Hospital São Paulo: administrando crises distancia-se das soluções


Sábado, 4 de julho de 2015, às 13h19 – atualizado às 17h15


Na semana passada a ponta do iceberg evidenciava o tamanho da crise que vive a Saúde na maior cidade do país, um reflexo da falta de políticas reais, menos fantasiosas.

Gerson Soares

No site da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES/SP) não consta nenhuma matéria sobre a crise vivida pelo Hospital São Paulo – cuja responsabilidade administrativa compartilha com o governo federal –, que chegou ao ápice com a greve dos residentes e a paralisação de atendimentos. O Portal do Governo do Estado de São Paulo também não demonstrou interesse em divulgar a situação ou quais foram as soluções apontadas para resolver as questões entre o serviço prestado à população, investimentos e manutenção do hospital universitário – uma referência em saúde para o Brasil.

O Ministério da Saúde, afirma estar em dia com suas obrigações de repasses para o hospital e promoveu uma videoconferência com a reitoria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) para debater a crise da instituição, alegando que em 2015 já destinou-lhe 18 milhões adicionais. Ainda haverá um repasse de 6 milhões ao Hospital São Paulo, como parte do programa de reestruturação para hospitais universitários federais.

 

Ilustração: aloart

Ilustração: aloart

 

A SES/SP divulgou nota, no dia 19 de junho, informando que faria um repasse emergencial de R$ 3 milhões ao hospital, o que não evitou a greve dos médicos residentes quatro dias depois desse anúncio. Para eles uma medida paliativa que iria resolver o problema. “Isso só vai servir para um mês”, disse um dos representantes dos grevistas. A nota da SES/SP, ressalta que em 2014, também houve um repasse de emergência no valor de R$ 5 milhões, “para ajudar o Hospital São Paulo”. E, assinala o envio anual de 56 milhões, “exclusivos do tesouro estadual, de forma absolutamente voluntária”. Além disso, diz a nota, “desde 2012, repassou para a instituição cerca de R$ 10 milhões para investimentos em obras de reforma e ampliação, por meio do seu Programa de Modernização dos Hospitais Universitários”.

Os médicos residentes da UNIFESP encerraram ontem (3) a greve que já durava 10 dias, e deveriam retornar ao trabalho à partir das 7 horas da manhã de hoje (4). Conforme entrevista à Agência Brasil, o presidente da Associação dos Médicos Residentes da Escola Paulista de Medicina, Klaus Nunes Ficher, disse que a greve foi suspensa temporariamente devido a alguns avanços, dentre eles o repasse de 6 milhões citado acima. Segundo a agência de notícias, o médico informou que esse repasse deveria ter sido feito há tempos, mas só chegou nesta semana.

Conforme informou Ficher, o governo do estado de São Paulo também havia programado um corte de 10% nas verbas da instituição e apressou-se em reverter a decisão após a greve que reivindica melhores condições de trabalho e atendimento aos pacientes. No total são 1,1 mil médicos do Hospital São Paulo que voltaram ao trabalho. “Mas o movimento ficará atento”, advertiu.

Todas essas medidas anunciadas pelos gestores do Hospital São Paulo, não foram capazes de evitar o colapso no atendimento, a superlotação, falta de materiais e instrumentos de trabalho, o que levou à greve de quem convive com esses transtornos diariamente, os médicos. Por sorte outras categorias não aderiram.

Estas informações fazem crer que os órgãos responsáveis pela manutenção do São Paulo e o atendimento ao público, tiveram uma visão mais nítida sobre os problemas da instituição depois da paralisação e da greve, o que também leva à conclusão de que a Saúde não é administrada de acordo com as suas necessidades – o que não é nenhuma novidade.

A cada crise aplica-se uma dose de paliativos. Ou seja, quando vem o ataque, trata-se o paciente com um remédio que diminui momentamente a dor, mas que não vai curá-lo. É a favor de mudanças nessa visão deturpada que devemos trabalhar.

Amamentação tranquila. Foto ilustrativa: Stock Photo

Amamentação tranquila. Foto ilustrativa: Stock Photo

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