Jiu Jitsu: atleta que sofreu acidente de moto volta a arena de luta em SJC


Domingo, 12 de agosto de 2018, às 13h12


Aluno da academia Xtreme Brazilian Jiu Jitsu, Raphael Forti, vai se encontrar com a área de luta no próximo dia 28 em São José dos Campos pela primeira vez, depois de acidente mtociclístico.

Gerson Soares

O lutador de Jiu Jitsu, Rapha como é conhecido, quer voltar a ter uma vida normal depois do grave acidente que minou temporariamente sua energia, mas agora ele se esforça treinando a arte suave com as forças que consegue reunir. Sua garra serve de exemplo e remete a outros atletas brasileiros que precisam superar grandes obstáculos, transpor barreiras e romper dificuldades para se dedicarem ao esporte que preenche suas vidas.

 

Pedro Farkas exibe o cartaz da 1ª Copa Werwolf, Rapha e o líder da Xtreme BJJ mestre Fabiano Victorino, "Pedra". Foto: divulgação

 

Rapha passa por todos esses caminhos diariamente, para aos poucos ir readquirindo sua melhor forma. De atleta extremamente hábil que estava “voando” na faixa marrom quando bateu sua moto em alta velocidade, agora precisa se locomover em uma cadeira de rodas. Mas para quem pensa que isso o fez deixar de pensar no Jiu Jitsu, saiba que ele só lamenta não poder treinar todos os dias. Estar no tatame faz parte dos objetivos que tornam sua vida mais empolgante. Ele torceu pelos companheiros da equipe Xtreme BJJ em todas as fases do Circuito Paulista de Jiu Jitsu 2018, e agora fará sua primeira luta-demonstração em São José dos Campos, um incentivo à sua força de vontade.

Conversamos com o Rapha logo após a 3ª Etapa do Circuito Paulista de Jiu Jitsu – onde a Xtreme BJJ se classificou em 6º lugar na categoria Masters de 1 a 6 – para saber como ele se sentia vendo os amigos lutando e tendo em mente que dentro de alguns dias ele mesmo estaria voltando a uma área de luta – assim é chamado o espaço onde ocorrem os confrontos durante um campeonato. Esta é a primeira vez que o Rapha luta com a faixa preta e o fará em condições adversas, devido seu estado físico.

“Eu me sinto feliz pelo fato de os amigos estarem lutando, ganhando e se dedicando, que é o que eu mais fazia. Gosto desse espírito de competição, eu gosto de Jiu Jitsu, de estar junto com os meus companheiros. Confesso que fico um pouco chateado por não conseguir fazer o que eu mais gosto. Fico chateado por não conseguir demonstrar algumas das minhas habilidades ou estar no treino dia-a-dia. Estou presente nas competições tentando dar uma motivação, mas acabo ficando chateado porque eu não consigo estar ali dentro, no tatame, sentindo a adrenalina de competidor”.

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Perguntei como ele se sentia fazendo sua primeira luta com dois motivos especiais: a faixa preta e lutar em condições adversas. “Me dá um ânimo e motivação saber que eu vou ter uma luta, vai estar a minha galera torcendo por mim, fico ansioso, fico feliz, mas ainda não é o que eu busco. Eu busco ainda a minha condição perfeita, estar em pé e fazer o que eu mais gosto. Mas creio que Deus está me deixando nessa condição pra motivar e ajudar muita gente. Então, eu vou respeitar esse tempo e ter paciência. A faixa preta é o que a gente mais sonha ter um dia, e chegou meu dia; não nas condições que eu queria muito ter, mas se não tem a condição perfeita a gente vai do jeito que dá, pelo menos por enquanto. E, sempre que der eu vou tentando fazer do jeito que for possível, da forma que eu estiver. Vou indo e fazendo. Oss.”

 

Aula noturna: Rapha e os companheiros da Xtreme deixam no ar um exemplo de união, uma mensagem de otimismo. Foto: divulgação

 

1ª Copa Werwolf ADC Embraer de Jiu Jitsu

Depois de conversar com o Rapha, fui conhecer seu adversário, o faixa preta - 2º dan, Pedro Farkas. Ele é o organizador e principal patrocinador da 1ª Copa Werwolf ADC Embraer – Jiu Jitsu que acontece no próximo dia 26 em São José dos Campos, no Vale do Paraíba. Haverá premiações em dinheiro para os campeões e entrega de kimonos para todas as categorias onde houver o mínimo de cinco atletas inscritos. O evento conta com o apoio da Associação Desportiva Classista Embraer.

