Falta de medicamento sob responsabilidade da SES/SP, põe em risco a vida de transplantados


Sexta-feira, 10 de julho de 2015, às 19h55


Estamos alertando sobre as questões ligadas aos medicamentos de alto custo já faz um bom tempo, desde fevereiro de 2014. A atual gestão da secretaria da Saúde de São Paulo, nada fica a dever aos descalabros do SUS. A cada problema grave criado por essa blindada secretaria – blindada por se recusar a responder perguntas qual seria o motivo para não promover uma gestão mais dinâmica da saúde em São Paulo. Médicos consultados pela reportagem advertem que a saúde dos pacientes transplantados está em risco sem o remédio Ciclosporina em falta. Cabe lembrar que tanto o atual secretário da Saúde como o governador de São Paulo são médicos por formação e que essa não é a única medicação que some das prateleiras da SPDM, encarregada da distribuição aos pacientes.

Gerson Soares

Pouco resta a dizer diante daquilo que já repetimos inúmeras vezes. O desrespeito com a saúde da população é imensurável. Nesta sexta-feira (10), o Posto Altino Arantes da Vila Mariana, mais uma vez é palco da irresponsabilidade, negligência e da insensatez da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES/SP), órgão vinculado ao Governo do Estado de São Paulo, pela falta de remédios na Farmácia de Alto Custo, como também é conhecido.

 

Ciclosporina é um dos medicamentos em falta na Farmácia de Alto Custo da Vila Mariana que podem estar colocando em risco a vida dos pacientes e jogando no vácuo todo o trabalho dos médicos, graças à omissão da Secretaria da Saúde de São Paulo. Foto: aloimage

Ciclosporina é um dos medicamentos em falta na Farmácia de Alto Custo da Vila Mariana que podem estar colocando em risco a vida dos pacientes e jogando no vácuo todo o trabalho dos médicos, graças à omissão da Secretaria da Saúde de São Paulo. Foto: aloimage

 

Detalhe: os remédios não podem ser comprados por ninguém, não são vendidos em lugar algum. Não existe possibilidade de obtê-los sem que seja através do governo. Por isso elegemos um anzol como garoto-propaganda da Campanha +Respeito do Alô Tatuapé que pretende, seja ouvida a voz dos mais humildes e de todas as pessoas, que estão presas ao revés dessa secretaria e hoje voltaram para casa sem remédio e sem esperança, sem ter certeza se os órgãos que receberam, a muito custo, irão continuar funcionando em seus corpos.

As desculpas mais descabidas serão dadas na segunda-feira (10), isto se a SES/SP chegar a tanto, pois esse órgão nem sempre se dá ao trabalho de responder perguntas ou conceder entrevistas polêmicas como esta: Como é possível faltar um medicamento (caso da Ciclosporina 50 mg), essencial para que o corpo de um paciente transplantado não rejeite o órgão recebido?

A questão foi enviada por email nesta tarde aos responsáveis pela compra e distribuição, pois nenhum dos órgãos atendia as chamadas telefônicas. Afinal, é feriado prolongado, quem tem saúde viaja e se diverte, quem não tem, fica sem remédio e suporta a possibilidade das terríveis complicações de um órgão rejeitado no interior do próprio corpo. É revoltante o que presenciamos e noticiamos, situações humilhantes e inesperadas.

Apenas para reforçar o esclarecimento que fazemos há tempos, caso a pessoa transplantada (pulmão, coração, rins, etc.), não tome regularmente os medicamentos contra a rejeição – que deve acontecer pelo resto de suas vidas – o órgão é rejeitado pelo sistema imunológico do corpo humano e essa pessoa pode vir a óbito.

O medicamento Ciclosporina 50 mg, está em falta há dias, segundo as informações que obtivemos hoje e não há previsão de entrega. O atendimento da SPDM (Sociedade para o Desenvolvimento da Medicina), responsável pela distribuição aos pacientes, diz que o pedido foi feito a mais de um mês à SES/SP que não entrega a medicação. Por isso nada pode fazer, já que é uma empresa terceirizada.

 

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Tecnologia de um lado, papel carbono do outro: insensatez recalcitrante. Imagem da campanha +Respeito, iniciada pelo Alô Tatuapé, Leia tudo na aba +Respeito deste site. Imagem: aloart

 

Noticiamos há alguns dias, a criação de um dispositivo que facilita a doação e recepção de órgãos pelos alunos de ETEC na zona Leste de São Paulo, mas qual seria a sua finalidade se depois dos órgãos transplantados, gastos e sacrifícios, que envolveram médicos e pacientes - inclusive das famílias dos doadores -, se estes não recebem os medicamentos da Secretaria da Saúde de São Paulo? Sem tirar o mérito da inovação, que obviamente poderá trazer avanços para a medicina e está sendo testada pela própria SES/SP (!), mas é uma incoerência tanta tecnologia de um lado se na outra ponta o paciente não recebe o medicamento para a sua saúde e a manutenção do órgão transplantado.

Mais uma vez, deixamos aqui publicamente, a solicitação para uma entrevista com o secretário da Saúde, o médico David Uip, para que ele possa explicar esta situação que se repete e agrava-se sob sua gestão à frente da secretaria. Em 11 anos que acompanhamos a evolução da distribuição desses medicamentos, jamais houve falta da medicação ciclosporina nos postos de distribuição, apesar das filas e das confusões o remédio não faltava.

Escândalos e casos mal explicados rondam a blindagem da Secretaria da Saúde. A situação da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, do Hospital São Paulo da Unifesp, das filas para entrega de medicamentos que funcionam com um sistema de renovações de processos totalmente superado, que ainda utiliza caneta, papel e carbono. Enquanto a tecnologia e a pesquisa científica, incentivada pelo próprio Governo do Estado de São Paulo, através da FAPESP, singra horizontes da ciência nacional e internacional, demonstrando a capacidade brasileira, faltam medicamentos que podem decretar a falência dos órgãos e o consequente óbito dos pacientes. Sai a Ciclosporina das prateleiras da SPDM no Posto da Vila Mariana, e não é só esse medicamento que está em falta, são vários, segundo as informações que obtivemos, até as medicações para os asmáticos. Absurdo.

Alguém precisa explicar essa situação, culpar os fornecedores – como já foi feito – é continuar a jogar o lixo para debaixo do tapete. Essa desculpa já foi dada. Ligamos para as assessorias do Palácio dos Bandeirantes, Casa Civil, Governo do Estado de São Paulo, Saúde e para a SPDM, ninguém atendeu. Enquanto isso, os agentes do Posto da Vila Mariana se esvaem nas explicações daquilo que é inexplicável e os pacientes correm risco de vida até que os remédios cheguem. “Não temos previsão de entrega”, disseram as atendentes.

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