FAPESP pode contribuir ainda mais para a inovação e o desenvolvimento de SP


Quarta-feira, 9 de setembro de 2015, às 08h49


Elton Alisson | Agência FAPESP – Em seus 53 anos de existência, a FAPESP teve um papel fundamental na elevação do nível científico e tecnológico do Estado de São Paulo, ao criar condições para que as universidades e instituições de pesquisa públicas paulistas formassem centenas de milhares de profissionais e especialistas em todas as áreas, e desempenhassem um papel significativo no aumento da produção de etanol no país, por exemplo.

A instituição, contudo, pode contribuir ainda mais na inovação e para auxiliar o estado exercer seu papel de indutor do desenvolvimento.

 

José Goldemberg, novo presidente da FAPESP, em seu discurso de posse. Foto: Eduardo Cesar

José Goldemberg, novo presidente da FAPESP, em seu discurso de posse. Foto: Eduardo Cesar

 

A avaliação foi feita pelo físico José Goldemberg em seu discurso de posse, na terça-feira (08/09), como presidente da FAPESP, em cerimônia realizada na sede da instituição.

Goldemberg foi nomeado pelo governador Geraldo Alckmin para um mandato de três anos. O decreto de nomeação foi publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo do dia 22 de agosto.

Em seu discurso de posse, Goldemberg destacou a necessidade de expandir as atividades da FAPESP e de maior coordenação entre os resultados das pesquisas apoiadas pela instituição com as ações de fomento à pesquisa, desenvolvimento e inovação feitas por órgãos dos governos estadual e federal, além de empresas.

“Hoje, a FAPESP recebe muitos milhares de solicitações de apoio por ano de pesquisadores e candidatos a bolsas de estudo, além de algumas centenas de empresas, incluindo startups [empresas nascentes de base tecnlógica], às quais concede auxílios a ‘fundo perdido”, raros no país. Existem, também, alguns programas de cooperação com grandes empresas nas quais pesquisa é importante”, ressaltou Goldemberg.

“Nos parece urgente e necessário expandir estas atividades, que poderão abrir caminho para uma maior coordenação entre a área da pesquisa e a ação de órgãos de financiamento do Governo Estadual, como a Desenvolve São Paulo [agência de desenvolvimento paulista, que apoia pequenas e médias empresas do estado, Investe São Paulo [Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade], e do Governo Federal, como a Finep [Financiadora de Estudos e Projetos] e o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], bem como o setor privado”, apontou.

Na opinião do novo presidente da FAPESP, as agências governamentais de desenvolvimento poderiam agilizar substancialmente suas operações ao se basear nas avaliações da Fundação sobre a viabilidade técnica dos projetos, como fazem bancos de investimento públicos e privados no mundo, que usam as análises do Banco Mundial como “selo de qualidade” e aval de seus projetos de investimento.

“A enorme competência científica e tecnológica que São Paulo tem nas suas universidades e institutos de pesquisa é um acervo que poucos países em desenvolvimento possuem. Precisamos protegê-lo e utilizar melhor esta competência para resolver os problemas da sociedade”, indicou.

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Presente à cerimônia de posse, o governador, Geraldo Alckmin, ressaltou que a FAPESP é uma instituição exemplar para as demais agências de fomento a pesquisa no país, e que as atividades de apoio à pesquisa realizadas pela Fundação são mantidas por recursos do contribuinte paulista.

Por essa razão, é preciso avaliar permanente os resultados das pesquisas apoiadas com os recursos públicos para o desenvolvimento do Estado de São Paulo como um todo, apontou.

“É preciso avaliar permanentemente qual o resultado disso, em termos de geração patentes, empresas, riqueza, empresas e inovação, para a dona Maria, que mora lá em Paraisópolis, e para o seu José, que financiam todo esse trabalho”, avaliou Alckmin.

Também presente no evento, o vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, Márcio França, destacou que a expectativa é que a FAPESP possa colaborar ainda mais com os esforços em ciência, tecnologia e inovação realizados no estado, ao fazer com que os resultados das pesquisas que apoia possam resultar em novas tecnologias e soluções em diferentes áreas.

“Em um momento de crise em vários setores como esse pelo qual estamos passando, certamente é na inovação que encontraremos solução. Esperamos que o modelo de inovação que atingimos na agricultura e pecuária, com a contribuição da FAPESP e de outras instituições, como a Embrapa, possa ser usado para a modernização da indústria de São Paulo, que sofre tanto com uma crise como essa, em todas as áreas de atuação”, disse França.

Doutor em Ciências Físicas pela Universidade de São Paulo (USP), Goldemberg foi presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) de 1979 a 1981; da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), entre 1983 e 1986; e reitor da USP (1986-1990).

Ocupou os cargos de secretário de Ciência e Tecnologia (1990-1991) e de Meio Ambiente da Presidência da República (interino em 1992), ministro da Educação (1991-1992) e secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (2002-2006).

Professor emérito dos Institutos de Energia e Ambiente (IEA) e de Física da USP, Goldemberg foi professor da Universidade de Paris, na França, e de Princeton, nos Estados Unidos, e é autor de artigos e livros sobre Física Nuclear, Energia e Meio Ambiente.

Recebeu os Prêmios KPCB Prize for Greentech Policy Innovators (2007); “Blue Planet Prize”, da Asahi Glass Foundation (Japão, 2007); “Trieste Science Prize”, da Academia de Ciências do Terceiro Mundo (TWAS, em 2010); Prêmio Zayed de Energia do Futuro (Zayed Future Energy Prize), na categoria Life achievement (2013); Prêmio Professor Emérito – Troféu Guerreiro da Educação – Ruy Mesquita (2014), e Prêmio Fundação Conrado Wessel (FCW) de Ciência, Cultura e Medicina 2014, na categoria de Ciência, entregue em junho deste ano.

Goldemberg substitui Celso Lafer, que presidiu a FAPESP por um período de oito anos, desde agosto de 2007, e cujo mandato no Conselho Superior da Fundação encerrou em 7 de setembro.

Professor emérito da USP, Lafer foi professor titular do Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Faculdade de Direito da USP, ministro das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

“[O professor Goldemberg] assume novas e importantes responsabilidades com a autoridade de quem tem o lastro de uma grande trajetória da ciência brasileira, que se notabilizou pelos serviços prestados à universidade e que soube associar no correr da sua vida conhecimento, ação, liderança e sentido de direção no exercício de relevantes funções públicas no plano federal e estadual. São méritos e virtudes que dele farão um grande presidente da FAPESP”, estimou Lafer, em seu discurso.

Além do governador e do vice-governador, participaram da cerimônia de posse do novo presidente da FAPESP Eduardo Moacyr Krieger, vice-presidente; Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico; e Joaquim José de Camargo Engler, diretor administrativo e financeiro da Fundação; Emilia Maria Silva Ribeiro Curi, secretária executiva do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), representando o ministro Aldo Rebelo; João Carlos de Souza Meirelles, secretário de Energia; Patricia Iglesias, secretária do Meio Ambiente; Floriano Pesaro, secretário de Desenvolvimento Social; Marco Antonio Zago, reitor da USP; Hernan Chaimovich, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); Luis Fernandes, presidente da Finep; Marilza Vieira Cunha Rudge, reitora da Universidade Estadual Paulista (Unesp); Carlos Vogt, presidente da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp); membros do Conselho Superior da FAPESP e outras autoridades.

José Goldemberg toma posse como presidente da FAPESP

 

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