mesmo com seu ato de cidadania, os garis da Prefeitura só recolhem o lixo que estiver no meio fio, deixando a sujeira na calçada, como vimos. Foto: aloimage

 

Mas voltando às senhoras, questiono sobre a reabertura do lugar nas atuais condições, se são favoráveis: “Somos a favor da reabertura total do parque”, dizem em uníssono. “Isto aqui é uma esculhambação”, exclama Luíza. “Aqui era dos japoneses, era a coisa mais linda o jogo deles”, diz a outra moradora, que emenda: “Quando começou isto aqui, eu falei que não iria dar certo. Aqui não cabe uma escola assim”, protesta. Os moradores, vizinhos do parque, são unânimes em afirmar que o CEU estaria deslocado. “Eles vão trazer as crianças de outros lugares pra cá”, diz Luíza. Nessa mesma linha de raciocínio, complementaria Aloísio: “Então porque não fazem o CEU lá onde é necessário”. Eles também ficam sem palavras quando vêm as larvas vivas no filme feito ao lado da escola onde as crianças estudam. Ao senhor Aloísio pergunto se já havia entrado na parte onde as obras foram abandonadas. “Nunca entrei ali, tenho até medo de pegar uma doença”.

 

Durante a enquete que fizemos com os moradores, Luíza se coçava intensamente: alguém opina sobre o motivo? De qualquer forma, os moradores reclamam do aumento de pernilongos. Foto: aloimage

 

O bom senso, que fica evidente na população, parece faltar aos mais conceituados servidores públicos, desde os técnicos e engenheiros até os vereadores e o prefeito, que juntos aprovaram um projeto estapafúrdio desse porte. Seu ato completou a desfiguração do parque que vinha sendo deteriorado gradativamente. Nossas diversas reportagens mostram isso ao longo do tempo que ultrapassa os 10 anos. Estamos falando de aprovação na Câmara Municipal de São Paulo e depois na Prefeitura da cidade, cujos servidores teoricamente são pessoas altamente capacitadas. Porque, em conjunto, tomaram uma atitude tão insensata?

Essas questões precisam ser respondidas. Diante dos fatos, o vilipêndio no bairro do Tatuapé é evidente. Atinge os usuários de outras localidades que vinham para se divertir e praticar esportes. Arrastando-se desde 2014, a questão vai sendo adiada indefinidamente pelo prefeito João Doria. Antes cotado para a presidência da República, agora para o governo do Estado de São Paulo, ainda não foi capaz de solucionar o problema num bairro da Capital Paulista.

Larvas vivas em parque do Tatuapé 

Publicado em 13 de fev de 2018

Centro Esportivo B.E.G. no Tatuapé - abandonado 

Publicado em 13 de fev de 2018

Centro Esportivo B.E.G. no Tatuapé 

Publicado em 13 de fev de 2018

Barracos ao lado do Viaduto Bresser: venda de drogas, pequenos furtos e ataque a pedestres e estudantes. Foto: aloimage

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