É a lama, é a lama, é a lama…


Sexta-feira, 10 de outubro de 2014, às 19h15 – Atualizado às 19h43

Mais uma vez, o país dos boeings da Embraer e dos mosquitos da dengue, se vê petrificado, agora com as declarações de um ex-diretor da Petrobras. Público, gravado e na internet o depoimento à Justiça parece ter surtido algum efeito.

Gerson Soares

A comparação entre os boeings e o mosquito foi feita durante uma reportagem publicada pela revista Veja, há algum tempo, mas sempre nos lembramos disso quando as situações assumem diferenças tão gritantes quanto aquela.

A refinaria de Pasadena (Pasadena Refining System Inc.) tem estimativa de produzir 120.000 barris por dia conforme a capacidade da sua planta, foi comprada pela Coroa Central Petroleum Company, e é operada pela Astra Segurar EUA (uma divisão da empresa belga Transcor Internacional), em parceria com a Petrobras, a empresa de energia brasileira federal. Foto e legenda: The Center for Land use interpretation - USA.

A refinaria de Pasadena (Pasadena Refining System Inc.): estopim de mais um escândalo na política. Foto e legenda: The Center for Land use interpretation – USA.

Qualquer brasileiro, que tenha o mínimo de envolvimento político, sabe que a Petrobrás é uma mãe, para cujos braços não faltam candidatos. Algumas das empresas citadas em depoimento pelo ex-diretor José Roberto Costa, na quarta-feira (8), amplamente divulgado, são conhecidas não só pela longevidade, mas pelo envolvimento com escândalos, maiores ou menores, em vários níveis governamentais há décadas. Resguardamo-nos, da citação desses nomes – apesar de nos áudios divulgados estarem bem claros – em favor da ética.

Sobre os depoimentos apresentados, o que mais assusta são os detalhes, pois o fato de empresas ganharem concorrências, privilégios em troca de propinas e pagamentos a setores do governo e partidos, isso já é conhecido de longa data e motivo de tamanha mobilização da imprensa. Os meandros da iniquidade corruptiva na política são tão medonhos que décadas passam antes que venham totalmente à tona, como agora.

Aécio Neves, concorrente ao Palácio do Planalto, diz ser esse fato uma instituição; Dilma disse que ela mesma demitiu José Roberto Costa. Mas condena a exposição dos depoimentos que tomam a dimensão de uma bomba atômica, bem nos dias que precedem o segundo turno da eleição que pode lhe dar um segundo mandato.

Num dos países das chamadas repúblicas das bananas, nome que já não cabe ao Brasil em razão de sua evolução industrial – que apesar da insistência de corruptos e corruptores, se ergue a cada dia trabalha e produz honestamente –, mas com escândalos como este fica sem rivais na América Latina, em matéria de o quanto ainda pode ser corrupto.

Dilma dizer que seu partido empreende uma luta sem trégua contra os corruptos, ora senhoras e senhores, isso é balela! Se a divulgação dos áudios é justa e se irá prejudicá-la, este peso não pode ser jogado totalmente contra a oposição. O Ministério Público está agindo de acordo com a lei, tão utilizada à exaustão pelos advogados dos envolvidos no Mensalão, a ponto de os réus terem privilégios e foros jamais imaginados por alguém que furta um pedaço de pão ou um pote de margarina (não custa nada lembrar) para matar a fome – que poderia já estar extinta no país, não fosse tanta roubalheira.

Hoje pela manhã, na rádio Jovem Pan, em rede nacional, pudemos ouvir a melhor definição pela deflagração de mais um escândalo sem precedentes, devido ao alto poder da mídia e das comunicações. Reinaldo Azevedo, colunista da Veja.com, no final de sua análise sobre o já chamado Petrolão e as declarações envolvendo partidos políticos e empresas privadas, definiu bem a situação: “É a lama, é a lama, é a lama”.

 


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Autor: alotatuape

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