Eleita nas urnas, mas à beira da loucura Dilma não governa


Sábado, 15 de agosto de 2015, às 09h45


Nunca é tarde para recomeçar. Reconhecer os erros e seguir em frente. Durante seu governo, o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (FHC), cometeu determinado engano na política que implementava, gerando insatisfações diante de uma economia caótica com inflação na casa dos três dígitos. No dia seguinte, voltou atrás na medida adotada e em rede nacional de rádio e televisão, pediu desculpas. Anos depois entregou o país a Luiz Inácio da Silva, o Lula do PT, em condições de ser conduzido a um horizonte mais auspicioso. Diante das dificuldades e pressões que enfrentou, FHC é reconhecido por sua postura austera, por ter tirado o país do caos e o elevado a um patamar de respeito internacional no final de seu mandato em janeiro de 2003.

Gerson Soares

Mas não é o que se vê, ou o que se ouve, quanto ao atual governo do Brasil, cuja presidente pertence aos quadros do Partido dos Trabalhadores (PT), uma sigla que surgiu com fortes ideais e hoje é acusada de institucionalizar a criminalidade na política, devido aos fatos que estão sendo apurados, levando seus líderes e aliados aos bancos dos réus e aos cárceres. Seus discursos tentam disfarçar a insegurança que ronda por toda parte.

Tendo como braço sindical a CUT (Central Única dos Trabalhadores), em movimentos rurais o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra) – os aciona sempre que precisa criar factoides de interesse próprio. O PT deixou de lado aquilo que pregava no início de sua fundação, passando para o aço do espelho, ficou irreconhecível como as letras no papel.

 

Presidente Dilma participa do encerramento da 5ª Marcha das Margaridas, no estádio Mané Garrincha. Evento inflado com patrocínio de dinheiro público em prol do governo. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Presidente Dilma participa do encerramento da 5ª Marcha das Margaridas, no estádio Mané Garrincha. Evento inflado com patrocínio de dinheiro público em prol do governo. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

 

Suas lideranças, nas mais diversas esferas do poder, proporcionam utópicos momentos de melancolia, vivendo em um universo paralelo muito distante das aspirações nacionais, digno da ficção científica. Enquanto isto acontece, milhões de brasileiros protestam contra suas ações e neste domingo pretendem mostrar essa indignação com o comando da nau sem rumo em que se transformou o Brasil, conduzido a cada discurso ao futuro incerto.

Amanhã, 16 de agosto de 2015, está marcada mais uma manifestação que deve se estender por diversos estados da União. Querem mudanças, novas eleições, e apesar de muitas lideranças políticas discordarem – inclusive do PSDB, maior bancada de oposição – o povo pede o impeachment de Dilma Roussef, uma presidente acuada pelas inúmeras questões que atravancam a governabilidade do país.

Operação Lava Jato em sua 18ª versão – sem previsão de término; CPI do BNDES; CPI da Petrobras; banquetes para agradar ministros do Supremo Tribunal Federal – felizmente nem todos compareceram; encontros para agradar o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros – há poucos dias opositor, agora conselheiro; coordenação política do governo feita por duvidoso aliado – Michel Temer – membro do PMDB, partido que deixou de ser base e está em cima do muro; graves discrepâncias com outro membro do PMDB, Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados; a economia voltando aos patamares de 2003, retroage; a indústria e o comércio reclamam e a inflação está acordando um dragão adormecido. Prisões superlotadas, distúrbios na condução pública da saúde, educação e segurança, além do desconfiado olhar internacional, figuram entre fatos inegáveis.

Está difícil para Dilma Roussef governar com tudo isso acontecendo ao mesmo tempo. Certamente sua imagem não melhorou permitindo o inchaço de uma marcha, a das Margaridas, inflada com dinheiro público a dizer que ela (Dilma) não está sozinha. A marcha teve patrocínio do BNDES, da Itaipu-Binacional e da Caixa Econômica Federal, gerando mais desconfiança sobre a presidente e sua capacidade para superar a atual crise institucional, causada também pela cúpula do seu partido que detém o poder da presidência da República nos últimos 12 anos, somando-se a estes tenebrosos meses do seu segundo mandato. Ainda faltam as explicações ao Tribunal de Contas da União, que lhe concedeu mais prazo, mas ao término pretende ser enérgico com a aplicação da lei.

Estas não são poucas e nem boas, a cada investigação surgem novas notícias envolvendo corrupção e ganância pelo poder a todo custo. À beira da loucura, o Brasil está sendo conduzido por uma presidente eleita nas urnas, como reafirma, buscando nisso uma corda de salvação, mas que não consegue exercer o poder e não governa.

Geraldo Alckmin e Dilma Rousseff, durante inauguração de unidade produtora de etanol celulósico, em Piracicaba, na quarta-feira (22) passada. Foto: Daniel Guimarães / A2 Fotografia

Geraldo Alckmin e Dilma Rousseff, durante inauguração de unidade produtora de etanol celulósico, em Piracicaba, na quarta-feira (22) passada. Foto: Daniel Guimarães / A2 Fotografia

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Brasília -DF | Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preside a sessão solene que homenageou o ex-líder da bancada do PSB, Eduardo Campos, nesta manhã de quarta-feira (12). Amanhã será completado um ano desde o seu falecimento. Foto: Maryanna Oliveira / Câmara dos Deputados

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