Entenda o transplante de medula óssea e seus mitos


Sexta-feira, 16 de setembro de 2016, às 12h12


O Dia Nacional do Doador de Medula Óssea é celebrado em 17 de setembro. Atualmente, o Brasil está em 3° lugar em número de cadastros no mundo no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME). Uma série de mitos ronda o transplante de medula óssea, no entanto, o procedimento é mais simples do que aparenta: trata-se de uma transfusão de sangue que pode salvar muitas crianças na fila de espera.

De acordo com a dra. Adriana Seber, membro do Departamento de Hematologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), as chances de compatibilidade aumentam entre doadores como irmãos, pais ou haploidênticos (com 50% de compatibilidade). A possibilidade de encontrar semelhança em pessoas fora da família é mais rara - segundo dados da Associação de Medula Óssea (Ameo), seria algo em torno de um doador compatível a cada 100 mil.

 

O tratamento é indicado em casos de Leucemia, doenças que afetam a produção sanguínea ou que podem não produzir plaquetas. A imagem mostra um transplante de medula óssea sendo realizado. Foto: por beat_ranger (Private taken picture) via Wikimedia Commons

O tratamento é indicado em casos de Leucemia, doenças que afetam a produção sanguínea ou que podem não produzir plaquetas. A imagem mostra um transplante de medula óssea sendo realizado. Foto: por beat_ranger (Private taken picture) via Wikimedia Commons

 

“Existe um número muito grande de famílias cujos parentes necessitam de transplante e iniciam campanhas na mídia em busca de doador, pedindo que as pessoas se cadastrem. A impressão é de que quanto mais doar, mais chances de encontrar alguém compatível terão. Contudo, isso não é verdade, pois nosso tipo de medula HLA (histocompatibilidade) é muito misturado e depende da herança genética. Ou seja, cada tipo resulta em misturas muito singulares”, esclarece a dra. Adriana.

De acordo com a especialista, assim como o Departamento de Hematologia da SPSP, já existe um forte trabalho realizado de forma consciente, não apenas no Brasil, como no mundo, o que dispensa a necessidade desse tipo de ação individual.

“Não há sentido em campanhas individuais, uma vez que o gasto é muito alto. Já existem 29 milhões de doadores cadastrados no REDOME e cada registro tem um custo mínimo de US$ 100 dólares para o governo. Além de oneroso, as chances de localizar alguém compatível permanecem as mesmas“, frisa.

Há, ainda, a dificuldade em localizá-los. Existe uma campanha de fidelização para alertar os doadores já registrados a atualizarem seus dados, pois muitos se perdem quando mudam de endereço ou contatos.

“O Departamento de Hematologia considera imprescindível que não se faça campanhas, porque além de não ajudar a criança, acarreta em gastos que deixam de ser investidos na saúde. É preciso alertar as pessoas sobre a necessidade de atualização dos registros existentes, pois, este sim, é o maior problema que enfrentamos para localizar um doador”, conclui.

Sobre o transplante

O tratamento é indicado em casos de Leucemia, doenças que afetam a produção sanguínea ou que podem não produzir plaquetas, como anemias, imunodeficiências, aplasia, entre outras deficiências hematológicas hereditárias.

Existem dois tipos: os autólogos e os halogênios. No primeiro caso, a medula transplantada é do próprio paciente, enquanto na outra forma advém de um doador. A eficácia destes procedimentos depende do tipo de doença, seu estágio e às condições do paciente. Os autólogos, por exemplo, são mais recomendados em casos de doenças menos avançadas, cujas chances de recorrência são menores, como os linfomas.

Foto: Divulgação / ABN

Conheça a distonia e seus sintomas. Foto: Divulgação / ABN

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