Gingko Biloba, a planta fóssil

Árvore do Ginkgo biloba em Minnesota, EUA. Foto: SEWilco / Wikipedia

Árvore de Gingko biloba no Birmingham-Southern College. Note a coloração das folhas que assumem a roupagem invernal e em breve todas irão cair. Foto: Jwrandolph / 2013 / Wikipedia

Folhas de ginkgo biloba. Foto: Reinhard Kraasch / Wikipedia

Folha fóssil de Ginkgo biloba, período Eoceno – cerca de 55 milhões de anos atrás e cerca de 36 milhões de anos atrás. Encontrada em Tranquille Shale of MacAbee, British Columbia, Canadá. Foto: SNP / 2008 / Wikipedia

Terça-feira, 9 de setembro de 2014, às 09h31


Edição: Alô São Paulo

O Ginkgo biloba (Gb) existe há mais de 150 milhões de anos. Portanto, trata-se de um fóssil vivo, que assistiu o auge, assim como a ruína dos dinossauros sobre a Terra, mas sobreviveu àquilo que os dizimou até a extinção. No Oriente é considerado um símbolo de paz e longevidade por ter sobrevivido também às explosões atômicas em Hiroshima, no Japão.

Atualmente, o extrato de Gb é um dos produtos botânicos mais comercializados nos Estados Unidos e Europa (em particular na Franca e Alemanha), porém distante do controle rígido das agências reguladoras que incide sobre outros medicamentos. Existem estudos que contradizem a sua eficácia e outros que a atestam. De qualquer forma o uso de Gb deve ser interrompido duas semanas antes de cirurgias, conforme ditam as regras de segurança médicas devido às suas propriedades que podem influenciar a circulação sanguínea.

A planta foi descrita pela primeira vez pelo médico alemão Engelbert Kaempfer por volta de 1690, mas só despertou o interesse de pesquisadores após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando perceberam que tinha sobrevivido à radiação em Hiroshima, brotando no solo da cidade devastada. Suas folhas têm sido frequentemente usadas no combate aos radicais livres e como auxiliar da oxigenação cerebral.

A palavra ginkgo tem origem chinesa, significando “damasco prateado”. A palavra biloba teria vindo do formato bilobado das folhas. A árvore do Gb inclui-se entre as caducas, ou seja, que perdem todas as folhas no inverno. Na China há espécimes que chegam aos 50 metros de altura, mas normalmente atingem os 20 a 35 metros. Podem ser encontrados em todos os continentes, como no Brasil, onde foram produzidos através sementes.

Considerada um fóssil vivo por Charles Darwin, chega viver até 4 mil anos, devido sua capacidade em suportar toxicidades e infecções. Goethe, famoso cientista, filósofo, poeta e botânico alemão, escreveu um poema sobre o Gb em 1815, falando da unidade-dualidade simbolizada em suas folhas.

As indicações mais comuns são o tratamento e a prevenção das condições médicas relacionadas ao envelhecimento, em particular para melhorar a memória e as funções cognitivas correlatas, bem como no tratamento de labirintopatias (zumbidos e vertigens) e cefaleias (Luo, 2001).

Segundo estudos do médico Psiquiatra, mestre e doutor em Medicina pela FMUSP e pesquisador do Laboratório de Neurociências, Dr. Orestes V. Forlenza, publicados na Revista de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), pode-se comprovar o seguinte sobre a administração do extrato da planta (EGb761):

“Os efeitos da Gb sobre a cognição normal foram avaliados por alguns estudos controlados em amostras com adultos jovens e idosos. O uso de uma determinada dosagem* de EGb761 durante 6 semanas em 48 adultos com mais de 55 anos associou-se à melhora objetiva na velocidade de processamento cognitivo, além de uma impressão subjetiva de melhora das habilidades gerais de memória (Mix e Crews, 2000). Com os mesmos parâmetros de dosagem e tempo de tratamento, em amostra de 262 voluntários idosos, observou-se um melhor desempenho no grupo tratado com EGb761 em relação aos controles em testes de memória e reconhecimento (Mix e Crews, 2002). Doses agudas de Gb foram associadas a melhor desempenho da memória operacional em voluntários de 30 a 59 anos (Rigney et al., 1999) e melhora da atenção e da memória em adultos jovens (Kennedy et al., 2000).

De qualquer forma, sempre deve ser feita uma consulta ao médico antes de utilizar qualquer tipo de medicamento, seja ele fitoterápico ou não. A ingestão incorreta de plantas pode causar problemas ao invés de ajudar. Por isso é importante obter uma opinião especializada.

 

*A dosagem exata foi extraída do texto pela redação do Alô Tatuapé por precaução, já que só deve ser administrada por um médico caso a caso.

Fontes de consulta: Wikipedia e Departamento e Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, a partir de artigo publicado na Revista de Psiquiatria da USP.

Bibliografia

Bibliografia:

1. LUO, Y. – Ginkgo biloba neuroprotection: therapeutic implications in Alzheimer’s disease. J Alzheimers Dis 3(4): 401-7, 2001.
4. LUO, Y.; SMITH, J.V.; PARAMASIVAM, V.; BURDICK, A.; CURRY, KJ.; BUFORD. JP.; KHAN, I.; NETZER, WJ.; XU, H.; BUTKO, P. – Inhibition of amyloid-beta aggregation and caspase-3 activation by the Ginkgo biloba extract EGb761. Proc Natl Acad Sci USA 99(19): 12197-202, 2002.
7. MIX, J.A.; CREWS Jr., W.D. – An examination of the efficacy of Ginkgo biloba extract EGb761 on the neuropsychologic functioning of cognitively intact older adults. J Altern Complement Med 6(3): 2000: 219-29.
8. MIX, J.A.; CREWS Jr., W.D. – A double-blind, placebo-controlled, randomized trial of Ginkgo biloba extract EGb 761 in a sample of cognitively intact older adults: neuropsychological findings. Hum Psychopharmacol 17(6): 267-77, 2000.
10. KENNEDY, D.O.; SCHOLEY, A.B.; WESNES, K.A. – The dose-dependent cognitive effects of acute administration of Ginkgo biloba to healthy young volunteers. Psychopharmacology (Berl) 151(4): 416-23, 2000.

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Autor: alotatuape

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