Graça Foster diz que Pasadena não foi bom negócio

Gerson Soares

A presidente da Petrobras, Graça Foster, reconheceu nesta terça-feira (15) que a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), foi um mau negócio.

São Paulo – Graça Foster falou durante quase uma hora na audiência pública no Senado e demonstrou sob diversos aspectos os investimentos feitos pela estatal até a compra da refinaria texana. Sob sua avaliação “à época um bom negócio. E veio a crise e o negócio mudou de figura”. Hoje, afirma que “deve-se manter os ativos”, amenizou. Segundo a presidente da Petrobrás, “os 42,5 milhões de dólares não servem para comparação”, referindo-se ao valor de 1,2 bilhão pagos pelo elefante branco americano.

Após a fala da presidente da estatal, já final da audiência, o senador Mario Couto (PSDB-PA) – que afirma ter sido uma compra desastrosa, um prejuízo bilionário ao Brasil e acredita haver corrupção – levantou outra questão, indagando se o marido da presidente da Petrobras não tem contrato com a estatal. Foster rebateu o ataque taxativamente dizendo que “o marido da presidenta não tem contrato com a Petrobras”. O senador revidou dizendo que não é isso que a estatal informou à Folha de São Paulo em nota no dia 27 de março. “Se houve é um crime”, disse ele.

Os senadores Eduardo Amorim (PSC-SE) presidente da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), recebeu Graça Foster na presidência conjunta com o senador e presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Lindbergh Farias. Ao encerrar a audiência, Amorim disse, à presidente da Petrobrás, e aos presentes, estar convicto de três pontos: “Não devemos ter medo de momentos como este, houve um prejuizo em Pasadena por causa da omissão dolosa de alguns diretores e em nome da sua gestão e da maneira que a senhora conduz é preciso que todas as investigações vão até o fim”.

A usina de Pasadena, foi comprada pela empresa belga Astra Oil em 2005 por 42,5 milhões de doláres. Em 2006, o Conselho de Administração da Petrobras presidido por Dilma Rousseff, aprovou a compra de 50% das ações da refinaria à Astra Oil, no valor de 360 milhões de dólares. Dois anos depois, em 2008, as empresas se desentenderam e a Petrobras foi obrigada pela justiça a comprar os 50% restantes das ações da Astra Oil por 820,5 milhões de dólares, devido cláusulas contratuais em 2012. No ano passado o Tribunal de Contas de União resolveu investigar essa compra. Atualmente, as irregularidades estão sendo investigadas também pela Polícia Federal e o Ministério Público, além da própria Petrobrás, Câmara dos Deputados e pelo Senado.

 

Presidente da Petrobras Graça Foster. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil.

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Autor: alotatuape

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