“Fora, Dilma”: o povo tem foco, quem está desfocado é o governo


Segunda-feira, 16 de março de 2015, às 08h15

Centenas de milhares, que somaram quase dois milhões de pessoas – um milhão só em São Paulo – foram às ruas para exigir que o governo mude suas políticas e que está enganado na forma de exercer o poder a ele concedido. Com brados de “Fora, Dilma”, pediram a saída da presidente, eleita há menos de cinco meses.

Gerson Soares

Sem saber avaliar o número de manifestantes envolvidos nos protestos que ocorreram ontem em todo o país, o governo do PT menosprezava as concentrações populares em capitais como o Rio de Janeiro, chegando a dizer que as manifestações não tinham foco. Até que São Paulo demonstrou mais uma vez toda a sua pujança cívica.

Manifestação na Av. Paulista. Foto: Paulo Pinto / Fotos Públicas

Manifestação na Av. Paulista. Foto: Paulo Pinto / Fotos Públicas

Por volta das 14h e daí em diante, a Avenida Paulista e seus arredores, na capital do estado de São Paulo, foi tomada por pessoas que tinham um objetivo e estavam totalmente focadas em demonstrar sua insatisfação quanto ao governo, que por falta de discernimento postou uma nota no facebook do Ministério da Justiça, classificando as mais de 600 mil pessoas de estarem promovendo o ódio.

Esse número alcançou mais de 1 milhão (dados da Polícia Militar) e foi sendo composto ao longo da tarde por donas de casas, bebês, crianças, jovens, pais, avôs, vovós, filhos, sobrinhos e netos, tios. Tivessem eles sacadas gourmets, carrinhos de pipoca ou coragem para permanecer com seus comércios abertos, lá estavam unidos para dizer basta de tanta corrupção e descaramento. Compareceram vendedores de água e refrigerantes, certamente não faltaram os guardadores de carros e ainda outros carregavam cruzes, simbolizando bem a carga que o lulopetismo depositou nos costados dos brasileiros, na avaliação dos seus 12 anos de governo.


 

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No início da noite, o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e o secretário-geral da presidência Miguel Rossetto, vieram a público para dizer que a manifestação era daqueles que não votaram em Dilma Roussef, que terminou o primeiro mandato em alvoroço e agora está desorientada, à frente de um gigante como o Brasil, que sem rumo requer comando. O cinismo, com que o governo tem tratado assuntos de suma importância, tais como os econômicos, de justiça e as apurações do Petrolão, é digno de admiração e espanto.

Na coletiva de imprensa em Brasília, Cardozo e Rossetto, disseram os porta-vozes que o governo vai anunciar medidas, ainda nesta semana, mas não citaram quais, nem o tipo de providências que seriam tomadas. Questionado sobre a publicação no facebook de ser a manifestação deste domingo promovida por quem tem ódio ao governo, Cardozo respondeu: “Assim que eu fiquei sabendo, mandei retirar”, redimiu-se o ministro da Justiça. A redenção governamental deveria vir com explicações à Nação, quanto à balbúrdia generalizada que está tomando conta dos mais diversos setores nacionais, em poucos meses o país retrocede anos. “Venezuela aqui não”, dizia uma faixa que desfilou na Avenida Paulista.

Nas palavras dos representantes do Palácio do Planalto, foi possível perceber o fato de que existe um distanciamento abismal entre o que deseja a população brasileira e às respostas do governo – aquilo que tem entregado em troca dos pesados impostos cobrados e dos mandatos outorgados nas recentes eleições.

Rossetto e Cardozo: porta-vozes do governo, durante coletiva de imprensa, no início da noite. Foto: José Cruz/Agência Brasi

Rossetto e Cardozo: porta-vozes do governo, durante coletiva de imprensa, no início da noite. Foto: José Cruz/Agência Brasi

A dicotomia entre o governo federal e as aspirações populares demonstra a sua incapacidade para governar o país. A presidente Dilma Roussef, além dos apoios que busca nos aliados – que parecem tê-la abandonado –, precisará agora clamar à clarividência para governar nos 45 meses restantes do seu mandato. Ao término da tarde do domingo, a noite trouxe mais incertezas. Nenhuma das palavras ditas pelos representantes do governo, deixaram qualquer alento no sentido de conciliação.

Quando perde o foco, a liderança deixa de ser inspiradora, mas há sempre uma esperança. O governo eleito é o líder do país e poderia ter a atitude que tomou o povo brasileiro em lhe dizer publicamente, pacificamente, democraticamente, que não está satisfeito. Poderia começar com um sonoro pedido de desculpas, para em seguida retirar o argueiro dos próprios olhos e abrir os ouvidos. Talvez, assim, consiga perceber melhor quem está fora de foco diante da união de quase 2 milhões que saíram às ruas e pediram o impeachment às vistas do mundo.

alotatuape

Autor: alotatuape

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