Greve é o grande negócio da Copa 2014

05 de junho de 2014 às 12h03

Gerson Soares

Qual greve você gostaria de fazer? São muitas opções. Escolha a sua, pois está revelado o grande negócio da Copa 2014: Fazer greve.

greve

Ilustração/aloart

Em São Paulo, os metroviários pleiteiam 35,47% de reajuste (7,95% de Inflação + 25,5% de Aumento Real), fora todos os outros benefícios que a categoria exige. O salário de um gerente do Metrô é de 21,5 mil reais, o de um coordenador 12,7 mil e a média da categoria fica em 4,5 mil. Nada mal para um país aonde o salário mínimo não chega a 800. As conquistas das categorias e a capacitação levam aos salários que podem traduzir conforto, uma vida digna e o direito à greve deve ser respeitado para melhorá-los. Os rodoviários já fizeram a deles e espalharam o terror pela cidade, hoje é a vez também dos agentes da CET. Aqui são três movimentos que afetam os transportes públicos.

Mas já houve a greve dos professores municipais. A categoria conseguiu 15% de aumento aproximadamente, que só serão incorporados totalmente aos salários daqui a dois anos. Afirmamos mais uma vez que as greves são legítimas, mas a realidade é saber como as aulas serão repostas e se as crianças irão pagar o preço, afastando-se cada vez mais do saber.

Digamos que uma greve de verdade, seria aquela em que todos parariam, São Paulo iria parar, o Brasil inteiro poderia aderir e teríamos uma verdadeira greve. Daí então, uma pauta de reivindicações. Seriam tantas que um livro deveria ser escrito, e teoricamente já foi. Pelo menos tentaram escrevê-lo da melhor forma: é a Constituição.

Ali deveria estar descrito com poucas palavras e leis, algo que todos pudessem entender e então cumprir. Se isso fosse feito, talvez as greves isoladas em busca de interesses desta ou daquela categoria, nem precisassem ser deflagradas, a vida seria normal – com seus percalços e sucessos. Todos acordariam para viver mais um dia, podendo ir ao trabalho, às escolas, ser um idoso e chegar à consulta através do Metrô.

Se a ideia das paralisações contra a Copa Mundial é causar o caos, esse objetivo está sendo conseguido, mas não atingirá o alvo, se ele for a morbidez da governança, especialista em tapar buracos e apagar fogueiras, como os que surgem a cada manifestação isolada. Que nos perdoem os governantes sérios pela generalização, a depuração ainda deve ser longa até que a política passe a ser mais benéfica e afaste as ervas daninhas deste jardim chamado Brasil, onde há esperança.

Logo, a Copa vai passar, a vergonha de um país que não estava preparado para sediá-la vai ficar, com ou sem a vitória da seleção brasileira, e as greves não terão levado à melhoria da qualidade dos serviços prestados em contrapartida aos impostos pagos – onde ações como a depredação da Petrobrás, ofuscam os incentivos à construção de um engenho como o Exoesqueleto no Brasil. As paralisações só servirão às conquistas de algumas categorias mais organizadas, se é que chegarão aonde realmente desejam chegar.

Mas a população também pode fazer a sua greve, esta será nas urnas em outubro. As opções são poucas, mas devem ser bem analisadas. Vale aquele dito popular: “Separar o joio do trigo”.

Antes disso, porém, o povo brasileiro poderia resolver, numa utópica Assembleia Geral Popular, fazer greve geral. Aí sim, teríamos uma boa paralisação e muita gente iria sentir o poder das donas de casa, dos empresários, dos doentes, da pobreza – mantida a troco de colheita futura.

Escolha a sua greve, ou no final marque todas as opções anteriores:

– Greve contra a greve que atrapalha o dia a dia da população;
– Greve contra a inflação que aumenta e o governo diz que não;
– Greve contra pagar aluguel caro e suado;
– Greve contra a corrupção do governo;
– Greve contra a Copa Mundial da Fifa;
– Greve contra a falta de recursos e equipamentos nas Santas Casas do país;
– Greve das donas de casa;
– Greve para conseguir a casa própria;
– Greve contra a falta de vergonha;
– Greve dos empresários contra a maior carga tributária do planeta;
– Greve contra a insana burocracia governamental;
– Greve contra aquilo que deve ser feito e é adiado indefinidamente pelo Congresso Nacional;
– Greve contra a lentidão das perícias do SUS, levando empregados à loucura para voltar ao trabalho ou obter benefícios;
– Greve contra a falta de recursos e agenda para realizar uma cirurgia emergencial;
– Greve contra o descumprimento da Constituição;
– Greve por tudo aquilo que deixou de ser feito nos últimos 125 anos, desde a Proclamação da República;
– Todas as opções anteriores e muitas outras.

Citamos a data de 15 de novembro de 1889, que neste ano irá completar 125 anos. A partir da Proclamação da República do Brasil, seus ideais e idealizadores, criou-se um momento histórico para que o povo brasileiro tivesse um recomeço, saindo do sistema monárquico para o democrático. As manifestações populares de junho do ano passado, que também estão fazendo aniversário, existem como parte dessa conquista, assim como as greves. A Democracia permite o respeito aos direitos, ao passo que também cobra os deveres. No Brasil exigiu-se muito do povo e em troca foi-lhe dado o horizonte que alcançou.

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Autor: alotatuape

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