Falta de remédios distribuídos pelo Governo causa medo e apreensão aos pacientes


exta-feira, 13 de fevereiro de 2015, às 18h21 – atualizado Sábado, 14 de fevereiro às 10h17


Secretaria da Saúde explica, mas não justifica, a falta de medicamentos essenciais. As explicações são válidas, porém denotam improvidência e as dificuldades que o próprio órgão enfrenta nas suas aquisições.

Uma moradora da Vila Mariana que voltou de mãos vazias para casa, depois de ir buscar os remédios dispensados na Farmácia de Alto Custo da Av. Dr. Altino Arantes, no mesmo bairro, nos levou a uma revigorante caminhada. Assim diria o anão Gimli, como no início do filme “O Senhor dos Aneis - As duas torres”, referindo-se à caçada aos orcs que raptaram seus amigos.

Para nós a busca não foi pelos malfeitores, mas sim pelos remédios Spiriva Respimate e Alênia, que nada possuem de irreais. Esses medicamentos estavam em falta há dois meses na Farmácia de Alto Custo da Vila Mariana, sob a coordenação da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), sem eles a mãe da moradora não consegue ter o mínimo de dignidade para conviver com a doença pulmonar obstrutiva crônica da qual é acometida, tendo dificuldade para respirar na hora do banho ou no simples ato de dormir.

Dispensação de remédios é essencial a pacientes portadores de doenças crônicas ou necessidades especiais. A falta das medicações os leva ao pânico. Foto: Stock Photo

A caçada ao remédio começou na própria SPDM – entidade fundada em 1933 – que está vinculada à SES/SP (Secretaria de Estado da Saúde do Governo do Estado de São Paulo). Segundo a moradora, o atendimento da SPDM nem renovou o processo de dispensação de medicamentos em nome da sua mãe, afirmando que o remédio estava em falta e não era possível informar quando retornaria às prateleiras, fato que a deixou apreensiva.

Reunindo os familiares, compraram o medicamento para fornecer à mãe de 87 anos nos últimos 60 dias, mas a família não teria condições de manter o custo dos remédios que passa dos 400 reais – custo aproximado só do Spiriva Respimate.

Ao consultarmos a SPDM na terça-feira (10), sobre a falta dos remédios, a entidade informou que deveríamos entrar em contato com SES, que na quinta-feira (12), informou já estar disponível o Alênia – um dos medicamentos em falta. Ontem (13), tivemos a grata satisfação de receber a notícia de que o Spiriva Respimate também será disponibilizado para a paciente, a partir desta segunda-feira (16).

Para a Secretaria da Saúde, a informação da falta não procedia, conforme nota enviada pela assessoria de imprensa do órgão. O que não é verdade na forma como foi descrita a nota, já que a paciente não reclamaria se de fato o remédio lhe tivesse sido entregue.

Assim como os personagens do filme, encontramos pessoas de boa índole, obstáculos e a arrogância, mas como os intrépidos viajantes que percorreram as páginas surreais contra o mal de Sauron e Saruman, não perdemos a coragem. No final, a moradora e sua mãe terão os remédios, um pouco de paz e a certeza de que tudo é possível quando se quer, quando há boa vontade, pessoas de bem envolvidas e a esperança não basta às palavras; toca os corações mais duros, uma causa justa.

A Secretaria da Saúde explica que também enfrenta dificuldades para a aquisição de remédios, já que por força da lei deve realizar pregão eletrônico e assim obter os melhores preços, além de contornar o desinteresse das empresas fornecedoras. Mas é preocupante a falta de medicamentos durante tanto tempo – como neste caso específico – e a improvidência para a compra antecipada dos mesmos.

Por sua vez, os pacientes devem passar por exames a cada seis meses e renovar seus processos a cada três meses, após consulta com médico credenciado pelo SUS. Caso contrário não conseguem as medicações, muitas vezes essenciais à vida, ou seja, se não tomarem os remédios podem morrer em dias ou semanas.

Na mesma nota em que avisa sobre a disponibilidade das medicações para a moradora da Vila Marina, que certamente também servirão a outros pacientes que aguardavam, a SPDM adverte que só faz a dispensação dos remédios, cujo abastecimento fica a cargo da Secretaria de Estado da Saúde.

Portanto, observa-se que todos precisam cumprir rígidas regras e demandas para que tudo funcione bem. Aos pacientes é exigida a comprovação de que ainda estão precisando dos remédios – através de exames periódicos e visitas médicas. Ao Governo, cuja máquina arrecadatória e funcional deve ser capaz de prover os custos, é exigido a compra e fornecimento, e à SPDM a dispensação das medicações.

Desta vez, como na saga de J.R.R.Talkien, triunfaram a fé e a esperança sobre a insensatez e o medo.

alotatuape

Autor: alotatuape

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