Enxaqueca está associada à dor na articulação da mandíbula com o crânio


Terça-feira, 22 de agosto de 2017 às 10h35


Sabe-se que, de alguma forma, a enxaqueca está relacionada a dores nos músculos da mastigação. Mas a relação com a disfunção temporomandibular (DTM) – que ocorre na articulação da mandíbula com o crânio – era feita independentemente da frequência da enxaqueca.

Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP

Em estudo recém-publicado, pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMPR) da Universidade de São Paulo descrevem que quanto mais frequente for a enxaqueca (migrânea crônica) mais severos serão os sintomas de DTM, como dificuldade de mastigação e tensão na articulação temporomandibular.

 

Estudo feito na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP indica que pacientes com enxaqueca crônica têm o triplo de chances de sofrer de disfunção temporomandibular severa. Foto: Wikimedia Commons

 

“Nosso estudo mostrou que um paciente que apresente migrânea crônica – aquela que ocorre em 15 ou mais dias por mês – tem o triplo de chances de relatar sintomas mais severos de DTM, se comparado a pacientes com migrânea episódica”, disse Lidiane Florencio, autora do estudo que integra o Projeto Temático “Estudo da associação de aspectos clínicos, funcionais e de neuroimagem em mulheres com migrânea”, apoiado pela FAPESP.

Os dados foram publicados no Journal of Manipulative and Physiological Therapeutics. O estudo avaliou 84 mulheres na faixa dos 30 anos. Vinte e uma apresentavam migrânea crônica, 32 migrânea episódica e 32 não tinham migrânea.

Foram observadas taxas de prevalência de sinais e sintomas de DTM em 54% das mulheres sem enxaqueca, 80% das mulheres com enxaqueca episódica e em 100% daquelas que apresentavam enxaqueca crônica.

Para Florencio, a justificativa da associação entre frequência da enxaqueca e severidade da DTM pode estar nos níveis mais elevados de sensibilização desses pacientes.

“A repetição de casos de enxaqueca pode amplificar a sensibilização à dor. Nossa hipótese é que a enxaqueca atue como um fator que predispõe à DTM. Por outro lado, a DTM pode ser considerada um fator de perpetuação potencial para a enxaqueca, pois atua como uma entrada nociceptiva [de recepção de estímulos aversivos] constante que contribui para manter a sensibilização central e os processamentos anormais de dor”, disse.

Quem veio primeiro

DTM e enxaqueca são comorbidades. No entanto, embora haja uma predisposição de quem tem enxaqueca apresentar DTM, não necessariamente quem tem DTM apresentará enxaqueca.

“Quando o paciente tem enxaqueca, há maior chance de ele apresentar sinais e sintomas de DTM, já o inverso não é verdadeiro. Há casos de pacientes com DTM severa sem apresentar nenhum quadro de enxaqueca”, disse Débora Grossi, orientadora do estudo e coordenadora do Projeto Temático.

Os pesquisadores estimam, no entanto, que, embora a DTM não seja a causa da enxaqueca, ela pode facilitar a frequência e severidade de uma nova crise.

“O que sabemos é que a migrânea não é causada pela DTM. A enxaqueca é uma doença neurológica com causas multifatoriais. Já a DTM, assim como a cervicalgia e outras doenças musculoesqueléticas, é um conjunto de fatores que piora a sensibilidade de quem tem enxaqueca. O fato de ter a DTM pode piorar a migrânea, tanto em severidade quanto em frequências”, disse Florencio.

Tanto enxaqueca quanto DTM têm mecanismos patológicos muito parecidos. A enxaqueca é uma condição que afeta 15% da população em geral, sendo que 2,5% delas têm progressão na forma crônica.

A DTM tem causas multifatoriais, como o estresse e a sobrecarga muscular. Ela é um conjunto de sinais e sintomas em que o paciente pode ter sinais e sintomas articulares, como dor na articulação, redução dos movimentos da mandíbula e estalidos, podendo apresentar também um quadro muscular, como dor e cansaço muscular, ou irradiação da dor na musculatura da face e pescoço.

Diante dos resultados, os pesquisadores defendem que pacientes com enxaqueca devem ter os sinais e sintomas da DTM clinicamente examinados.

“Os dados obtidos mostram que a relação com a DTM, apesar de existir, é menor em quem tem poucas crises de enxaqueca, ou enxaqueca episódica. Só essa informação já deveria mudar a forma de avaliar esse paciente. Se quem tem enxaqueca tende a ter DTM mais severa, é preciso então que os profissionais de saúde avaliem nos pacientes com enxaqueca se ele apresenta sinais de sintomas de DTM”, disse Grossi.

O artigo Association Between Severity of Temporomandibular Disorders and the Frequency of Headache Attacks in Women With Migraine: A Cross-Sectional Study (https://doi.org/10.1016/j.jmpt.2017.02.006), de Lidiane Lima Florencio, Anamaria Siriani de Oliveira, Gabriela Ferreira Carvalho, Fabiola Dach, Marcelo Eduardo Bigal, César Fernández-de-las-Peñas, pode ser lido em www.jmptonline.org/article/S0161-4754(17)30045-3/pdf.

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