Isabel de Aragão da monarquia à caridade: Rainha Santa


Terça-feira, 16 de dezembro de 2014, às 10h13 – Atualizado em 17 de dezembro de 2014 às 06h05


Bairro paulistano, município da grande metrópole e uma história grafada pela bondade em meio às intempéries da monarquia europeia.


O bairro de Santa Isabel, vizinho às vilas Carrão e Manchester, também ao Jardim Têxtil e Vila Formosa, pouco conseguiu se expandir, mas detém uma das mais pitorescas construções, a Igreja Santa Isabel Rainha, homenagem à Isabel de Aragão, rainha consorte de Portugal.

O nome da Rainha Santa está nas ruas, avenidas e praças e foi dado também ao primeiro município que liga a cidade de São Paulo ao Vale do Paraíba. Durante o ano de 1770, ligado indiretamente à Ciclo do Ouro e do Café, o povoado de Santa Isabel é mais uma homenagem à santa. Hoje pertencendo à microrregião de Guarulhos, teve seu início como Paróquia, foi elevada à Vila em 1812 e em 1832 a município por Dom Pedro II.

Histórias e lendas não faltam para ilustrar a trajetória da rainha portuguesa. “Mas o importante é o que ele proporcionou, os seus gestos de caridade”, adverte o padre Eduardo Aparecido de Araújo, pároco da Igreja Santa Isabel, que vaticina a descaracterização do nome da região. “O bairro Santa Isabel, está sendo engolido e se transformando em Alto do Carrão”, lamenta.

Mas ainda há tempo para reviver e recuperar o patrimônio histórico, cultural e arquitetônico do lugar, ligado a essa peculiar construção que é um marco visto à distância, soberana, no ponto mais alto do bairro. Construída para substituir a antiga paróquia, sua torre principal foi idealizada também como um observatório e originalmente possuía diversas lunetas, distribuídas pelos quatro pontos cardeais no alto da abóbada.

Para chegar até o alto da torre, são centenas de degraus e estações com placas comemorativas e imagens, clareadas por espias envidraçadas estrategicamente espalhadas. O formato arredondado da construção é coberto por pastilhas coloridas num trabalho artesanal magnífico. De lá é possível enxergar a torre das emissoras na Avenida Paulista ou admirar a magnitude da Serra da Cantareira; olhando para o Leste a visão se perde na paisagem dos telhados e edifícios até desaparecer próximo ao Parque do Carmo.

Mas tudo isso está literalmente jogado à própria sorte e atualmente o acesso à torre foi interditado. “A torre foi interditada preventivamente devido à queda de rebocos e rachaduras, para não colocar em risco os visitantes”, esclarece o padre Araújo.

De qualquer forma só resta uma das lunetas originais e que está danificada, as outras três (cada uma delas apontava para o Norte, Sul, Leste e Oeste) sumiram. Mais lamentável ainda é que vândalos tiveram acesso ao local antes da chegada do padre Araújo e picharam algumas paredes com meio século de existência, construídas com materiais raramente encontrados na atualidade. “Quando cheguei, a primeira coisa que perguntei foi sobre como eles conseguiram fazer isto”, diz o pároco inconformado.

Segundo ele, estão sendo preparados os laudos necessários, exigidos pela Prefeitura de São Paulo, elaborados por uma empresa contratada. “A igreja precisa de alguns reparos, mas a torre principal precisa de uma restauração total”, enfatiza o padre.

Ele lembra que as lideranças da paróquia ficou com pessoas que estão avançando na idade. Para voltar ao brilho de algumas décadas atrás, a Igreja Santa Isabel tem o apoio daqueles que ainda se dedicam com afinco. Mas para retomar a aproximação com os mais jovens ela poderia tornar-se uma das maiores atrações da região, transformando num ponto turístico e numa atração inovadora, já que possui a beleza arquitetônica necessária e uma vista fantástica.

A bairro de Vila Santa Isabel, só será engolido se as providências necessárias para revitalizar a igreja não forem tomadas, caso contrário outro milagre poderá ser visto e as ruas voltarão a receber as flores em homenagem à Rainha Santa.

Abóbada da igreja vista da nave central. Foto: aloimage

Padre Araújo no último andar da torre, ao lado da única remanescente das lunetas originais implantadas para observação da paisagem. Foto: aloimage

Paisagem vista do alto da torre da Igreja Santa Isabel Rainha, direção Nordeste. Foto: aloimage

Tapete de serragens coloridas e outros materiais, produzido pelos paroquianos no final dos anos 50. Foto: Paróquia Santa Isabel / Arquivo

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Autor: alotatuape

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