“Eu que vou fazer essa luta com Rapha, primeiramente eu fiquei um pouco tenso, mas de antemão digo que me senti honrado por ter sido escolhido pelo Rapha pra fazer essa luta de demonstração. A paixão pelo Jiu Jitsu, eu treino há 22 anos, e o Rapha também já tem uma bagagem muito grande no Jiu Jitsu, um cara que tem uma paixão, um amor pelo Jiu Jitsu. Assim como eu, que já sofri algumas lesões e a primeira coisa que a gente pensa é: E agora? O Rapha sofreu uma lesão mais grave, mas a primeira coisa que ele pensou foi no Jiu Jitsu. Em conversa com ele, foi a frase que ele me falou: ‘No acidente a primeira coisa que eu pensei foi: Como que eu vou fazer pra treinar Jiu Jitsu?’ Então isso demonstra o carinho e o amor que ele tem pelo Jiu Jitsu. Isso é muito gratificante, muito emocionante pra falar a verdade e até por isso que eu fiz todos os esforços para que essa luta ocorresse. A gente vai parar o evento pra fazer essa luta e consegui que o Juninho Calasans, atleta mundialmente conhecido, seja o árbitro da nossa luta.”

Jiu Jitsu um estilo de vida

É isso, esse é o modelo de vida que se aprende nos tatames baseado na arte trazida pelo mestre Maeda do Japão, e propagado pelas gerações da família Gracie no Brasil e todos os adeptos que desse movimento existem. Um estilo de vida esportivo que se tornou mundialmente conhecido como Brazilian Jiu Jitsu, onde a garra e a força de vontade são capazes de vencer com humildade e resiliência as situações mais adversas, transformando vidas.

A patrocinadora Werwolf Kimonos, também está voltada para a responsabilidade social, apoiando e incentivando a inclusão de atletas que também precisam vencer com arte as dificuldades impostas pela vida. Farkas comenta sobre a situação do atleta Raphael Forti. “Eu achei incrível essa oportunidade até pra mostrar, fazer uma inclusão social, de que pessoas que sofrem acidentes, pessoas que tem alguma deficiência também podem lutar, só basta querer, só basta ter força de vontade. Hoje, nos patrocinamos um garoto, o Leozinho que tem síndrome de Down (veja no Instagram), e ele também vai lutar no nosso campeonato. Então esse é um trabalho que eu vou fazer sempre”.

 

Pedro Farkas e Raphael Forti, com a nova camiseta criada em conjunto com os amigos. Foto: divulgação

 

Companheiros da Xtreme

Existem demonstrações de amizade que nem mesmo o tempo é capaz de apagar. Nós as conhecemos através dos anos de jornalismo ao colhermos depoimentos emocionantes. Passando por tratamento fisioterápico intensivo e custoso desde que deixou o hospital, há algum tempo os amigos resolveram inventar uma forma de ajudar a custear essas terapias, criando designs em camisetas com o termo que se propaga pelas redes sociais: #forçarapha. O modelo atual que já pode ser adquirido traz a seguinte frase: “Jiu Jitsu meu estilo de vida – #forçarapha” (para adquirir a camiseta acesse: @raphaelfortibjj).

Pedro Farkas, saiu do Vale do Paraíba para conhecer o Rapha e a academia Xtreme, que está localizada no bairro do Tatuapé, na capital paulista. “Fui muito bem recebido e me senti em casa”. Faixa preta desde 2009, fala sobre o treino do qual participou. “O professor abriu espaço para eu passar algumas posições, a estrutura da academia é fora de série. O que mais me deixou contente e feliz mesmo foi ver o amor, mais do que carinho, o amor que a equipe e os colegas de treino têm por ele. As pessoas não só cumprimentam com aperto de mão, as pessoas o beijam e abraçam. Isso passa uma energia muito positiva pra gente”.

Portanto, boa luta para eles e vida longa para o Jiu Jitsu, #forçarapha.

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