Grandes companhias voltam sua atenção para startups


Terça-feira, 15 de março de 2016 às 13h20

Empresas criadas com apoio da FAPESP estão entre as mais atraentes para o mercado. Propostas de startups foram alvo dos executivos de empresas como IBM, Johnson&Johnson, Embraer e Natura, entre outras.

Elton Alisson | Agência FAPESP – Duas empresas nascentes de base tecnológica (startups) – a Nexxto, de São Paulo, e a VirtualCare, de São Carlos –, apoiadas pelo programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP, estão entre as 10 mais atraentes para grandes empresas e fundos de investimentos no país.

O ranking foi divulgado durante o evento “Open Innovation Week”, promovido no final de fevereiro, em São Paulo, pela Wenovate – uma associação de grandes empresas voltadas a apoiar startups de modo que não dependam de uma única fonte de recursos ou apenas de linhas de financiamento de agências de fomento públicas para viabilizar suas ideias de negócios.

 

Startups apoiadas pelo programa PIPE integram o ranking da Wenovate, divulgado durante o Open Innovation Week. Foto: Wikimedia Commons

Startups apoiadas pelo programa PIPE integram o ranking da Wenovate, divulgado durante o Open Innovation Week. Foto: Wikimedia Commons

 

As 10 startups – das quais sete são do Estado de São Paulo, duas de Santa Catarina e uma do Paraná – foram selecionadas a partir de um concurso realizado pela Wenovate.

A associação avaliou 1.569 propostas de negócio de empresas nascentes de base tecnológica, de 23 estados, e em diferentes estágios de desenvolvimento – desde aquelas que só possuem uma ideia até outras que já colocaram suas soluções no mercado.

As propostas de negócios das 1.569 startups foram analisadas por um grupo de executivos de 50 grandes empresas, como IBM, HP, 3M, Johnson&Johnson, Abbott, Grupo Fleury, Algar Telecom, Embraer e Natura, entre outras.

Desse conjunto de startups, os executivos das grandes empresas indicaram 100 que tinham interesse de conhecer e interagir para prospectar possibilidades de parcerias de negócio.

Os representantes das 100 startups indicadas foram convidados a participar durante o “Open Innovation Week” de reuniões com gestores de inovação de grandes empresas e de fundos de investimentos para apresentar suas propostas de negócio e buscar recursos, potenciais parceiros e clientes.

Ao final de três dias de rodadas de reuniões, os executivos das grandes empresas e fundos de investimentos listaram 10 startups com as quais tinham interesse de continuar mantendo contato.

“Ao todo, as 100 startups participaram de 421 reuniões com representantes de grandes empresas e fundos de investimentos durante os dois dias de duração do evento. E cada grande empresa se interessou, em média, por 14 startups”, disse Rafael Levy, diretor do Wenovate, à Agência FAPESP.

De acordo com o especialista, os motivos listados pelas grandes empresas participantes do movimento e do evento para interagir com as startups variam.

Algumas estão interessadas em ser mentoras, dar recomendações e estabelecer parcerias de marketing e de posicionamento de marca com as startups.

Outras, como a IBM e HP, possuem plataformas tecnológicas, como de computação em nuvem (cloud computing), que gostariam de disponibilizar às empresas nascentes para desenvolverem seus projetos.

Mas também há empresas que desejam usar as soluções tecnológicas desenvolvidas pelas startups em seus produtos e processos. E outras têm interesse em ter participação societária nas startups.

“Temos algumas empresas no movimento, como a Algar Telecom, que estão montando programas de aceleração com o objetivo de investir em startups”, disse Levy.

Startups maduras

Segundo o especialista, em geral as grandes empresas participantes do movimento priorizam a relação com startups mais maduras, como a Nexxto – uma empresa fundada por três engenheiros egressos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

Por meio de projetos apoiados nas fases 1 e 2 do programa PIPE da FAPESP, a empresa, que se chamava RFIdeas, desenvolveu uma solução de rastreamento de ativos de tecnologia da informação (TI) de data centers de grandes empresas baseada em identificação por radiofrequência (RFID, na sigla em inglês).

A tecnologia desenvolvida pela empresa está sendo usada hoje por clientes como a Equinix – uma companhia americana de data centers –, além da BM&F Bovespa e do Uol Diveo.

“Estamos voltados a desenvolver tecnologias baseadas em Internet das coisas [conceito utilizado para designar a conectividade entre vários tipos de objetos do dia a dia à internet], disse Antonio Rossini, CEO da empresa, durante o evento.

A empresa recebeu no final de 2015 aporte de investimentos da SP Ventures – gestora do Fundo Inovação Paulista, que tem entre seus investidores a FAPESP, o Sebrae-SP, a Finep e o Banco de Desenvolvimento da América Latina.

“Com o aporte de investimentos do SP Ventures ampliamos nosso escopo de atuação”, contou Rossini.

Mas além de startups mais maduras, como a Nexxto, as grandes empresas e fundos de investimentos associados ao Wenovate também manifestaram interesse em apoiar grandes ideias de negócios ainda em estágio inicial, como a da VirtualCare.

Por meio de um projeto apoiado na fase 1 do programa PIPE da FAPESP, a empresa criou um sistema para acompanhamento do estado de saúde e bem-estar de idosos baseado em análise do comportamento e tecnologia vestível.

Para criar o sistema os pesquisadores da empresa desenvolveram algoritmos para monitorar e predizer o comportamento de idosos por meio de uma pulseira eletrônica semelhante a um smartwatch de modo a evitar riscos de internação por problemas de saúde.

A tecnologia está em fase de validação e já despertou o interesse de operadoras de saúde.

“A ideia da tecnologia que desenvolvemos é evitar que o idoso chegue ao hospital apresentando um quadro de saúde muito ruim e necessitando internação”, disse Antonio Valério Netto, diretor de inovação da empresa.

“O custo médio de internação de um idoso em uma UTI é R$ 16,5 mil por dia. Ao diminuir a possibilidade de internação é possível reduzir os custos das operadoras de saúde”, afirmou.

Desenvolvidos no Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria, modelos são testados por bancos, seguradoras e empresas de comércio eletrônico. Imagem: Wikimedia Commons

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