Extintor em automóveis passa a ser facultativo: o que pensar do Contran?


Sexta-feira, 18 de setembro de 2015, às 19h37


Esta é mais uma espalhafatosa atitude, possível apenas diante de um governo em que as atuais lideranças (exceções feitas), espalhadas pelos mais diversos cargos – na maioria das vezes através de indicações puramente políticas – ocupam suas posições como se fossem crianças no playground ao invés de as ocuparem como homens que devem conduzir uma Nação.

Gerson Soares

Depois de infernizar a vida dos motoristas brasileiros pela busca desenfreada de extintores, prazos e prorrogações de prazos, os burocratas do Contran resolvem que o equipamento não é mais obrigatório nos automóveis, mas mantêm a exigência em outros veículos.

Você saberia utilizar aquele extintor que vem de fábrica com o carro e com o tempo perde a validade da carga? Se a resposta for não, tranquilize-se. A maioria dos motoristas não saberia como usar corretamente o equipamento no caso de incêndio. Isto é um erro, afinal pode salvar vidas. Mas sobre o dinheiro arrecadado com as multas pela falta desse item, por exemplo, não se tem notícia de que tenha sido utilizado para a educação dos usuários nesse sentido.

 

Extintores de incêndio em carros de passeio deixam de ser obrigatórios. Foto: Fernanda Carvalho/ fotos publicas

Extintores de incêndio em carros de passeio deixam de ser obrigatórios. Foto: Fernanda Carvalho/ fotos publicas

 

Se algum tipo de curso existe está restrito aos bastidores, quando deveria ser amplamente divulgado e incentivado. Mas os prazos para que os extintores estivessem no interior dos veículos, estes sim tiveram ampla publicidade para depois serem prorrogados, devido à correria dos proprietários de veículos automotores, sob pena de multas e o aumento dos pontos na CNH (carteira nacional de habilitação).

O uso de extintor de incêndio em automóveis passa a ser facultativo no Brasil a partir de hoje (18), conforme resolução do Ministério das Cidades publicada no Diário Oficial da União. A decisão foi tomada ontem (17) pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e envolve utilitários, camionetas, caminhonetes e triciclos de cabine fechada.

O equipamento continua obrigatório para todos os veículos usados comercialmente para transporte de passageiros, caminhões, caminhão-trator, micro-ônibus e ônibus, além de veículos destinados ao transporte de produtos inflamáveis, líquidos e gasosos.

A obrigatoriedade do uso do extintor estava em vigor no país desde 1970. Segundo o governo, a decisão pelo uso opcional do equipamento foi tomada após encontros com representantes dos fabricantes de extintores, do Corpo de Bombeiros e da indústria automobilística. Nem mesmo a indústria que fabrica os equipamentos estava preparada para atender as vendas, seus prazos para isso demandam anos e não meses como queria o órgão máximo do trânsito no país.

Tal o distanciamento da realidade que estes julgaram que os automóveis estão muito mais seguros contra incêndios atualmente. Mas será que ninguém percebeu isto antes? Ninguém avisou ao Contran que o país está no ano 2015, provido de um dos maiores e mais modernos parques industriais automobilísticos da América Latina? É difícil não causar estranheza o fato de haver tanta falta de conhecimento, só agora percebida?

No final de 2014 o produto desapareceu e os preços foram parar em Plutão! O prazo determinado para 1º de janeiro foi adiado várias vezes até 1º de outubro, data final. A brincadeira do Contran levou muita gente a enfrentar filas enormes. Há 14 dias do prazo final, o órgão chega à conclusão de que os motoristas são mais perigosos com os extintores nas mãos do que sem eles e cancela a obrigatoriedade para os automóveis – grande maioria da frota nacional.

De acordo com o próprio Contran, a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) informou que dos 2 milhões de sinistros em veículos cobertos por seguros, 800 tiveram incêndio como causa. Desse total, apenas 24 informaram que usaram o extintor, equivalente a 3%, informou o G1.

Autoridades de trânsito vão continuar a fiscalizar o uso de extintores de incêndio nos veículos em que seu uso é obrigatório. A punição para quem não estiver com o equipamento ou para quem estiver com o equipamento com validade vencida inclui multa de R$ 127,69 e cinco pontos na carteira de habilitação.

Com informações da Agência Brasil
Joaquim Levy disse que medidas em tramitação no Congresso podem ajudar na reestruturação fiscal do paísFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Joaquim Levy disse que medidas em tramitação no Congresso podem ajudar na reestruturação fiscal do país. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

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